Fórmula E estende período de inscrição para Gen4 e aguarda Mahindra e DS Penske
A Fórmula E decidiu dar um período maior para as montadoras decidirem sobre a permanência na categoria para a quarta geração de carros, na temporada 2026/27. Porsche, Jaguar, Nissan e Lola estão dentro, mas Mahindra e DS ainda aparam arestas
Com cinco montadoras já confirmadas na quarta geração de carros da história da Fórmula E, prevista para começar na temporada 2026/27, a categoria decidiu estender o período de inscrição até meados de janeiro de 2025. A intenção é dar mais tempo a outras marcas, como Mahindra e DS Penske — que fazem parte do grid atual, mas ainda não anunciaram os planos para o futuro. Porsche, Jaguar, Nissan, Lola e Maserati, que fez o anúncio nesta terça-feira (26), já estão asseguradas até 2030.
Em ambos os casos, a questão gira em torno do dinheiro. Tanto Mahindra quanto DS Penske ainda estão céticas em relação ao retorno que a Gen4 pode gerar, o que levou a um período maior de análise. O time indiano, inclusive, admite que o projeto já está pronto para ser tocado, pendente apenas de confirmação.
“A FIA concordou em estender o período de inscrições, o que para nós se acertou com o prazo que temos”, disse Frédéric Bertrand, CEO e chefe de equipe da Mahindra, ao portal inglês The Race. “Ainda estamos no jogo, e o melhor é que o time está pronto agora”, destacou.
“Podemos apertar um botão, e o time estará pronto para entregar, porque temos as pessoas nos lugares certos, os acordos e tudo pronto para ser acionado”, garantiu.

A questão comercial, entretanto, ainda gera dúvidas. A Mahindra passa por um momento muito difícil na Fórmula E, com uma sequência de três temporadas ruins. Além disso, há o fato de que a Gen4 promete trazer custos adicionais, o que também cria pontos de interrogação em relação ao retorno financeiro.
“A única coisa que precisamos garantir é que tenhamos o conjunto certo por trás em termos de garantir que todos na equipe estejam alinhados e que entendam como é financiar isso. É mais caro do que já foi. Queremos garantir que estamos fazendo do jeito certo. É aí que estamos, tentando fazer funcionar. É o objetivo”, assegurou.
A Mahindra chegou a trabalhar com a Mercedes HPP, divisão de produção de motores da marca alemã, em torno da tecnologia da próxima geração. No entanto, o acordo está em ‘pausa’ no momento, pelo menos até o time indiano tomar uma decisão sobre o que fará no futuro.
Outra possibilidade é se tornar uma equipe cliente, algo parecido com o que a Kiro fez após o fim da última temporada. A questão é que virar uma cliente seria aceitar os prejuízos de anos de investimento, já que produzir o próprio trem de força tem sido historicamente vantajoso na categoria — tanto em termos de competitividade quanto financeiros.

“Sobre essa opção, temos mais tempo para estruturar tudo propriamente. No caso de não termos sucesso, teríamos de fazer isso. Mas acho que no momento, se considerarmos uma prioridade de cada vez, porque é assim que trabalhamos, a primeira é estarmos prontos para São Paulo. Seria uma grande ajuda se pudéssemos mostrar que o primeiro passo que queríamos entregar já está chegando e que o carro é melhor”, disse.
“Os testes foram bons, mas não é suficiente. Queremos mostrar mais. A segunda parte do processo é usar esse período para finalizar o que pode ser feito sobre a participação na Gen4 como montadora. Se não, temos tempo para reagir cedo em 2025 e finalizar a participação no campeonato de outra forma, como cliente. Mas o foco agora é em São Paulo, a primeira corrida da temporada”, finalizou o CEO da Mahindra.
A DS, também por questões relacionadas ao retorno financeiro, ainda não confirmou a permanência além da era Gen3, em que fornece os motores de DS Penske e Maserati. O anúncio da equipe italiana, inclusive, surgiu como surpresa, já que o time vive uma situação financeira difícil. Há a chance, ainda, de DS e Penske se separarem, caso uma queira seguir e a outra não. Caso isso aconteça, a tendência é de que os americanos busquem outra parceria.

Embora não haja punição para os times que perderam o prazo de inscrição, há uma certa desvantagem, já que as quatro marcas confirmadas terão acesso aos dados dos fornecedores das peças padronizadas de maneira antecipada, conseguindo começar o planejamento dos respectivos trens de força mais cedo.
Após o fim do período de testes, a Fórmula E começa a se preparar oficialmente para a estreia da temporada, programada para o dia 7 de dezembro, em São Paulo. O GRANDE PRÊMIO fará a cobertura completa do evento, com presença IN LOCO, e do campeonato na íntegra.
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