Por que Aston Martin planeja manter nome de equipe na F1 apesar de ações à venda
Elo entre marca e equipe, Lawrence Stroll indicou que Aston Martin deve continuar como nome do time na F1, mesmo após venda de ações
Icônica marca do setor automotivo, a Aston Martin anunciou nesta segunda-feira (31) que pretende vender suas ações da equipe de Fórmula 1. A revelação foi feita por Lawrence Stroll, que é o dono das duas empresas — a montadora e o time na categoria mais popular do planeta —, e que o nome da marca britânica deve continuar na esquadra de Silverstone.
Nesse momento, em que os planos foram anunciados, as partes não deixam dúvidas de que o nome Aston Martin — e o projeto — continua na F1 nos próximos anos. O que é importante explicar é que a montadora nunca teve papel executivo dentro da equipe de Fórmula 1. Stroll, o pai, foi quem sempre teve as rédeas deste negócio.
Aliás, o empresário canadense e seu consórcio — Yew Tree Consortium — são os verdadeiros elos entre a fábrica britânica e o time de Fórmula 1, que são duas empresas distintas. Em agosto de 2018, Stroll liderou os investimentos na aquisição da Force India e rebatizou a equipe de Racing Point. O time só virou Aston Martin em 2021, um ano após o conglomerado ter adquirido ações da montadora.
Portanto, a movimentação dessa segunda-feira (31) tem um peso bastante distinto se fosse a Daimler vendendo as ações da Mercedes ou a Renault as da Alpine. Nesses casos, fábricas sempre tiveram vínculo executivo com as equipes. Por mais existam outros sócios nesses dois casos, as montadoras têm influência sobre o controle, design do carro, motor, entre outros assuntos que regem o negócio.

No caso da Aston Martin, entre fábrica e equipe, a influência se deu do ponto de vista de marketing e comercial, com a lendária marca reconhecida pela cor verde estampando os carros de Lawrence Stroll, — muito atrativo para patrocinadores. Pelo fato de ter o mesmo grupo controlador, apesar de ‘CNPJs diferentes’, o nome deve seguir o mesmo na categoria visando esse aspecto.
Até aqui, a estrutura de Silverstone está pautada em um projeto de médio ou longo prazo. O investimento em infraestrutura e em pessoal — como na contratação de Adrian Newey para chefia o departamento técnico, por exemplo — tem sido alto e não existem sinais de que o barco vai ser abandonado à deriva ou que a movimentação é passar a equipe para outras mãos.
“Estou satisfeito em demonstrar claramente apoio e comprometimento inabaláveis com a Aston Martin. Desde 2020, parceiros do Yew Tree Consortium e eu investimos cerca de £ 600 milhões (R$ 4,4 bilhões) na empresa”, disse Stroll durante o anúncio da venda das ações que a marca possui da equipe.
O que pode mudar um pouco a rota depende dos futuros compradores dessa parte minoritária — se forem sócios atuais, estes vão aumentar a participação dentro do grupo. A Aramco, uma das principais patrocinadora do time, tem o direito de adquirir 10% da estrutura por questão contratual. A petrolífera saudita pode aproveitar e comprar o que lhe cabe em contrato, além de adquirir a porção da Aston Martin — percentual minoritário não foi revelado, mas que está estimado em £ 74 milhões (R$ 552 milhões, na cotação mais recente).

Quem pode surgir como interessado na compra é a empresa de investimentos Arctos Partners, dos Estados Unidos, que comprou ações minoritárias da equipe em 2023. Pode ver a oportunidade para aumentar sua participação no time.
“Com um contrato de patrocínio de longo prazo que consolida o relacionamento existente entre a Aston Martin e a Aston Martin F1 Team, nossa marca continuará presente e competindo na elite do automobilismo por muitos anos”, encerrou Stroll.
A Fórmula 1 volta de 4 a 6 de abril em Suzuka, palco do GP do Japão, terceira etapa da temporada 2025.
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