Sainz valoriza ambiente na Williams e diz que “ninguém entende o que envolve a adaptação”
Carlos Sainz destacou o impacto dos detalhes técnicos ao mudar de equipe e afirma que leva tempo para atingir o nível de entrosamento ideal
Carlos Sainz vive nova fase de reconstrução na carreira. Um ano após ser informado que perderia a vaga na Ferrari para Lewis Hamilton, se reencontrou em ambiente diferente e aposta no projeto de médio e longo prazo da Williams. Falando à edição italiana do Motorsport.com, contou como tem sido o processo de adaptação à nova casa e refletiu sobre os desafios envolvidos na mudança de equipe dentro da Fórmula 1.
O tema ganhou destaque este ano diante das dificuldades enfrentadas por Hamilton no início pela Ferrari. Para Sainz, o desafio é real e muitas vezes mal compreendido pelo público.
“Pessoalmente, estou muito melhor agora. Estou em uma equipe com um projeto de longo prazo que realmente me motiva. Me sinto parte de uma família. Isso não quer dizer que não me sentia bem na Ferrari, quero deixar isso claro, mas no ano passado a situação era diferente, porque corri toda a temporada sabendo que iria sair”, lembrou.
“A adaptação tem recebido tanta atenção porque um grande piloto está enfrentando dificuldades ao mudar de equipe [Hamilton]. Agora as pessoas estão notando algo que conheço há tempos — já mudei de equipe cinco vezes”, afirmou.

“Lembro da época na Renault, depois dois anos na McLaren. Quando dizia que ainda estava me adaptando, acho que não entendiam o que significava. ‘Você é um piloto de F1, tem que se adaptar rápido’. Mas não entendem de verdade o que isso envolve”, argumentou.
Sainz explicou que é uma questão prática. Há dezenas de detalhes que mudam entre as equipes — e todos fazem diferença. Sem testes disponíveis durante a temporada, a adaptação acontece nos próprios fins de semana de corrida, o que naturalmente coloca o piloto em desvantagem.
“Se falarmos do motor, tem o freio motor, as curvas de torque, há o diferencial, sensação dos discos de freio de diferentes fornecedores, aquecimento dos pneus na volta de saída, gerenciamento durante a corrida, forma de atacar na classificação… São muitas variáveis importantes na F1 atual”, listou.
“Um piloto que ficou três ou quatro anos na mesma equipe, obviamente, conhece tudo profundamente e consegue maximizar o desempenho. Olho para Alex [Albon] e sei que atingir esse nível leva tempo. Tem familiaridade com coisas que alguém novo ainda precisa descobrir. Só acontece correndo, analisando dados ou até copiando, e isso demora”, explicou.

Por fim, comentou como a mudança afetou também a vida fora das pistas. Também lembrou com carinho o período na Ferrari.
“Quando trocamos de equipe, outros aspectos da vida também mudam. É natural. Dos 26 aos 30 anos, fui parte de uma equipe incrível, foi um período muito bom. Quando cheguei a Ímola este ano, os torcedores me receberam de forma calorosa — me senti querido, e quero agradecer muito por esse reconhecimento”, falou.
“Foram quatro anos lindos, nos quais dei tudo pela Ferrari. Não diria que sinto falta, porque virei a página. Estou totalmente inserido no ambiente da Williams — tenho essa oportunidade e preciso aproveitá-la. Mas sempre vou guardar lembranças maravilhosas”, concluiu.
A Fórmula 1 volta de 13 a 15 de junho no Canadá, décima etapa da temporada 2025.
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