Acosta revela decisão de copiar Marc Márquez e assume que “arruinou” corrida das KTM
Pedro Acosta reconheceu que a decisão de acompanhar Marc Márquez e abandonar o grid da MotoGP às vésperas da largada do GP das Américas prejudicou a corrida de Brad Binder e Enea Bastianini, que assim como Ai Ogura tinham optado por pneus slicks desde o início
Pedro Acosta assumiu que “arruinou” a corrida de Brad Binder e Enea Bastianini no GP das Américas de domingo (30). O espanhol assumiu que tomou a decisão de seguir os passos de Marc Márquez e, assim, acabou por interferir na corrida dos colegas de KTM.
Pouco antes da largada, a chuva que já tinha condicionado a corrida da Moto2 voltou a cair no Circuito das Américas, levando a direção de prova a declarar uma corrida em pista molhada. A maioria dos pilotos optou por pneus de chuva, com exceção de Binder, Bastianini e Ai Ogura, que apostaram nos slicks.
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Três minutos antes da largada, porém, Marc Márquez, que não tinha subido na moto, saiu correndo em direção ao pit-lane, sendo imediatamente seguido por Francesco Bagnaia, Fabio Di Giannantonio e mais um grupo de pilotos, incluindo Acosta.
A bandeira vermelha, porém, só foi acionada graças a Maverick Viñales, que ficou a pé no grid pedindo a devolução da RC16, que tinha sido removida. Com todos os pilotos de volta ao pit-lane, os pilotos trocaram para as motos acertadas com slicks e voltaram às posições originais no grid, sem nenhuma sanção.

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Ponto de partida do caos, Márquez assumiu que planejou abandonar o grid da última hora, imaginando que seria seguido por mais de dez pilotos e, assim, a largada seria abortada, o que o permitiria escapar de punição.
“Realmente conheço as regras, como fazer e como estar no limite o tempo todo”, disse Márquez. “Perguntei a [Marco] Rigamonti sete minutos antes da largada se a moto estava pronta. Ele me disse que sim, e aí eu disse a ele que talvez deixasse o grid”, relatou.
“Por quê? Pois eu previ que, quando saísse… Vi que os pneus de chuva não eram a estratégia correta”, assumiu. “E aí previ que mais de dez pilotos me seguiriam, e aí parariam a corrida. Foi isso que aconteceu”, acrescentou.
A previsão de Marc, contudo, não foi 100% certeira, já que só um total de dez pilotos abandonaram o grid naquele momento. Luca Marini, Fabio Quartararo e todos os demais que se classificaram abaixo do 13º posto permaneceram no grid. O fiel da balança, porém, foi Viñales.
O Artigo 1.18 do regulamento da FIM (Federação Internacional de Motociclismo) explica o cenário visto em Austin.
“Todos os ajustes devem ser completados até a placa de três minutos. Depois da exibição dessa placa, os pilotos que ainda desejam fazer ajustes devem empurrar a moto para o pit-lane. Tais pilotos e as máquinas deles devem estar fora do grid e no pit-lane antes da exibição da placa de um minuto, onde podem continuar a fazer ajustes, ou trocar a máquina apenas na MotoGP”, diz o texto. “Tais pilotos vão começar a volta de aquecimento do pit-lane e iniciar a corrida no fundo do grid, desde que, apenas na MotoGP, não sejam feitas trocas de pneu relacionadas ao clima”, segue.
“Os pilotos da MotoGP que fizerem qualquer mudança de pneu relacionada ao clima (de chuva para slick ou vice-versa, dianteira, traseira ou ambos) neste momento, em comparação com os pneus com os quais deixaram o grid (se a mesma máquina for usada para iniciar a corrida) ou com os pneus usados na última saída para a volta de alinhamento (quando uma máquina diferente é usada para começar a corrida), começarão a volta de aquecimento no pit-lane, assumirão a posição de classificação no grid e terão de cumprir um ride-through quando instruídos pela direção de prova (normalmente entre as três primeiras voltas da corrida)”, detalha.
Outro ponto do regulamento, porém, determina que, se mais de dez pilotos “forem começar a corrida da saída do pit-lane, a largada será atrasada e um novo procedimento vai ocorrer (procedimento rápido)”. Assim, a bandeira vermelha foi reflexo da ação de Viñales e não do volume de retirantes.
Ainda que não tenha sido ele o responsável pela interrupção do procedimento de largada, Acosta entende que afetou a estratégia dos colegas de KTM.
“Márquez é a referência, então comuniquei à minha equipe que faria o mesmo que ele”, contou Acosta. “Sei que, desta forma, arruinei a corrida dos pilotos que estavam com slicks, como Bastianini e Binder, mas, no fim, a direção de prova validou”, seguiu.
“No entanto, acredito que fazer o contrário com os slicks seria perigoso, pois tinha muita água na pista e eu, pessoalmente, experimentei muita aquaplanagem. Como disse, não gostei da situação. No entanto, foi assim que foi”, comentou.
Pedro contou que ficou de olho em Marc e antecipou a saída do grid quando viu o seis vezes campeão da MotoGP desmontar da Ducati poucos minutos antes da largada.
“Um pouco antes da largada, eu o vi sair da moto. Sabia que ele faria alguma coisa, pois é um comportamento anormal para um piloto com 12 anos de experiência na MotoGP”, avaliou. “Naquele momento, disse para os meus rapazes que voltaríamos ao pit-lane”, encerrou.
A MotoGP volta a acelerar entre 11 e 13 de abril, com GP do Catar, em Lusail, quarta etapa da temporada 2025. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do evento, assim como das outras classes do Mundial de Motovelocidade durante todo o ano.
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