FIA cita investimento “de quase R$ 5 bilhões” e diz que “jamais obrigaria” Renault a ficar na F1

O diretor de monopostos da FIA, Nikolas Tombazis, explicou que sempre foi possível a saída de fabricantes da F1, portanto não será papel da entidade forçar ninguém a ficar

A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) se pronunciou sobre a decisão da Renault de deixar a Fórmula 1 a partir da temporada 2026, quando a categoria terá uma nova geração de motores. A entidade de regula o esporte afirmou que a saída de montadoras sempre foi possível, independentemente do registro, e que “jamais constrangeria” alguém a cobrir o investimento que hoje já se aproxima de US$ 1 bilhão (R$ 5,8 bilhões, na cotação mais recente).

O anúncio da saída da Renault veio em julho. Na ocasião, o chefe da Alpine, Bruno Famin, afirmou que o projeto atual da montadora francesa é “realocar os recursos do desenvolvimento da unidade de potência da Fórmula 1 para o desenvolvimento de novas tecnologias para a marca”. Como consequência, a equipe optou por correr na classe com os motores Mercedes a partir de 2026.

A questão, no entanto, é que a Renault foi uma das seis fabricantes que concordaram com a atualização do regulamento de motores, que passará a ter a parte elétrica ampliada, numa divisão 50/50, e preparados para funcionarem com combustível 100% sustentável. Com a saída dos franceses, Audi, Ferrari, Honda, Mercedes e Red Bull Powertrains serão as fornecedoras de unidades de potência em 2026.

O diretor de monopostos da FIA, Nikolas Tombazis, todavia, explicou que nunca esteve nos planos da entidade pressionar a Renault a cumprir o compromisso assinado anteriormente. “Quando definimos o processo de registro, falamos que ele se destinava a cobrir os custos da FIA com a fiscalização dos fabricantes de unidade de potência na criação desses regulamentos.”

A Alpine terá motores Mercedes em 2026 (Foto: Rodrigo Berton/Warm Up)

“Mas eles não se destinam a torcer o braço de alguém para que continue no esporte. São US$ 120, US$ 130, US$ 140 milhões e, ao longo de cinco anos, já chega perto de US$ 1 bilhão, e acho que a FIA jamais constrangeria um fabricante de equipamentos originais a ter um investimento de US$ 1 bilhão porque se registrou e pagou uma pequena taxa por isso”, seguiu.

“Sempre foi possível alguém se retirar, e queremos que as pessoas fiquem porque desejam, não porque são forçadas”, encerrou Tombazis.

Fórmula 1 volta às pistas para o GP de Las Vegas, nos Estados Unidos, entre os dias 21 e 24 de novembro. Depois, realiza corridas no Catar, última sprint do ano, e Abu Dhabi.

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