Renault descarta venda de propriedade de motor da F1 2026 para rivais: “Não faz sentido”
Vice-presidente de esportes da Alpine, Bruno Famin falou de "planos futuros" e voltou a citar "custos demasiadamente elevados" para justificar a decisão da Renault de deixar de produzir motores na Fórmula 1 a partir de 2026
Ex-chefe de equipe e atual responsável por todas as atividades de automobilismo do grupo Renault, Bruno Famin descartou a possibilidade de a montadora francesa vender a propriedade intelectual dos motores da Fórmula 1. O dirigente também voltou a explicar os motivos que levaram à decisão de deixar de produzir unidades de potência para a Alpine a partir de 2026, apontando para o alto custo de desenvolvimento como principal culpado.
No fim de outubro, o experiente jornalista Joe Saward trouxe a informação de que a Cadillac estaria se aproximando da Renault na tentativa de comprar o know-how dos motores que os franceses produziam visando a temporada 2026 — ano em que o novo regulamento entra em vigor na categoria. Parceira da Andretti na tentativa de ingressar no grid, a marca de luxo da GM gostaria de aproveitar a oportunidade para adquirir informações e desenvolver uma unidade de potência para 2028.
Famin, no entanto, respondeu aos rumores e disse que não está nos planos da fábrica de Viry-Châtillon negociar todo o conhecimento que possui na área de motores. Até porque, de acordo com ele, o time francês ainda trabalha em “planos futuros”, mesmo após a decisão de selar um acordo de fornecimento de unidade de potência com a Mercedes para daqui a pouco mais de um ano.
“Não venderemos a nossa propriedade intelectual porque o know-how de Viry é um dos nossos capitais. Queremos manter o conhecimento para nossos projetos futuros, não nos separaremos dele”, disse o engenheiro durante uma entrevista à revista Auto Hebdo. “Além disso, não ajudaremos os nossos potenciais rivais a nos vencer. Não faria nenhum sentido”, continuou.

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“Portanto, está totalmente fora de questão a possibilidade de a Alpine entregar a propriedade intelectual das unidades de potência da F1 a terceiros”, bradou Famin, que foi substituído por Oliver Oakes no cargo de chefe da equipe no fim de julho, por decisão de Flavio Briatore.
O vice-presidente de esportes da Alpine ainda deu detalhes sobre o alto custo de produzir os próprios motores na classe rainha e justificou a decisão de passar a ser cliente da escuderia liderada por Toto Wolff, deixando claro que a decisão fará “uma enorme diferença” aos cofres da Renault.
“Até 2025, o teto de gastos com a produção do motor será de US$ 95 milhões (R$ 551 milhões na cotação do dia), enquanto que a partir de 2026 será de US$ 135 milhões (R$ 783 milhões). Este é um valor demasiadamente elevado porque teríamos de desenvolver a toda velocidade em um ciclo de quatro ou cinco anos, investindo milhões de dólares”, apontou.
“Gastar metade do que nossos concorrentes, mas pensando que somos duas vezes mais inteligentes, não funciona mais. Por outro lado, as regras limitam o custo dos motores concedidos a US$ 17 milhões (R$ 98,6 milhões) por ano. É uma diferença enorme”, encerrou Famin.
A Fórmula 1 agora volta às pistas para o GP de Las Vegas, nos Estados Unidos, entre os dias 21 e 24 de novembro. Depois, realiza corridas no Catar, última sprint do ano, e Abu Dhabi.
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