McLaren poderosa e Ferrari perdida: como chegam as 10 equipes para perna europeia

Com 25% da temporada 2025 da F1 já tendo ficado para trás, o GRANDE PRÊMIO prepara um balanço da situação de cada uma das dez equipes do grid, projetando também o que virá, com o início da perna europeia neste fim de semana, no GP da Emília-Romanha

A F1 2025 viu, até aqui, quase que um monólogo da McLaren em termos de domínio de cada etapa. Ainda que Max Verstappen tenha dado um jeito de cravar três poles e até vencer o GP do Japão, os papaias levaram para casa as outras cinco corridas e sempre pareceram alguns passos adiante em termos de desenvolvimento técnico.

O reflexo disso tudo vem na pontuação do campeonato: mesmo com pequenos erros, Oscar Piastri lidera com 131, enquanto Lando Norris aparece na sequência com 115, neste caso com erros bem mais frequentes. Verstappen (99) e George Russell (93), ao menos por enquanto, são os candidatos a perseguidores.

Só que a F1 2025 pode ganhar nova cara a partir deste fim de semana, no GP da Emília-Romanha. É que a perna europeia costuma ser absolutamente decisiva todos os anos e, mais do que isso, pode gerar mexidas importantes na ordem de forças do campeonato. A mistura de clima, pistas mais padronizadas e pacotes de atualização parrudos são chaves para tal.

Assim, o GRANDE PRÊMIO faz um balanço inicial da temporada até aqui, passando pelas dez equipes do grid na perna predominantemente asiática.

Oscar Piastri e Lando Norris dominam o início da F1 2025 (Foto: McLaren)

McLaren larga na frente na F1 2025 e entra na Europa muito favorita

Ainda que esteja na mira, especialmente das rivais, por freios revolucionários e coisas do tipo, a McLaren não parece ter muitos motivos para temer uma queda grande de performance. É verdade que há no caminho também a diretiva da FIA em cima das asas na Espanha, mas os papaias estão se reinventando o tempo todo e são muito favoritos.

O carro laranja é extremamente versátil e se comporta bem no frio, no calor, em pistas de alta e em pistas mais travadas. Tecnicamente falando, a menos que algo muito surpreendente aconteça vindo das determinações de regras, a McLaren tem tudo para seguir com alguma vantagem em cima das adversárias. O ponto de atenção talvez esteja no cockpit: enquanto Piastri se mostra mais maduro, mas vê no horizonte uma inédita briga por título de F1, Norris ainda aparenta não saber como lidar quando está no centro dos holofotes.

Mercedes faz melhor carro da era efeito solo, mas precisa de friozinho

Depois de anos em uma montanha-russa insuportável, a Mercedes encontrou regularidade em 2025 e essa é a grande notícia. É bem verdade que os prateados ainda não conseguiram desafiar verdadeiramente a McLaren, mas hoje são os que demonstram mais condições técnicas para isso.

O alerta importante aqui é que a Mercedes ainda não provou completamente que superou os problemas com calor, algo que pegou firme nos últimos anos. Se isso voltar a rolar em 2025, a perna europeia, geralmente mais quente, tende a ser problemática, para dizer o mínimo. Destaque grande aqui também para os pilotos: Russell claramente evoluiu e se mostra capaz de liderar uma equipe, enquanto Kimi Antonelli vem agindo com impressionante maturidade para alguém de só 18 anos.

Max Verstappen sofre com uma Red Bull abaixo na F1 2025 (Foto: Red Bull Content Pool)

Red Bull é mais Verstappen do que nunca. Mas só Verstappen

A Red Bull precisa, desesperadamente, que as atualizações funcionem. Aqui não tem muita conversa, é simples assim. Tudo bem que já em 2024 os austríacos foram ficando para trás em relação ao que a McLaren apresentava e dependeram muito do talento de Verstappen, mas o neerlandês não pode ficar operando milagre toda semana. E a diferença dos papaias é maior agora, diga-se. Bem maior.

Yuki Tsunoda entrou na vaga que era de Sergio Pérez e, depois, de Liam Lawson, mas pouquíssimo consegue produzir. É mero coadjuvante em um cenário em que o próprio Verstappen tem sofrido para replicar o ritmo dos rivais laranjas. Precisa atualizar fortemente se quiserem ter alguma chance. E, indo além: também para que Max não resolva mudar de ares no futuro, a ameaça existe.

Ferrari se perde e não tem nem carro e nem Hamilton adaptado

A Ferrari sonhou com Lewis Hamilton e Charles Leclerc brigando por título em 2025 e acordou com os dois brigando no rádio com seus engenheiros. Antes fosse só esse o problema, aliás: o carro é simplesmente ruim. E isso é uma tragédia para alguém que brigou pelo Mundial de Construtores até a última prova em 2024 e, de forma quase que inexplicável, resolveu mexer tanto no bólido de um ano para o outro. O resultado, até agora, é triste de ver.

A Ferrari é mais uma que precisa desesperadamente de atualizações para brigar de verdade na F1 2025, mas que já vai ficando fortemente para trás na tabela. Há ainda algo tão sério quanto a falta de performance: Hamilton não consegue se adaptar de jeito algum ao carro vermelho e, pelo menos até agora, faz temporada tão decepcionante quanto a do time como um todo. Acho que nem o mais pessimista torcedor da Ferrari imaginava um cenário assim chegando a uma corrida em Ímola.

Lewis Hamilton sofre com adaptação e tem início abaixo das expectativas na Ferrari (Foto: AFP)

Williams sobra na ‘F1 B’ e ganha direito de olhar mais cedo para 2026

A Williams investiu pesado em 2025 e está colhendo os frutos. O carro é realmente rápido e tem se mostrado competitivo em todos os tipos de cenários. Guardemos as proporções, mas os britânicos hoje parecem ser uma espécie de McLaren da ‘F1 B’, falando especificamente do bom comportamento regular do bólido e da vantagem para a concorrência.

Há ainda um Alexander Albon inspiradíssimo, fazendo possivelmente o melhor início de temporada em sua carreira na F1. E pode ficar ainda mais legal o cenário para a Williams: Carlos Sainz também é um grande piloto e tende a formar uma das melhores duplas da categoria ao lado de Albon. Ainda não está adaptado, segue errando muito, mas é rápido e começa a dar sinais positivos.

Haas maximiza potencial, mas ainda sofre com inconsistência

Esteban Ocon e Oliver Bearman fazem um começo de ano de altos e baixos, bem com a cara da Haas como um todo. Os americanos estão maximizando resultados, mas a impressão até aqui é que os 20 pontos anotados são mais do que o time merecia de fato em termos de performance. Urge uma melhora, especialmente em classificações, mas a dupla é boa e tende a ficar ainda melhor com Bearman ganhando mais quilometragem.

Aston Martin se arrasta e se apega a pontos inacreditáveis de Stroll

Lance Stroll 14×0 Fernando Alonso. Precisa falar mais alguma coisa? O placar do duelo interno já indica como as coisas estão erradas na Aston Martin e os pontos de Stroll são totalmente casuais. O canadense aproveitou as chances que surgiram em situações de caos e mandou bem, mas o carro é bem qualquer coisa. Parece seguro dizer que o time verde não é a sétima força hoje e que, a menos que atualize legal, Alonso vai sofrer para sair do zero, mesmo quase sempre batendo Stroll. Quase, menos quando os pontos estavam em jogo.

Racing Bulls encontra performance. Falta acertar operação

A Racing Bulls parece ter potencial para mais, mas quanto? A real é que o cenário não é dos melhores: por mais que Isack Hadjar seja ótimo e tenha um teto bem alto de desenvolvimento, é estreante na F1 e, assim, não deveria comandar uma equipe no meio do pelotão. Mas é o que está acontecendo, diante de um Lawson bem pouco produtivo até aqui e de um time que erra muita coisa na parte de operação e estratégias. Longe da Williams, sim, mas talvez dê para chegar na frente da Aston Martin e até da Haas.

Alpine vira cota de entretenimento na F1 2025. E isso não chega a ser bom

A Alpine começou o ano em baixa em termos de performance, mas o pós-GP de Miami virou a F1 do avesso. Jack Doohan foi trocado por Franco Colapinto, para surpresa de zero pessoa, mas a saída de Oliver Oakes, sim, foi do nada. Além dos motivos nebulosos que levaram o chefe a deixar o time, Flavio Briatore “assume as funções”, como informou a Alpine no comunicado. Então, vamos lá: piloto novo, Briatore de volta ao comando oficial e um Pierre Gasly que, sozinho, não faz verão. Até onde vai a Alpine?

Gabriel Bortoleto vive um começo de carreira na F1 bem desafiador (Foto: AFP)

Sauber continua esperando Audi desesperadamente. Bortoleto sofre

Gabriel Bortoleto vive o pior cenário para começar na F1, com uma equipe de saída do grid e que pouquíssimo tem de margem de evolução. A real é que a Sauber segue esperando o dia em que a Audi vai assumir tudo e, até lá, não sabe o que fazer. Não fosse o caos da Austrália, estaria zerada de novo, como foi quase durante a temporada 2024 inteira. Pode melhorar com atualizações, mas não vai ser muito, não.

A Fórmula 1 retorna de 16 a 18 de maio para o GP da Emília-Romanha, em Ímola, o primeiro da temporada 2025 na Europa. Além da cobertura tradicional, o GRANDE PRÊMIO está IN LOCO na Itália para acompanhar todas as emoções da etapa com os repórteres Bernardo Castro e Leonid Kliuev.

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