Por que Marc Márquez e outros fujões escaparam de punição por deixar grid nos EUA
MotoGP divulgou vídeo em que detalha o planejamento de Marc Márquez para sair do grid quando faltavam apenas 3 minutos para a largada em Austin. O diretor de prova, porém, deixa claro que a Ducati interpretou o regulamento de forma errada
A tática de abandonar o grid de Austin quando faltavam apenas 3 minutos para a largada podia ter custado caro para Marc Márquez e os demais fujões. Não fosse a ação da direção de prova, que acionou a bandeira vermelha, o espanhol estaria sujeito a pagar um ride-through no GP das Américas de domingo (30).
Pouco antes da largada, a chuva que já tinha condicionado a corrida da Moto2 voltou a cair no Circuito das Américas, levando a direção de prova a declarar uma corrida em pista molhada. A maioria dos pilotos optou por pneus de chuva, com exceção de Brad Binder, Enea Bastianini e Ai Ogura, que apostaram nos slicks.
Três minutos antes da largada, porém, Marc Márquez saiu correndo em direção ao pit-lane, sendo imediatamente seguido por Francesco Bagnaia, Fabio Di Giannantonio e mais um grupo de pilotos.
A bandeira vermelha, porém, só foi acionada graças também a Maverick Viñales, que ficou a pé no grid pedindo a devolução da RC16, que tinha sido removida. Com todos os pilotos de volta ao pit-lane, os pilotos trocaram para as motos acertadas com slicks e voltaram às posições originais no grid, sem nenhuma sanção.

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Nesta segunda-feira (31), a MotoGP divulgou um vídeo detalhado, mostrando o planejamento da fuga de Marc Márquez em conversa com o engenheiro-chefe Marco Rigamonti.
Marc: A moto precisa estar com acerto de chuva. Se não está chovendo completamente, não tem problema.
Rigamonti: Ok, ok.
Marc: E a outra precisa estar com pneus slicks.
Rigamonti: Então a moto com acerto de chuva e a segunda moto para seco. Então mude a outra para seco.
Mecânico: Devo ir para lá?
Rigamonti: Sim. Traga os pneus.
Um pouco depois, Marc quis saber das escolhas de Francesco Bagnaia e Álex Márquez.
Marc: Pecco está com a moto de chuva?
Rigamonti: Sim.
Marc: Álex?
Rigamonti: Não sei.
Marc: Riga, precisamos de todos trabalhando na segunda moto lá. Se eu for para lá e sair do pit-lane, largo em último, certo? No grid, sem punição da volta longa?
Rigamonti: Sim, você larga em último.
Marc: Mas sem…
Rigamonti: Sim… Eu não sei como isso funciona.
O engenheiro-chefe, então, aciona Davide Tardozzi, chefe da Ducati.
Rigamonti: Davide, se ele agora quiser começar dos boxes, com a moto de pista seca…
Tardozzi: Ele recebe um ride-through.
Rigamonti: Não, sem entrar com essa. Começando de lá, só deixando essa daqui.
Marc: Sim, começo em último e é isso.
Rigamonti: Se ele começar de lá…
Marc: Será como se não tivéssemos feito o procedimento normal de largada.
Rigamonti: Ele larga em último. Ou, se ele fizer a volta de aquecimento com essa moto e aí entrar no pit, ele vai largar do pit-lane.
Tardozzi concordou e deixou a conversa. Marc, então, pediu a Rigamonti que fosse checar a segunda moto. Minutos mais tarde, durante a execução do hino dos Estados Unidos, Márquez detalhou o plano.
Marc: Quando faltarem 3 minutos, se as coisas estiverem assim, vamos. Quando faltarem 3 minutos e os mecânicos voltarem aos boxes, eu vou. Me avisa se a moto está pronta.
Rigamonti: Ok.
O #93, então, cochicha com o engenheiro, deixando evidente a estratégia de surpreender a todos.
Marc: Não diga nada a ninguém.
O espanhol sobe na moto, prende o capacete e é informado por Rigamonti que a moto reserva está pronta.
Marc: Vamos seguir o plano.
Rigamonti: Flag to Flag?
Marc: Não. Quando vier o aviso de 3 minutos, eu vou.
Rigamonti: Ok.
Marc desce da moto e fica de pé ao lado do engenheiro até ver a sinalização de 3 minutos para a largada. O espanhol, então se põe a correr, sendo seguido por outros nove pilotos. Isso, por si só, não causaria a paralisação da corrida, mas Viñales terminou a pé na reta, o que fez com que o procedimento fosse abortado.
Assim, um novo procedimento foi iniciado, o que permitiu que todos os pilotos trocassem as motos e recuperassem as posições no grid livres de punição.
Mas, de acordo com Mike Webb, o diretor de prova da MotoGP, se não fosse a bandeira vermelha, Marc teria uma sanção maior do que largar no fundo do grid.
“Nós tivemos uma situação similar no GP da Argentina de 2018 e nós reescrevemos as regras para garantir que quem mudasse o tipo de pneu na moto, e mudasse dentro das condições deixando o grid, recebesse uma punição”, recordou Webb. “Então, não fosse pelo caos que me fez parar o procedimento de largada, se tivéssemos podido continuar, os pilotos que pegaram a moto reserva no pit-lane, com pneus diferentes, teriam de pagar um ride-through na corrida”, seguiu.
“Parece que a equipe do Márquez não estava esperando um ride-through, estavam apenas esperando uma largada do pit-lane ou do fundo do grid, mas s regras dizem que, quando você troca os pneus desta forma, você fica com a posição original no grid depois do warm-up e cumpre um ride-through na corrida. Eles arriscaram um ride-through”, frisou. “Da forma como aconteceu, com tantas motos e tamanha confusão, pessoas dentro e fora do grid, eu determinei uma nova largada e eles deram muita sorte”, encerrou.
A MotoGP volta a acelerar entre 11 e 13 de abril, com GP do Catar, em Lusail, quarta etapa da temporada 2025. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do evento, assim como das outras classes do Mundial de Motovelocidade durante todo o ano.
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