Retrospectiva 2024: Bearman brilha como substituto e abre portas para jovens na F1 2025
A Fórmula 1 vai passar pela maior renovação do grid dos últimos anos, contando com nada menos que seis novatos que viram a porta da categoria se abrir principalmente após a grande exibição de Oliver Bearman na Arábia Saudita
Com nada menos que seis novatos confirmados para fazerem a primeira temporada completa na categoria, o grid da Fórmula 1 vai passar por uma reformulação considerável na temporada 2025. E a renovação chama a atenção por ter acontecido em um momento em que as equipes se mostravam um tanto receosas em contratar pilotos jovens e sem experiência com um carro de F1.
No entanto, existem diferentes elementos que ajudam a explicar a falta de renovação do grid da F1. O primeiro deles é que tanto a Fórmula 2 quanto a Fórmula 3 passaram por um período de entressafra de pilotos desde que nomes respeitados como Charles Leclerc, George Russell, Lando Norris e Alexander Albon estrearam na mesma época na Fórmula 1. Depois disso, raros foram os pilotos que encheram os olhos das equipes — Oscar Piastri foi um dos poucos exemplos disso, ainda que Guanyu Zhou e Logan Sargeant tenham debutado no mesmo período.
Assim, sem nenhum talento iminente, e querendo apostar na segurança dos nomes mais experientes, as equipes da F1 mostraram uma certa resistência em renovar o grid — ainda que fosse um tanto necessário. Porém, a história começou a mudar quando Oliver Bearman teve de substituir Carlos Sainz na Ferrari durante o GP da Arábia Saudita.
Apesar da pouca idade, Bearman é visto como um grande talento da Academia da Ferrari. Ainda que estivesse defendendo a Prema na Fórmula 2, o futuro do britânico junto da Haas já era praticamente certo, principalmente considerando que Ayao Komatsu, chefe do time americano, disse que para garantir sua promoção para a F1, os treinos livres junto da equipe seriam mais importantes que a própria campanha na F2.

De fato, se dependesse da campanha da F2 para ganhar uma promoção, as coisas provavelmente seriam muito diferentes para Bearman. Afinal, ainda que a Prema tenha apresentado alguns problemas com o novo regulamento, o britânico fechou o ano fora do top-10 com três vitórias e apenas 75 pontos.
Mas Oliver conseguiu mostrar seu valor quando teve a chance em um carro de Fórmula 1. E isso, consequentemente, também abriu as portas para outros nomes talentosos terem uma oportunidade no grid. Na Arábia Saudita, depois de fazer apenas o TL3 com a Ferrari, Bearman conseguiu se classificar em 11º e terminou a corrida em sétimo. A confirmação da titularidade na Haas em 2025 acabou vindo alguns meses depois. Mais tarde, Ollie precisou substituir Kevin Magnussen no GP do Azerbaijão e, em mais uma grande atuação, terminou à frente de Nico Hülkenberg, levando a equipe americana ao top-10.
O feito de Bearman, e porque também não citar o de Liam Lawson quando assumiu o carro de Daniel Ricciardo ainda na temporada 2023, ligou um alerta dentro das equipes do grid, que perceberam que pilotos mais jovens já estavam pedindo passagem para assumir o posto de titular na F1. A Mercedes, que já estava inclinada a assinar com o prodígio Andrea Kimi Antonelli que venceu todos os campeonatos até chegar na F2, também acabou anunciando o italiano como titular para o ano que vem.
Porém, as surpresas com os jovens não pararam por aí. Com a falta de resultados e os inúmeros incidentes de Sargeant, a Williams se viu obrigada a dispensar o americano e deu uma chance para Franco Colapinto, piloto de sua academia. Até então, o argentino passava meio batido nas categorias de base — muito em virtude de nunca ter tido um carro competitivo em mãos. Ainda assim, vinha fazendo uma ótima temporada de estreia na Fórmula 2.

E Colapinto rapidamente correspondeu. No GP da Itália, ainda que tenha cometido um erro na classificação, Franco respondeu na corrida, terminando em 13º, coladinho em Albon e mostrando que tinha velocidade. O primeiro top-10 veio logo na sequência, no GP do Azerbaijão, em que foi oitavo. Em Singapura, voltou a passar perto dos pontos com um 11º lugar e logo na sequência foi décimo nos Estados Unidos.
A sequência do argentino foi tão boa que, a partir do GP de São Paulo, seu nome voltou a aquecer o mercado de pilotos. Com desempenhos tão interessantes, o Grupo Red Bull passou a analisar a possibilidade de contar com Colapinto em 2025 — existindo até a possibilidade de ser o substituto de Sergio Pérez.
Enquanto as negociações com Colapinto começaram a partir do GP de São Paulo, outro nome jovem voltou a pipocar no paddock durante a etapa em Interlagos. Após o início das negociações em setembro, o GRANDE PRÊMIO adiantou que Gabriel Bortoleto tinha se desvinculado da McLaren e estava encaminhado para fechar com a Sauber. A oficialização veio alguns dias depois, com o brasileiro fechando um acordo plurianual com o time baseado em Hinwil.
Apesar do grande destaque na base, em que venceu a Fórmula 2 e a Fórmula 3 logo no ano de estreia, Gabriel teve pouco contato com um carro de F1 antes de fechar com a Sauber. A única experiência do brasileiro foi em um teste com o carro da McLaren de 2022 realizado na Áustria. Na ocasião, no entanto, o time papaia ficou impressionado com a performance de Bortoleto. Alguns meses mais tarde, no teste de pós-temporada, Gabriel debutou com a Sauber e teve um resultado igualmente satisfatório.

No embalo do brasileiro, e em meio aos resultados ruins de Pérez, a Red Bull também se viu obrigada a fazer uma mudança em sua formação para contar com pilotos mais jovens. Lawson, que voltou a desempenhar bem em 2024, foi confirmado como novo companheiro de equipe de Max Verstappen no ano que vem. Com isso, uma vaga se abriu na Racing Bulls e Isack Hadjar foi o escolhido para formar dupla com Yuki Tsunoda.
Apesar de não ter conquistado título nas principais categorias de base, Hadjar é um piloto veloz e sempre foi protagonista dos grids que frequentou. Em 2022, em seu ano de estreia na Fórmula 3, esteve na briga pelo título até a última rodada em Monza, isso depois de ter feito corridas brilhantes na FRECA. Já na F2, apesar da campanha complicada em 2023, fez um ótimo trabalho em 2024 vencendo quatro corridas principais e levando a briga pelo título até o fim com uma mediana equipe Campos.
Por fim, o último novato confirmado no grid da Fórmula 1 no ano que vem é Jack Doohan. O australiano, que vai para a Alpine no lugar de Esteban Ocon, possivelmente é o menos badalado dessa nova safra de pilotos. Vice da F3 em 2021, Jack teve duas temporadas completas na F2 e, ainda que tenha vencido corridas, nunca foi protagonista de fato. Sua estreia na F1 aconteceu no GP de Abu Dhabi, última etapa de 2024. Mesmo que tenha ficado muito atrás do ótimo companheiro Pierre Gasly, Doohan teve uma exibição aceitável ao conseguir acumular quilometragem e experiência com a Alpine.
De qualquer modo, o futuro da Fórmula 1 parece estar em boas mãos com uma nova safra de pilotos um tanto promissora e que se assemelha muito ao que aconteceu entre 2018 e 2019, quando Leclerc, Russell, Norris e Albon debutaram na categoria.
A Fórmula 1 está oficialmente de férias e dá adeus a 2024. A próxima atividade é a sessão de testes coletivos de pré-temporada, marcada para os dias 26, 27 e 28 de fevereiro, no Bahrein. A temporada 2025 começa com o GP da Austrália, entre os dias 14 e 16 de março.
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