Undercut e stint dividido: como Alpine e BMW surpreenderam com pódio nas 6H de Ímola

O pódio das 6 Horas de Ímola contou com duas grandes surpresas: o BMW #20 e a Alpine #36. Depois da prova, René Rast e Jules Gounon explicaram o jogo tático que permitiu às equipes subirem ao top-3 na reta final do duelo na Itália

As 6 Horas de Ímola, realizadas no último domingo (20), comprovaram o favoritismo da Ferrari #51, mas ainda deixaram espaço para duas surpresas no pódio. Enquanto se esperava um protagonismo do BMW #15, foi o carro irmão, o #20, de René Rast, Robin Frijns e Sheldon van der Linde, que terminou em segundo, seguido de perto pela Alpine #36, de Frédéric Makowiecki, Jules Gounon e Mick Schumacher, que completou o top-3.

Após a prova, tanto Rast quanto Gounon explicaram o jogo estratégico que permitiu às esquadras escalar o pelotão na hora final e conquistar o primeiro top-3 no Mundial de Endurance [WEC] desde as 6 Horas de Fuji de 2024. 

Rast pontuou que o penúltimo stint foi crucial para a BMW chegar à segunda posição, já que foi possível desenhar um undercut em boa parte do grid e ainda ter energia o suficiente para ir até o fim depois de parar mais cedo que a maioria na parte final.

“Acho que era um objetivo, e foi a chave para o sucesso de hoje, porque fizemos um penúltimo stint muito bom, onde Sheldon estava forçando ao máximo e conseguiu fazer o undercut em todo mundo. Isso foi basicamente a chave para o sucesso hoje”, explicou o titular da BMW. 

Alpine #36 surpreendeu na parte final das 6H de Ímola e subiu no pódio (Foto: DPPI)

Já Gounon destacou a alta dificuldade de ultrapassar no apertado circuito de Ímola e usou isso como justificativa para ter dividido o último stint. Ao invés de fazer um rápido abastecimento nos instantes finais, a Alpine #36 parou antes da maior parte e guardou bastante energia para o final. 

“O que a equipe fez foi perceber que, neste circuito, a posição em pista é tudo. Se ficar preso atrás de um carro que é 1s mais lento, simplesmente não dá pra ultrapassar. Então decidimos dividir o último stint em dois curtos, porque de qualquer forma não conseguiríamos fazer tudo em um stint só. Mas em vez de abastecer o tanque cheio e depois fazer um splash rápido no final, optamos por fazer 18 e 24 voltas, o que nos deixou com um carro bem leve”, detalhou. 

“Nesses dois stints, isso nos ajudou a ter um ritmo incrível, porque estávamos mais leves que os outros. E foi assim que conseguimos nos recuperar”, continuou. 

Outro episódio que contribuiu para a escalada da Alpine foi a batida de Sébastien Buemi e Antonio Fuoco com 38min restantes. O Toyota #8 e a Ferrari #50 estavam operando em uma janela alternativa e disputavam a liderança da prova, mas acabaram se chocando e escapando na Tamburello

Com os dois perdendo tempo e a Ferrari tendo de voltar aos boxes por conta de um furo no pneu, a Alpine se aproveitou e conseguiu superar as rivais na luta pelo pódio. 

“Obviamente, a disputa entre o Toyota e a Ferrari nos ajudou muito, porque estávamos lutando com eles virtualmente e, como estavam brigando bastante e depois houve o contato, foi por isso que conseguimos passá-los”, seguiu. 

Gounon também detalhou como foi o processo de decisão pelos pneus macios na parte final da prova, quando a chuva ameaçou cair e a temperatura do circuito caiu.

“Basicamente, fomos os primeiros a colocar os pneus macios no meu stint. Eu estava com os macios enquanto todos os outros estavam com médios. Optamos por isso faltando algumas horas para o fim, o que naquele momento foi uma decisão difícil, porque a temperatura da pista estava bastante alta”, explicou.

“O segundo stint foi bem difícil com os macios naquele momento do dia. Mas acho que depois o tempo fechou e a temperatura da pista começou a cair. Durante o meu stint estava 28 °C e caiu para 22 °C no final, e os pneus macios, com pouco combustível, foram uma escolha incrível da equipe. Foi isso que nos colocou no pódio”, finalizou.

As 6 Horas de Ímola ficaram marcadas por duas surpresas no pódio (Foto: DPPI)

Por outro lado, Rast e a BMW #20 não apostaram nos macios na reta final, mas chegaram a considerar. A entrada do safety-car, no entanto, fez o time mudar de ideia e ir com pneus médios.

“Estávamos pensando nisso (pneus macios), porque as nuvens estavam chegando e estava ficando cada vez mais frio. Pensei: ‘Ok, talvez o pneu macio seja o ideal’. Estávamos com os macios prontos e aí entrou o safety-car virtual”, relembrou.

“E então decidimos ir com os médios, porque depois do safety-car virtual, vem o safety-car real. Então teríamos tempo para aquecer os pneus. Por isso, no fim, colocamos os médios novamente”, concluiu o piloto da BMW.

Os carros do WEC voltam a acelerar entre os dias 8 e 10 de maio para as 6 Horas de Spa-Francorchamps, terceira etapa da temporada. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades da temporada 2025 do Mundial de Endurance e transmite todas as etapas AO VIVO e COM IMAGENS no canal do YouTube e na GPTV.

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