Sainz se diz “muito desapontado” com manutenção de punição “desproporcional”

Carlos Sainz lamentou o fato da FIA ter decidido manter a punição que impôs ao espanhol no fim do GP da Austrália

Relargada caótica do GP da Austrália teve quatro abandonos e muita confusão no fim (Vídeo: Sky F1)

Mesmo duas semanas depois do GP da Austrália de Fórmula 1, os acontecimentos da última relargada pós-bandeira vermelha ainda ressoam. A FIA realizou audiência, na manhã desta terça-feira (18), para avaliar o pedido de revisão, feito da Ferrari, à punição dada a Carlos Sainz. A decisão foi manter a sanção, o que desagradou o piloto.

Na reclamação de Sainz, punido por tocar Fernando Alonso na relargada, o que rendeu uma queda do quarto lugar para fora dos pontos, faltou consistência da direção de prova. Para ele, é uma punição completamente fora de proporções aceitáveis.

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“Muito desapontado que a FIA não nos deu o direito de revisão da punição. Duas semanas depois, ainda acho que a punição foi extremamente desproporcional e acredito que ela deveria pelo menos ter sido revista com base nos argumentos e evidências que apresentamos”, disse.

“Precisamos seguir trabalhando juntos para melhorarmos algumas coisas para o futuro. A consistência das decisões e o processo de tomada delas foi assunto importante por muitas temporadas e precisamos ser mais claros pelo bem do nosso esporte”, seguiu.

“O que aconteceu na Austrália agora é passado, estou 100% focado na próxima corrida, em Baku”, finalizou.

A audiência aconteceu na manhã desta terça-feira (18) e durou pouco mais de duas horas e meia, ainda tratando dos incidentes da relargada parada final da última etapa realizada, o GP da Austrália, no último dia 2. A equipe de Maranello considerou três fatores: a telemetria, os argumentos do espanhol e dos demais pilotos, sobretudo Alonso, que foi envolvido no acidente.

De acordo com a entidade, a decisão dos comissários foi, de fato, baseada na telemetria. O piloto do carro #55 culpou a dificuldade de visibilidade pelo sol, além da falta de aderência por causa dos pneus frios. Para FIA, contudo, “não é algo justificável para impedir uma punição por causa de uma colisão”.

Carlos Sainz ficou fora dos pontos com a punição (Foto: AFP)

Entenda o caso:

FIA (Federação Internacional de Automobilismo) anunciou na última sexta-feira (14) que iria realizar uma audiência para ouvir a Ferrari sobre a punição dada a Carlos Sainz no GP da Austrália. A equipe italiana fez um pedido de revisão da sanção, alegando que recebeu um “tratamento diferente” durante a decisão dos comissários de prova, em Melbourne. O encontro virtual foi marcado para acontecer a partir das 4h (de Brasília) desta terça-feira.

caótica corrida no Albert Park teve três bandeiras vermelhas e a bandeirada sendo dada ao vencedor Max Verstappen imediatamente após o safety-car deixar a pista. Na segunda interrupção, causada por uma batida de Kevin Magnussen no muro, a direção de prova optou pela relargada parada a três voltas do fim, e o que se viu foi uma sequência de acidentes que tirou quatro carros da prova.

A Ferrari de Sainz acabou colidindo com o Aston Martin de Fernando Alonso no meio da confusão e por pouco não tirou o compatriota da corrida. Mais atrás, Pierre Gasly acertou em cheio o companheiro de equipe, Esteban Ocon, e ainda teve enrosco entre Logan Sargeant e Nyck de Vries. Todos os incidentes foram investigados, mas apenas o #55 foi punido antes mesmo do fim da prova.

Carlos tomou uma sanção de 5s, o que o fez perder o quarto lugar. Na classificação final, o piloto apareceu em 12º. A Ferrari se queixou da forma como a punição foi dada, afirmando que Sainz não foi ouvido.

Então, a entidade que gere o esporte confirmou que a equipe italiana “apresentou um pedido, com base no artigo 14 do Código Esportivo Internacional, solicitando uma revisão da decisão dos comissários”. A audiência tinha como objetivo verificar que se Ferrari identificou “um novo elemento significativo e relevante”, para que a punição fosse revista.

Chefe da Ferrari, Frédéric Vasseur já havia manifestado a insatisfação com a punição e o desejo de revisar o veredito dos comissários de prova. “A única coisa é que em relação ao incidente Gasly/Ocon e, claro, Sargeant/De Vries na curva 1, a reação dos comissários não foi a mesma. Primeiro, eles terão de olhar nossa petição para ver se poderão reabrir o caso. Então teremos uma segunda audiência um pouco mais tarde, com os mesmos comissários ou com os da próxima reunião, com a decisão em si”, disse o francês.

“Esperamos que, pelo menos, o caso seja discutido e que, pelo bem do esporte, esse tipo de decisão seja evitada quando houver três casos na mesma curva, porém não o mesmo julgamento”, frisou Vasseur, que continuou: “A maior frustração partiu de Carlos, você o ouviu pelo rádio. Ele não foi ouvido.”

“Foi um caso muito especial. E acho que teria feito mais sentido uma reunião, considerando que a corrida acabou e [o incidente] não afetou o pódio, como aconteceu com Gasly e Ocon [que foram chamados pelos comissários para esclarecimentos]”, seguiu.

“Cabe aos comissários [dizer] qual é a punição certa, mas, para mim, para a equipe, ao menos por Carlos, reabrir a discussão é o primeiro passo. O resultado dependerá da FIA. Temos nossos argumentos, mas iremos revelá-los para a FIA. Sem dúvida, esperamos que a decisão seja revista e não seja a mesma”, salientou o dirigente da Ferrari.

O próprio Alonso, que foi a parte afetada no incidente com Sainz, considerou a sanção “severa demais”. Vasseur evitou apontar para culpados, mas pontuou que há sempre duas versões em acidentes de pista, por isso entende que o trabalho dos comissários não é tão simples.

“Não é um trabalho fácil. E também é difícil tomar uma decisão com a corrida ainda em curso. Sempre pedimos por decisões durante a corrida. Esse caso foi um pouco particular, com três bandeiras vermelhas, duas largadas, com a última uma volta atrás do safety-car. É daí que vem a frustração, pois tivemos a sensação de que o incidente entre Ocon e Gasly foi tratado de forma diferente”, ressaltou.

Sainz ocupa a quinta colocação no Mundial de Pilotos da F1 2023. O espanhol é responsável por 20 dos 26 pontos conquistados pela Ferrari após três etapas.

Fórmula 1 entrou em um recesso forçado de quatro semanas, por conta do cancelamento do GP da China, e retoma a temporada 2023 entre os dias 28 e 30 de abril, com o GP do Azerbaijão, nas ruas de Baku.

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