Ex-patrocinador processa Williams e pede mais de R$ 750 milhões em indenização
O imbróglio entre Williams e a ROKiT ganhou mais um capítulo: agora é a equipe inglesa que está sendo processada pela ex-patrocinadora, que alega ter sofrido danos à reputação depois que o time de Grove prometeu que teria um carro vencedor na temporada 2019 da Fórmula 1, mesmo ciente de que não haveria recursos financeiros para tal
Se antes era a Williams que entrava na justiça contra a ROKiT, agora é a ex-patrocinadora da equipe inglesa de Fórmula 1 que resolveu processá-la por danos à reputação. A ação movida pela fabricante de smartphones pede US$ 149 milhões (R$ 754 milhões) de indenização por ‘propaganda enganosa’ na temporada 2019 — o que a Williams chamou de “alegação espúria”.
O imbróglio entre Williams e ROKiT é antigo. Depois de pôr um fim na longa parceria com a Martini ao final de 2018, a equipe anunciou a parceria com a nova marca para o ano seguinte, mas a união trouxe mais problemas do que soluções para os ingleses. Em quatro anos, a empresa deixava um rastro de calotes financeiros, que, no caso da Williams, ultrapassaram os R$ 157 milhões.
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Em 2021, o time de Grove entrou com um processo legal contra a ROKiT que, em fevereiro de 2022, chegou ao final com vitória para a equipe e a ordem de que a ex-patrocinadora pagasse £ 26,2 milhões (equivalente a R$ 165 milhões, na cotação do dia) mais US$ 1 milhão (R$ 5 milhões) de juros. O total chegava a R$ 166 milhões.
Agora, a ROKiT decidiu contra-atacar e acusa a Williams de ter feito a falsa promessa de que teria um carro competitivo para a temporada 2019 da F1, mesmo ciente de que não teria recursos financeiros suficientes para isso. Além do próprio time, a ação também nomeia como réus a ex-vice-diretora da equipe inglesa, Claire Williams, bem como o antigo CEO, Mike O’Driscoll, e o antigo diretor-financeiro, Doug Fafferty.
De acordo com a nova submissão, a ROKiT “descobriu que o carro nunca foi capaz de executar os padrões que os réus haviam garantido aos queixosos, e os réus estavam cientes e ocultaram esse fato”. O texto acrescenta ainda que “os réus ocultaram intencionalmente e de forma fraudulenta o fato de que a Williams simplesmente não tinha dinheiro suficiente para desenvolver o carro de F1”.
A ação segue dizendo que “como resultado direto das declarações fraudulentas feitas pelos réus, os demandantes sofreram perdas financeiras significativas e danos à sua reputação comercial”, pedindo como compensação “uma quantia superior a US$ 149.528.500”.
“Não quero fazer isso, mas acredito que fomos prejudicados. A razão é que a covid atingiu toda a temporada [2020], que foi cancelada. É por isso que não pagamos”, argumentou o chefe da ROKiT, Jonathan Kendrick, à revista inglesa Autosport. “Não sei se lembram, mas teríamos apenas 50% da temporada, e, então, oferecemos 50% por escrito. Eles recusaram e, imediatamente após, cancelaram todo o nosso contrato e nos processaram pelo valor total. Recebi os e-mails dizendo que pagaríamos a metade e, depois, cancelaram [o acordo] pelo Instagram. Nem nos avisaram”, se defendeu.
“Antes de assinarmos, fizemos exatamente essas perguntas diante do meu conselho: qual é o estado do carro? Qual o estado do desenvolvimento? Nos disseram X, Y e Z, só que nunca foi verdade. Acreditamos que podemos provar, principalmente quando chegarmos ao tribunal”, acrescentou Kendrick, ressaltando ainda que ex-funcionários da Williams “se apresentaram e deram informações muito importantes”.
À revista Autosport, a Williams declarou estar ciente do que chamou de “alegação espúria”, acrescentando que confia nos processos judiciais referentes ao “infeliz assunto”. Desde o fim do vínculo da equipe inglesa, a ROKiT não tem participação na F1, mas continua marcando presença no automobilismo por meio da Fórmula E, F4 britânica e Superbike.
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