Fórmula E abre reta final da temporada com retorno à normalidade em Nova York
A normalidade do bem, com brigas e imprevisibilidade na medida certa, deu as caras em Nova York. A Fórmula E abriu a reta final do ano com o pé direito e trouxe um alento para seus fãs
O fim de semana da Fórmula E marca um momento importante da temporada 2020/21: mais de metade das corridas já foi disputada e o fim do campeonato está pouco mais de um mês distante. De certa forma, o sábado (10) em Nova York marca o começo do fim. Esse passo foi dado com uma corrida boa da Fórmula E, daquelas que oferecem imprevisibilidade sem sair dos trilhos por completo.
Prova disso foi a briga pela vitória. Nick Cassidy liderou a maior parte da corrida, mas nunca em situação verdadeiramente confortável. O novato estava consumindo energia demais e, de quebra, tinha Jean-Éric Vergne respirando em seu cangote. A imprevisibilidade surtiu efeito quanto, numa tacada só, os dois se enroscaram e abriram caminho para Maximilian Günther. O alemão passou os dois numa tacada só e acabou vencedor. Está aí: uma corrida incerta, mas que teve ares de corrida. Ou seja, progresso na comparação com as corridas de Puebla e de Valência.
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É interessante falar isso de Nova York, pista que já foi caótica em anos anteriores. Afinal, é a pista clássica da Fórmula E: estreita, privilegiando quem decide arriscar tudo em nome de uma manobra. Só que a primeira corrida do fim de semana foi um alento justamente por mostrar pilotos ousando na medida certa, por ter um enredo. Guenther venceu porque foi oportunista, não por sobreviver a uma corrida maluca ou por ser beneficiado por desclassificações alheias.
Em contrapartida, a ‘normalidade do bem’, não mudou muito o panorama na briga pelo título. Esta ainda não tem narrativa alguma, ainda valendo a máxima de que qualquer vencedor vai automaticamente sonhar com título. Qualquer um no top-15 pode matematicamente terminar o domingo líder do campeonato. Isso é consequência direta de mais uma prova em que o vencedor é um piloto que pouco fez no resto do ano, e, além disso, em que os supostos protagonistas foram incapazes de fazer algo verdadeiramente notável.
Uma olhada na classificação do Campeonato de Pilotos nos mostra uma brilha ferrenha entre Edoardo Mortara e Robin Frijns. Os dois têm 72 pontos, com o suíço à frente nos critérios de desempate. Os dois têm seus méritos e fazem temporadas acima de suas respectivas médias. Dito isso, a sensação é de que se trata quase de uma briga fake – tudo pode, e deve, mudar até a corrida de amanhã. Um mundo como o da Fórmula 1, em que Max Verstappen e Lewis Hamilton claramente são os rivais únicos pelo caneco, não é possível na Fórmula E. Pelo menos não ainda; pelo menos não no curto prazo.

A ideia era que essas corridas finais ajudassem o campeonato a afunilar. Começando já em Nova York, diga-se. E talvez até esteja, mas de uma forma inesperada. A Mercedes, que começou o ano como equipe a ser batida, foi agora para o quarto eP nos últimos cinco sem um único ponto. A Jaguar, apenas com Sam Bird em nono, também só derrapa. Se essas duas seguem dando sinais de que não estão com muito gás para brigar por título, sobra quem? A DS Techeetah, com Vergne em terceiro no Campeonato, é candidata óbvia. A Audi, com um incrível René Rast em quarto, também. Essas duas equipes viraram as que mais tem cara de decolar nas próximas semanas e medir forças. Venturi e Virgin, equipes de Mortara e Frijns, merecem menções óbvias. Dito isso, essas menções vêm sempre acompanhadas do temor de que a corrida seguinte ponha tudo a perder, dado o ritmo frenético das reviravoltas na Fórmula E.
A primeira metade da rodada dupla de Nova York já se foi. Até aqui, uma sensação legal de que o campeonato ainda tem coisas boas a oferecer. Essa é a normalidade da Fórmula E, uma normalidade em que reviravoltas vêm na medida certa. Falta apenas a cereja no bolo: uma briga pelo título de alto nível, afunilando aos poucos. Chegando lá, tudo vai se tornar bem mais agradável.
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