Fórmula E vive de tudo em caos de Mônaco, mas vê ameaça de campeonato pulverizado
A Fórmula E decidiu fazer uma rodada dupla em Mônaco nessa temporada, mas certamente não esperava o nível de caos que se apresentaria. Em meio a centenas de ultrapassagens, chuva e muita confusão, Oliver Rowland começa a gerar certo medo de que o campeonato acabe cedo demais
Aconteceu de tudo um pouco na primeira rodada dupla da história da Fórmula E em Mônaco. Mais uma prova com Pit Boost, vitória do líder do campeonato, caos completo com direito a chuva, batidas, reclamações e punições. A lista, certamente, ainda poderia ser maior, já que o fim de semana brindou os fãs com duas disputas muito diferentes em execução e igualmente emocionantes. Por outro lado, a competitividade do campeonato está a perigo — e por culpa de Oliver Rowland.
Antes de falar do agora disparado líder do Mundial, abordemos o fim de semana em Mônaco. Na primeira corrida, com o Pit Boost mais uma vez à disposição, a briga se tornou caótica devido a uma full course yellow que mudou tudo. Nico Müller fez o pit-stop durante a paralisação e deu um salto enorme, saindo de último para a briga pela vitória. Porém, até isso trouxe confusão.
Na parada do suíço, a fonte do Pit Boost simplesmente não funcionou. Ou seja, Müller tinha muito menos energia que os rivais, o que condenou uma grande prova a um mero papel de defensor para Jake Dennis no fim. Lá na frente, vitória de Rowland, a terceira em seis corridas (que agora já são sete). De quebra, em um pódio com Nyck de Vries e o próprio Dennis, o que significou uma distância ainda maior para os adversários no campeonato. Mas a falha no equipamento é inaceitável e precisa ser corrigida imediatamente. Simplesmente não pode mais acontecer, sob risco de manchar a competição.
No dia seguinte, mais uma bela corrida do inglês, mas a vitória teve outro dono: Sebastién Buemi, que se aproximava da 80ª corrida sem um triunfo sequer. Mesmo com um trem de força Jaguar que parece deficitário neste momento, o suíço fez grande prova e contou com o caos proporcionado pela chuva para encerrar uma seca que parecia eterna. O alívio ao deixar o carro transpareceu o nível do peso que saiu das costas do piloto, campeão em 2015/16.

E Rowland ainda foi segundo, aumentando novamente a diferença no campeonato para os rivais —, que, aliás, não deram as caras neste fim de semana. António Félix da Costa até conseguiu um bom quarto lugar na corrida 2, mas Pascal Wehrlein esteve absolutamente apagado e Taylor Barnard viveu duas corridas tenebrosas, ainda que tenha feito a pole da primeira. Com isso, a vantagem no Mundial de Pilotos se abriu de vez.
Rowland completou 46 pontos apenas neste fim de semana, elevando o total no campeonato a 115. Segundo colocado, Da Costa tem 66, um a mais que Wehrlein. Ou seja, a distância já chegou a inacreditáveis 48 tentos, algo muito difícil de imaginar na Fórmula E. E a pintura de momento é que não se trata apenas de uma tendência.
Desde o início da temporada, Rowland mostra que manteve a sequência positiva de 2024 e entrou em 2025 pensando na taça. Extremamente experiente com a gestão de energia necessária, o inglês deixou de ser um ‘divebomber’ para se tornar um piloto muito mais cerebral, que escolhe os movimentos a cada momento. Até o rádio passa essa sensação, com uma voz muito mais calma que nos tempos de Mahindra ou mesmo na primeira passagem pela Nissan.
E é isso que traz um perigo tão grande para o campeonato: é impossível saber quando o domínio de Rowland vai acabar. A questão não é apenas a grande diferença de pontos, mas a sensação de que nenhum outro piloto tem o que é preciso nesse momento para impedir que o britânico siga lá na frente. Afinal, com a margem atual, Oliver herdou o direito de administrar os riscos no campeonato. Resta saber se, em uma categoria tão equilibrada, conseguirá fazer isso até o fim. O que está claro é que, em toda a carreira, o britânico nunca teve condições tão reais de ser campeão mundial.

Além de Rowland, o eP de Mônaco trouxe alguns outros pontos altos interessantes. É claro que o sopro de vida da Jaguar neste segundo dia conta, com a cliente Envision vencendo e Nick Cassidy em terceiro (o primeiro pódio do neozelandês na temporada). No entanto, os holofotes precisam ir para o neerlandês Nyck de Vries, campeão da temporada 2020/21.
De retorno difícil no ano passado, com um carro que todos os outros competidores conheciam melhor, De Vries vem se encontrando aos poucos este ano. Já conseguiu bons resultados em São Paulo (sexto) e Cidade do México (quarto), ainda mais considerando o conjunto Mahindra que tem em mãos. Mas brilhou de verdade em Mônaco, com um segundo lugar mágico na corrida 1 e o quinto posto neste domingo (4).
O pódio foi o primeiro da Mahindra desde a corrida inicial da era Gen3, no dia 14 de janeiro de 2023, com Lucas Di Grassi no México. Desde então, o time indiano não havia conseguido um top-3 sequer e patinava nas últimas colocações. Vivendo profunda reestruturação, a esquadra já colhe frutos, vê De Vries aproveitar e se colocar em posição de marcar grandes pontos — o suficiente até para colocar o time à frente da Jaguar no Mundial de Equipes. Neste momento, é a terceira força. Não é pouca coisa.
A Fórmula E fará uma pausa de duas semanas, mas volta nos dias 17 e 18 de maio com mais uma rodada dupla. Assim como Mônaco, Tóquio vai experimentar o formato pela primeira vez, um ano depois de estrear no calendário da categoria — mas como corrida única. Emissora oficial no Brasil, o GRANDE PRÊMIO transmite todas as atividades de pista AO VIVO e COM IMAGENS.
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