Mercedes diz que simulador mostrou que W15 “parece um carro pela 1ª vez em 2 anos”
Toto Wolff, chefe da Mercedes, contou que o feedback dado por Anthony Davidson, piloto responsável pelo trabalho com o simulador, mostra que o W15 deve trazer um salto de performance em 2024
Disposta a mudar radicalmente o projeto que tem nas mãos para fazer frente à Red Bull na temporada 2024 da Fórmula 1, a Mercedes afirmou que o trabalho de simulação com o W15 tem oferecido impressões iniciais animadoras. O chefe, Toto Wolff, revelou que nas palavras de Anthony Davidson, piloto responsável pelo trabalho com o simulador, o modelo deste ano “parece um carro pela primeira vez” desde 2022.
Há dois anos, a F1 passou por uma mudança significativa em seu regulamento técnico, com o retorno do efeito-solo, que tem no assoalho a chave da aerodinâmica por conta do direcionamento do fluxo de ar para a parte de baixo do carro. Só que a equipe vive desde então uma verdadeira montanha russa ao apostar de início num conceito ousado, com as entradas de ar laterais do carro mais estreitas que o convencional — o famigerado ‘zeropod’.
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O conjunto aerodinâmico provou ser um equívoco ao longo das corridas. Para piorar, os alemães foram os que mais sofreram no começo com o porpoising, os quiques em alta velocidade decorrentes do fluxo de ar gerado pelo assoalho. Mesmo com a diretiva da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) para conter o fenômeno, a equipe não se acertou.
Em 2023, a Mercedes resolveu insistir em seu conceito zeropod, muito em função da vitória conquistada no GP de São Paulo do ano anterior, como confirmado pelo próprio Wolff. Contudo, cada vez mais distante da Red Bull, decidiu abandonar o design com o campeonato ainda em andamento, no GP de Mônaco.

Na segunda metade da última temporada, a Mercedes alcançou progressos pontuais que foram suficientes para bater a Ferrari na briga pelo vice-campeonato, mas a diferença para a Red Bull foi de impressionantes 451 pontos — mais da metade do conquistado por Lewis Hamilton e George Russell, 409.
Ao jornal britânico The Telegraph, Wolff definiu o desafio de buscar a arquirrival taurina como escalar o Monte Everest, a montanha mais alta do mundo. Há, todavia, sinais encorajadores. “[Davidson] estava pilotando em Melbourne [no simulador]. E ele disse: ‘O carro parece um carro pela primeira vez em dois anos…’.”
“É claro que eu adoraria que isso tivesse relação direta com a pista, mas vimos nos últimos dois anos que nem sempre é assim”, frisou, mostrando que ainda é tempo de pé no chão até que o carro acelere pela primeira vez nos testes de pré-temporada, em fevereiro.
Wolff também já confirmou que o W15, que será lançado em 14 de fevereiro, terá mudanças “em quase todos os componentes”. O dirigente reconheceu em entrevista recente que insistir no zeropod foi o seu maior erro, portanto a promessa é de que 2024 seja completamente distinto.
“Acho que interpretamos o regulamento, da forma como foram definidos há dois anos, de uma forma muito conservadora. E vimos outras equipes fazendo isso de outra maneira. Portanto, observe esta distância. Acho que vai ser muito diferente”, finalizou.
A Fórmula 1 retorna às pistas de 21 a 23 de fevereiro com os testes coletivos da pré-temporada no circuito de Sakhir, no Bahrein.
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