Pneus, velocidade e aerodinâmica: Di Grassi comenta mudanças da Fórmula E para Gen4

Lucas Di Grassi avaliou os editais divulgados pela Fórmula E e deu sua opinião sobre as mudanças estipuladas pela categoria elétrica para os carros Gen4 a partir da temporada 2026/27 — tanto o que pensa ser uma boa ideia como o que, na sua opinião, deveria ser diferente

A partir da temporada 2026/27, a Fórmula E estreará seus carros Gen4. No primeiro edital da categoria elétrica divulgado no ano passado, entre tantas mudanças programadas, as alterações na aerodinâmica dos carros chamaram atenção. A meta é criar tipos diferentes de ‘kits’ aerodinâmicos, algo parecido com o que é feito na Indy — que alterna seus pacotes em circuitos ovais e mistos —, permitindo que as equipes se adaptem de maneira específica a cada tipo de pista.

Além disso, o Gen4 terá 700 kW de capacidade de regeneração, 100 kW a mais do que os atuais. A potência máxima, por sua vez, vai subir bastante — de 350 kW para 600 kW. Os carros também vão passar a ter tração tanto na dianteira quanto na traseira. Atualmente, os Gen3 possuem apenas tração traseira.

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Tendo uma visão mais ativa do que já vai e o que também poderia mudar na FE, Lucas Di Grassi colocou alguns pontos em um texto autoral feito para a versão italiana do site Motorsport.com.

“O Gen3 já foi um grande upgrade em termos de velocidade, mas com o Gen4 esse avanço será ainda maior. No entanto, ainda há muito espaço para melhorias futuras, como aerodinâmica ativa, bateria mais leve para classificação e motores independentes para vetorização de torque e direção nas quatro rodas. Essas características não estarão presentes no carro da quarta geração, mas devem ser consideradas para o futuro”, escreveu.

Di Grassi está de volta à Abt, agora sem a parceria com a Audi (Foto: Abt Cupra)

Como o edital prevê a manutenção dos 600 kW de potência ao passar pelo traçado externo, não ficou claro como o artifício será usado a partir de 2026. Uma das indicações, porém, é de que a mudança ao passar pelo trecho seja feita na parte aerodinâmica, não no motor.

Contudo, apesar das mudanças drásticas em quase todas as frentes, a exceção fica por conta do chassi, que continuará sendo produzido pela Spark Racing Technology, fundada pelo chefe da FerrariFrédéric Vasseur, que fornece os bólidos desde a fundação da categoria.

“Quanto à aerodinâmica, acho que os dois bodykits Spark serão melhores, mas não serão suficientes. Ter peças aerodinâmicas totalmente adaptáveis ​​e controladas por software seria incrível. Por exemplo, você poderia usar uma configuração de alto downforce nas curvas e baixo arrasto em linha reta, mas é imperativo que todas as equipes tenham o mesmo acesso às mesmas peças por uma questão de competitividade”, seguiu.

As baterias, a partir de 2026/27, serão produzidas pela Podium Advanced Technologies, empresa italiana que também fornece as peças para a MotoE. Será a primeira participação da companhia em uma categoria mundial nível FIA. A WAE, antiga Williams Advanced Engineering, permanece até o fim de 2025/26.

O trem de força dianteiro, responsável apenas por regenerar energia, também vai mudar. O item passa a ser produzido pela italiana Marelli, antiga Magneti Marelli — a marca também possui participação na Fórmula 1 e fabrica peças para a Ferrari, por exemplo —, que venceu a concorrência e vai estender sua relação com a FIA ao entrar também na Fórmula E a partir da 13ª temporada.

As fabricantes da categoria alimentavam a expectativa de uma independência maior na concepção do motor dianteiro, mas a Fórmula E desistiu da ideia. Assim, todas seguem encarregadas apenas da produção do trem de força traseiro, responsável pela propulsão.

FE terá muitas mudanças nos carros Gen4 (Foto: Fórmula E)

“Outra mudança simples que eu apoiaria é o retorno das tampas das rodas, semelhante ao que tivemos no Gen2. Estes têm apenas lados positivos: reduzem o arrasto aerodinâmico e aumentam a proteção contra o contato, ao mesmo tempo que reduzem a pulverização durante corridas molhadas para maior segurança. Não entendo por que eles foram removidos para o Gen3, já que não trocamos pneus durante os pit stops, então não é um problema. Eles precisam retornar para Gen4”, pontuou Di Grassi.

Por fim, os pneus. A Hankook, que estreou em 2023 na categoria, será substituída pela japonesa Bridgestone a partir de 2026/27, no retorno da fabricante ao esporte de monopostos desde que deixou a Fórmula 1, em 2010. A companhia sul-coreana, desta forma, participará de todo o ciclo do Gen3 — incluindo o Gen3.5 —, que se encerra em 2025/26.

O piloto brasileiro também deu sua opinião sobre a Bridgestone, lembrando da experiência que teve com os pneus da marca na Fórmula 1.

“Pela primeira vez haverá dois compostos de pneus diferentes, com a introdução de borracha ‘tufão’ para chuva forte e uma opção com ranhuras para todas as estações. Na minha opinião, chegou a hora de ter pneus slick ou semi-slick capazes de otimizar as corridas em asfalto seco”, completou.

“Pilotei com pneus Bridgestone na F1 e é uma empresa com uma história incrível no automobilismo que sabe o que faz. Será um trunfo incrível para a Fórmula E e estou confiante de que entregará o que é necessário, mas é a FIA quem deve buscar a especificação correta. Precisamos de cerca de 10 ou 20% mais de aderência mecânica para lidar com o incrível torque da tração elétrica nas quatro rodas”, finalizou.

Mais dois editais da Fórmula E sobre a temporada 2026/27 são esperados para mais especificações.

O campeonato retorna entre os dias 25 27 de janeiro, na Arábia Saudita, com o eP de Diriyah. O GRANDE PRÊMIO é EMISSORA OFICIAL da Fórmula E no Brasil e transmite todas as atividades AO VIVO E COM IMAGENS.

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