MotoGP vira de ponta-cabeça com atuação mágica de Zarco e bagunça na chuva
Johann Zarco brilhou na estratégia e fugiu dos problemas para vencer um histórico GP da França, retornando ao topo do pódio na MotoGP. E no lugar mais especial possível: em casa. Mas as instáveis condições climáticas novamente colocaram a categoria em ritmo maluco
Em algum momento do futuro, os fãs da MotoGP vão se lembrar direitinho do que faziam no dia 11 de maio de 2025, mesmo que não estivessem no abarrotado circuito de Le Mans e acompanhando apenas pela televisão. Afinal, o GP da França deste domingo entregou entretenimento, caos e uma histórica vitória de Johann Zarco, com direito a quebras de jejum e fim do domínio da Ducati.
O inesperado triunfo, aliás, só chegou por conta e toda a bagunça instaurada antes mesmo da largada. Na dúvida, todos os pilotos saíram do grid com pneus slicks na pista molhada e entraram nos boxes no final da volta de aquecimento. Bandeira vermelha. Pronto, primeiro momento de tensão no circuito francês.
Depois do novo procedimento, mais da metade do grid acabou a segunda volta de aquecimento no pit-lane. Esses, portanto, receberiam a punição de dupla volta longa, como tinha sido definido por MotoGP e Federação Internacional de Motociclismo [FIM] no início desta semana. Sabe quem não entrou nos boxes pela segunda vez? Johann Zarco. E é justamente aí que começa a magia do veterano.
Na largada, apesar da pista quase seca, o francês sobreviveu. Até chegou a tocar em Joan Mir e cair para a 17ª posição. Mas quando o clima virou mais uma vez em Le Mans, ele sobreviveu com a LCR e iniciou uma festa enlouquecedora nas arquibancadas do circuito. Um a um, os pilotos à frente cumpriam as punições e voltavam para trocar motos com ajustes de chuva. De repente, Zarco era líder.

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Não houve aviso da LCR que bastasse, Zarco estava em outra liga neste domingo e abriu vantagem volta após volta, não dando chance nem mesmo para o impiedoso Marc Márquez na Ducati. No fim, os mais de 19 segundos de vantagem na bandeira quadriculada respaldam a atuação mágica do piloto da casa. A partir do momento que a vitória foi concretizada, uma enxurrada de alegria inundou Le Mans.
“Sinto-me muito especial e orgulhoso de poder escrever esta frase como um piloto francês que venceu o GP da França, é simplesmente mágico. Sempre me esforço, na esperança de vencer corridas ou subir ao pódio”, disse Zarco.
“Quando vi os outros usando pneus slicks, sabia que ia chover. Então, tentei economizar os compostos de chuva porque a pista estava meio seca no começo. Mas, com as gotas de chuva, sabia que as coisas iam acontecer para mim. Perdi muito tempo na minha largada, porque não queria usar nenhum dispositivo de largada. Não sabia como frear na primeira curva, então perdi muito tempo tentando ir por fora na chicane. Até perdi a ponta esquerda do guidão e fui direto para a brita. Mas aí as coisas ficaram boas, meu guidão estava meio quebrado por causa da parte eletrônica. Estava bom o suficiente para pilotar, e foi a situação nas primeiras voltas”, acrescentou.
“Fiquei assustado quando Marc [Marquez] trocou para pneus de chuva porque no começo ele foi mais rápido que eu. Mas acho que ele também atingiu o limite dos pneus de chuva e não conseguiu forçar muito mais, e minha diferença era grande o suficiente para controlar. Simplesmente fantástico. Às vezes você vai atrás da vitória. Hoje tive que esperar as voltas passarem para conseguir, isso é muito especial”, completou.

O fim de semana se desenhou como um duelo entre a dominante Ducati e a aspirante Yamaha. O que vimos, no entanto, foi a surpreendente Honda quebrando um amargo jejum de dois anos para voltar a vencer na MotoGP. E talvez com o piloto que mais merecesse dentro do quarteto titular. Afinal, Zarco foi quem melhor se encaixou com a moto desde o início do ano passado e mostrou consistência no começo de 2025.
A segunda vitória de Johann na classe rainha do Mundial de Motovelocidade chegou do jeito mais maluco possível, com a chuva tendo papel decisivo. A MotoGP viu as condições climáticas bagunçarem tudo mais uma vez. Impossível não gostar, do caos e da categoria, é preciso admitir. Basta ressaltar que ninguém vai esquecer o GP da França de 2025.
A MotoGP volta a acelerar entre 23 e 25 de maio, com o GP da Grã-Bretanha, em Silverstone, para a 7ª etapa da temporada 2025. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do evento, assim como das outras classes do Mundial de Motovelocidade durante todo o ano.
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