Miller desfila força da Ducati, mas Japão altera equilíbrio da MotoGP em favor de Quartararo
Mais uma vez, a força da Ducati prevaleceu na MotoGP 2022 neste domingo (25), mas o GP do Japão modificou o equilíbrio do Mundial de Pilotos em favor de Fabio Quartararo, que se valeu de um erro capital da Aprilia e de mais uma titubeada de Francesco Bagnaia para fortalecer a liderança na classificação do campeonato
A Ducati até brilhou neste domingo (25), mas é inegável que o GP do Japão foi mais favorável a Fabio Quartararo. Depois de perder 2/3 da liderança que passou a temporada 2022 inteira construindo com a queda no GP de Aragão, o francês usou o erro capital da Aprilia com Aleix Espargaró e mais uma bobeada de Francesco Bagnaia para colocar mais umas moedas na poupança do Mundial de Pilotos.
Ainda na sexta-feira, Quartararo se mostrou preocupado com a forma das Ducati. Mas o temporal de sábado formou um grid um tanto incomum. Fabio ficou só em nono, mas Bagnaia, que tem sido a grande pedra no sábado, fez só o 12º tempo na classificação. O melhor entre os rivais pelo título foi Aleix, que garantiu o sexto posto.
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Os problemas dos adversários começaram logo na volta de aquecimento, quando Aleix notou que a RS-GP não funcionava como deveria, já que tinha um mapa de controle de combustível acionado. Incapaz de desativar o eco-map, o irmão de Pol não teve outra opção a não ser entrar nos boxes em busca da moto reserva. Ao invés dos pneus duro na frente e médio atrás que tinha escolhido para a corrida, a RS-GP número 2 tinha um composto macio na traseira, o que comprometeu ainda mais o desempenho do catalão.
O pai dos pequenos Max e Mia foi do sonho da vitória no Japão ao desespero de sequer conseguir pontuar na MotoGP. O mais velho dos irmãos Espargaró só não sofreu um impacto maior no campeonato porque Fabio não teve lá um dia dos melhores.
“Eles cometeram um erro e não tiraram o mapa de economia de combustível, que não nos permite passar de quatro ou cinco mil RPM”, revelou Aleix. “Chamamos de eco-map, para economizar combustível. A moto não passa de 100 km/h, não passa de 5.000 RPM”, seguiu.
“Tentei de tudo na volta de aquecimento, não funcionava. Mudei a moto nos pits, mas a segunda moto estava com o traseiro macio. Não posso pilotar com aquele pneu”, indicou. “Sabia desde o início. A moto estava simplesmente forçando a dianteira. Só tentei ficar na pista. Estava muito nervoso, cometendo muitos erros, então decidi ficar na pista para esperar uma bandeira vermelha ou qualquer coisa, mas não aconteceu”, explicou.
A decepção de Aleix é ainda maior, pois ele tem “100%” de certeza que poderia vencer a corrida em Motegi.
“Detestei o pneu macio nas últimas três corridas, nunca usei o pneu macio, mesmo na classificação eu sofri. E, mesmo assim, fiz [1min]46s em muitas voltas. Então com o médio e a minha outra moto, tenho certeza que poderia ter ficado no 45min e meio, pelo menos no nível de Jack. É uma pena”, lamentou.
Apesar de os danos ao campeonato terem sido limitados pelo dia ruim da concorrência, Espargaró acredita que isso é “pior”.
“Para mim, isso é pior. Pois eu perdi uma grande oportunidade. Se eles terminassem em primeiro e segundo, seria pior para o campeonato, mas eu não estaria assim bravo, isso é triste”, considerou. “Estou muito triste, pois sabia que hoje eu era mais rápido do que eles. E é muito difícil ser mais rápido do que Pecco e Fabio. É muito raro para mim. Foi uma grande perda”, completou.
Quem também sofreu uma grande perda foi Bagnaia. Depois de fechar o sábado garantindo que a meta era ganhar a corrida, o italiano foi para a pista para fechar o domingo à frente de Quartararo, mas, na tentativa de fazer isso, conseguiu o quinto abandono do ano.
Agora, depois de um pedido de desculpas à Ducati, vai carregar para a Tailândia um atraso de 18 pontos no campeonato.
“Cometi um grande erro”, disse Pecco. “Tentei estar na frente, mas não pude. Tive sorte, porque não foi o dia de Fabio e Aleix Espargaró teve um problema”, reconheceu.
Pecco contou que se desculpou com a Ducati pelo erro e relatou que a pressão do pneu dianteiro aumentou, o que também resultou em um pedido de desculpas da Ducati.
“Tentei na última volta e errei. Pedi perdão a toda equipe, porque não fiz meu trabalho. É verdade que a pressão do pneu dianteiro disparou, e que a equipe me pediu perdão por isso, mas a equipe foi coisa minha. Nada a ver com a questão do pneu”, assumiu.
Na visão de Bagnaia, o ponto que poderia ganhar com a ultrapassagem em cima de Fabio poderia fazer diferença na disputa pelo campeonato, mas, em retrospectiva, ele reconhece que a tentativa pode ter sido um erro.
“Um ponto pode fazer a diferença no final do ano, mas pode ser que eu tenha sido ambicioso demais. A única coisa que posso fazer é tentar ganhar”, considerou. “Fui excessivamente otimista na manobra e a única coisa boa é que não levei Fabio comigo”, declarou.
Por fim, Francesco destacou que não consegue entender a diferença de performance entre ele e Jack Miller, que foi dominante na corrida.
“Tampouco entendo como Miller foi tão rápido e eu tão lento. Hoje eu não podia ultrapassar e isso é muito raro, pois normalmente não tenho problemas nesse sentido”, falou. “Esse fim de semana foi muito atípico, mas na Tailândia eu não serei mais agressivo que o normal”, avisou.
Mas, ao contrário do que se possa imaginar, Quartararo não saiu exatamente feliz de Motegi. A liderança maior dá algum conforto, mas o fato e não ter conseguido avançar o deixou contrariado.

“É preciso pensar no futuro, que é a próxima corrida, pois não vamos voltar ao Japão até o ano que vem. Aí teremos uma moto que vai melhor”, comentou Fabio. “Faz muito tempo que eu não desfruto em cima da moto na corrida. Se não largo na primeira fila, adeus”, seguiu.
“Se levarmos em conta as circunstâncias, é melhor somar oito pontos do que perdê-los. Mas também é frustrante”, assumiu. “Não poderia ter lutado com Jack Miller, que estava em outro planeta, mas pode ser que com Marc Márquez ou com Miguel Oliveira”, ponderou.
“Não pude ultrapassar em nenhum momento e, em parte, por algo que mudamos antes da corrida, que não foi o pneu. Isso foi um erro da nossa parte, mas também acho que o pneu não foi o melhor. Tivemos pouco tempo de pista seca”, observou.
O domingo, contudo, pertenceu a Jack Miller, que brilhou e mostrou a força da Ducati em Motegi. O australiano dominou a corrida e venceu com 3s409 de margem para Brad Binder, o segundo colocado.
“Me senti incrível todo o fim de semana, desde que iniciei o primeiro treino”, contou Jack. “É incrível. A corrida de casa está chegando, meu casamento está chegando em algumas semanas, então eu estou na lua”, comentou o noivo Miller.
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