Indy admite “pânico” inicial com atrasos, mas garante introdução de novos motores em 2024

Jay Frye, presidente da Indy, revelou que as dificuldades impostas pela pandemia da Covid-19 assustaram, mas que desenvolvimento dos novos motores híbridos da categoria está normalizado

A Indy planejava introduzir o novo motor híbrido de V6 de 2,4 litros biturbo neste ano, mas acabou tendo que adiar sua introdução duas vezes por conta da pandemia da Covid-19. Com estreia prevista em 2024, a nova unidade de potência sofreu para ser desenvolvida, já que a MAEHLE, empresa responsável pela parte híbrida, foi afetada pela crise na cadeia de produção de peças, algo que gerou apreensão na categoria.

“Existe um problema na cadeia de produção global para tudo, então fazer algo novo agora tem sido um pouco mais desafiador”, revelou Jay Frye, presidente da Indy, em entrevista ao portal Motorsport.com. “Parece que está melhorando. Quero dizer, vamos lançar isso em 2024, então ficamos um pouco em pânico, porque o tempo passa rápido. Mas nos sentimos bem sobre onde estamos com o programa”, admitiu.

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A nova unidade de potência terá 150 cavalos a mais em relação aos atuais motores da categoria. Além do ERS (Sistema de Recuperação de Energia), que utiliza a frenagem para transformar o calor em energia elétrica, também deve possuir um “freio duplo”, uma alavanca extra no volante que permite ao piloto recuperar energia durante fortes frenagens.

Indy terá motores híbridos em 2024 (Foto: IndyCar)

“O que tentamos fazer é criar um sistema único para a Indy. Por conta da diversidade do calendário, há certas coisas do ponto de vista da segurança que talvez outras categorias possam fazer com um sistema híbrido que nós não podemos. Então, criamos algo que achamos que é bem único, [mas] ainda não o anunciamos”, disse Frye.

“Será mais leve do que a maioria, terá mais potência do que a maioria, será mais seguro do que a maioria. Isso faz parte das coisas que estão demorando um pouco também, já que estamos inventando algo que é único e novo, o que é legal. Espero que o que criamos é algo que possa ser utilizado em carros de rua”, elogiou o presidente da Indy.

Jay ressaltou que o atraso para a implementação da nova tecnologia se deve a dois anos completamente atípicos, em que a Indy focou apenas em sobreviver. A categoria tem um plano traçado para ir testando aos poucos a nova unidade de potência e pretende entregar o motor para todas as equipes no último trimestre de 2023.

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Jay Frye explicou o cronograma de testes dos novos motores (Foto: IndyCar)

“[O processo] realmente não demorou mais [do que o esperado], só está atrasado, por causa de tudo que está acontecendo no mundo. Por exemplo, 2020 foi sobre sobrevivência: como vamos correr? Não se tratava de desenvolver nada. Então, demorou um pouco para voltarmos ao mesmo ritmo. Em 2021, foi melhor, mas ainda não foi normal, e 2022 foi bem normal. Agora, esperamos que em 2023 estejamos de volta ao normal”, explicou o dirigente americano.

“Teremos um carro por fabricante, eles serão carros de teste, e deixaremos os fabricantes escolherem quais equipes que querem usar. Vamos fazer isso até o último trimestre do ano que vem e aí provavelmente teremos um sistema por equipe, para que cada equipe tenha um para testar. E então, no primeiro trimestre de 2024, todos os carros já estarão equipados”, contou Frye.

O primeiro teste com o novo motor aconteceu no fim de outubro. A Honda testou a unidade de potência no circuito misto do Indianápolis Motor Speedway, primeira vez que o motor V6 de 2,4 litros biturbo foi equipado com o sistema de recuperação de energia da MAHLE. O motor de combustão já havia sido testado em março, tanto pela Honda quanto pela Chevrolet, também em Indianápolis. A Indy ainda planeja realizar outro teste em 2022.

Indy pode ter push-to-pass em ovais em 2024 (Foto: IndyCar)

“Tivemos um [teste de dois dias com a Honda] há um mês aqui, que foi a primeira vez que fizemos um teste de pista com “um sistema”. Foi um dia bastante marcante. Criamos um produto que faz coisas muito boas, aprendemos muito. A partir desse aprendizado, podemos fazer outro dia de teste com um carro entre agora e o final do ano. E então, no primeiro trimestre do ano que vem, serão os dois construtores testando”, revelou Frye.

O sistema híbrido que será implementado não vai recuperar energia apenas nas frenagens. Ainda que mais detalhes sobre seu funcionamento não tenham sido revelados, o presidente da Indy afirmou que há a possibilidade da potência extra ser utilizada também em grandes ovais.

“Sim, essa será nossa intenção, o que o torna único. Isso nunca foi feito. No momento, nos circuitos mistos e de rua, temos o push-to-pass, mas nunca fizemos isso em um oval. Então, isso vai fazer parte do processo de aprendizado, de como podemos fazer isso funcionar”, concluiu Frye.

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