Na Garagem: no dia do Ano Novo, Clark “se despede” da F1 com vitória e recorde
A F1 gostava de ir à África do Sul para as festas de fim de ano. Campeonatos não só foram encerrados lá no fim de dezembro, como também iniciados. Em 1968, Jim Clark começou o último ano de sua vida vencendo — foi sua última corrida na F1
Uma inesperada despedida marcou o Ano Novo de 1968 para a F1. O bicampeão Jim Clark, um dos melhores pilotos a disputar GPs, fez na África do Sul sua última corrida — e venceu.
A corrida em Kyalami representou o início da temporada 1968. Clark e Colin Chapman tentariam retomar a hegemonia da F1 após os títulos de Jack Brabham e Denny Hulme, e o começo foi forte.

Jim Clark na corrida do ano novo (Foto: Rob Ryder)
Na classificação, Clark fez a pole com 1s de vantagem para o companheiro de equipe, Graham Hill. A primeira fila foi completada por Jackie Stewart, da Matra. Chris Amon e Hulme, da Brabham, formavam a segunda fila.
Stewart tirou Clark da ponta na largada, mas durou apenas uma volta na cabeça do pelotão. No segundo giro, o piloto da Lotus deu o troco no duelo de escoceses e reassumiu a frente para não mais perdê-la.

Jackie Stewart se prepara para a largada (Foto: 8W)
Atestando a força da Lotus, que ainda usava o modelo 49 naquela corrida — mudaria para o 49B mais tarde no ano —, Hill se recuperou de uma perda de cinco posições na largada para, no 27º giro, ultrapassar a Matra de Stewart. O escocês o perseguiu de perto até seu motor quebrar na volta 43.
Com sobras, a Lotus fez a dobradinha, e Jochen Rindt, outro da Brabham, completou o pódio — apenas os três completaram as 80 voltas da prova.

Denny Hulme em 1968 (Foto: Rainer Nyberg)
O triunfo de Clark não foi um qualquer: foi o 25º da carreira, estabelecendo um novo recorde na F1. Até então, o maior vencedor da história era Juan Manuel Fangio, com seus 24 troféus de primeiro lugar. Jim, em sua última aparição, entrou para a história — seria superado, anos mais tarde, por Stewart, que encerrou a carreira com 27 vitórias.
Quando a F1 se encontrou novamente, em 12 de maio, na Espanha, Clark não estava presente. Ele morreu em 7 de abril de 1968, em Hockenheim, em decorrência de um acidente em uma prova de F2. O bicampeão tinha 32 anos e, obviamente, era o líder do Mundial.

Chris Amon acelerando na África do Sul (Foto: Rob Ryder)
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