Russell critica rivais “priorizando desempenho sobre segurança” quanto a quiques
George Russell disse que pilotos da Fórmula 1 preferem priorizar o desempenho dos carros ao invés da segurança e criticou mudança de discurso daqueles que reclamavam dos quiques, citando Max Verstappen e Sergio Pérez
O quique dos carros da Fórmula 1 em 2022 tem tirado o sono dos pilotos. Após a FIA criar uma nova diretiva técnica com o objetivo de limitar as oscilações verticais, foi a vez de George Russell se pronunciar sobre o assunto como alguém que sofre diretamente com o efeito conhecido como porpoising — até porque, a Mercedes é o carro mais afetado pelo fenômeno entre os dez do grid. O britânico adotou um tom crítico e opinou que os pilotos que se colocam contra os métodos de controlar o quique estão, na verdade, apenas preocupados em perderem desempenho.
“Obviamente, existem diversas intenções diferentes aqui, com diferentes equipes e pilotos”, disse Russell. “Escutamos de Carlos [Sainz] às vezes, ‘Checo’ [Pérez] e Max [Verstappen] ao longo da temporada sobre o quão ruim tem sido. Mas agora que a performance deles parece forte, eles obviamente não querem mudanças, porque poderia apenas prejudicar eles. Então, é um pouco lamentável ver o desempenho priorizado sobre a segurança”, criticou.
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Durante o GP do Azerbaijão, que conta com a maior reta do calendário — com mais de 2 km de extensão —, foi possível ver diversos pilotos reclamando sobre os efeitos físicos dos quiques, como Lewis Hamilton — que teve dificuldades de sair do carro —, Pierre Gasly e Carlos Sainz. Russell disse que o forte balanço o impedia até mesmo de ler as placas na reta dos boxes, quando as equipes indicam algumas informações sobre a corrida para os pilotos.
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“Em Baku, eu conseguia ver a placa da reta dos boxes mas não conseguia lê-la porque estava quicando muito”, citou. “Eu vi um vídeo de Lance [Stroll] em uma das voltas, lutando para mudar os botões do volante porque você via visivelmente o quanto o carro estava balançando e o quão duro estava. Todos somos animais competitivos nesse esporte e todos queremos ganhar. Mas não podemos colocar nossos corpos em risco para isso”, disse.
Russell ainda opinou sobre a nova medida da FIA, a qual ainda considera uma incógnita. Longe de achar que a nova resolução vai resolver o problema na Fórmula 1, o piloto britânico cobrou a entidade por uma “conversa maior” para que se possa chegar de fato a uma solução sobre o assunto.
“Com o que foi implementado neste final de semana, acho que é mais uma medida paliativa do que uma solução”, opinou. “Precisamos esperar para ver. Acho que mesmo para os times que estão sofrendo menos, ainda é uma trajetória incrivelmente agressiva e acidentada. E a FIA tem acesso a todas as cargas verticais que sofremos e está muito longe do que você espera que vá ser seguro. Então, realmente será necessária uma conversa maior para irmos em frente em relação ao ponto em que estamos”, salientou.

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Por fim, Russell admitiu desconhecer os efeitos que a nova medição da FIA vai causar aos carros de sua equipe. O #63 destacou a novidade dos carros, os primeiros sob o novo regulamento, e colocou em dúvida se a nova resolução da entidade vai realmente trazer um ‘remédio’ ao porpoising.
“Do nosso lado, de um aspecto de performance, qualquer mudança seria algo desconhecido”, admitiu Russell. “A FIA faz as regras, e eles poderiam trazer qualquer mudança e ninguém aqui saberia se seria melhor para o desempenho ou se teria um efeito negativo na performance. Então, precisamos esperar mesmo para ver”, repetiu.
“Existem tantos aspectos diferentes e elementos nesses carros que aumentar o carro não necessariamente vai reduzir ou remover [o quique]”, reclamou. “Você varia entre porpoising e bottoming, são duas coisas diferentes, e obviamente a rigidez dos carros é muito ruim. O tempo vai dizer. Eu espero que seja fácil para todos pilotarem e que não tenha um efeito de diminuir a performance de ninguém”, finalizou.
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