Moreira atrai interesse de quatro fábricas da MotoGP, mas segue com futuro indefinido
O GRANDE PRÊMIO apurou que Diogo Moreira tem opções com quatro das cinco fábricas da MotoGP para saltar para a classe rainha, mas time do brasileiro considera que ainda é “muito cedo” para assinar um contrato para 2026
O futuro se apresenta cheio de possibilidades para Diogo Moreira no Mundial de Motovelocidade. Em alta na Moto2, o brasileiro ainda não definiu o próximo passo da carreira, mas trata a MotoGP como prioridade para 2026, mesmo que a permanência na Moto2 não esteja de todo descartada.
O GRANDE PRÊMIO apurou que Moreira é alvo do interesse de quatro fábricas: Yamaha, Honda, Ducati e KTM. A última, aliás, se apresentou na última semana, na esteira do triunfo do #10 no GP dos Países Baixos.
Envolvida em um imbróglio com Jorge Martín, a Aprilia não manifestou interesse via Noale, mas a satélite Trackhouse já exibiu entusiasmo pelo filho de Sandra e Luiz. Recentemente, o time de Justin Marks convidou Diogo para substituir o lesionado Ai Ogura no teste pós-GP de Aragão, mas a oportunidade foi declinada, uma vez que a equipe do piloto entendia que não havia benefícios com aquela oportunidade.
O GP apurou que, ainda que Manuel González, líder da Moto2, tenha feito o teste e até mostrado boa forma, o time chefiado por Davide Brivio não perdeu o interesse e chegou até a propor um teste privado ao brasileiro, algo que ainda está sob análise.
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Na teoria, a Trackhouse não tem vagas disponíveis para 2026, já que Ogura e Raúl Fernández estão assinados. No entanto, a performance do espanhol não tem agradado. Apesar de apresentar algum crescimento nas últimas provas, o #25 soma apenas 44 pontos no ano e é o 14º colocado no campeonato. O japonês, ainda que tenha só cinco pontos a mais, se destacou com um ótimo fim de semana na Tailândia, abertura da temporada, e perdeu os GPs da Grã-Bretanha e de Aragão por lesão.
Além disso, a situação de Jorge Martín na Aprilia segue indefinida. Apesar de mal ter corrido em 2025 por causa de seguidas lesões, o espanhol ativou uma cláusula contratual de performance e entende que está livre no mercado para buscar outra equipe. A casa de Noale enxerga de outra forma e cogita até mesmo levar a briga para a justiça. Assim, a composição da escuderia norte-americana pode ser afetada por essa novela.
No caso da Yamaha, é preciso lembrar que já existe um vínculo com Moreira. Há poucos meses, o hoje piloto da Italtrans assinou um contrato com o braço brasileiro da marca, que passou a fornecer as motos de treino de Diogo. O acordo, que é com a Yamaha Brasil, trata apenas de materiais, sem elos diretos com as vagas no Mundial de Motovelocidade. Há poucos dias, aliás, Moreira usou uma YZF-R1 para participar de um teste em Balaton Park, o circuito que entra no Mundial em 2025 como palco do GP a Hungria.
A casa dos três diapasões é a maior apoiadora do motociclismo nacional na atualidade. Por meio do programa BLU CRU, a montadora tem sido o ponto de partida para o salto de brasileiros ao exterior, como acontece com Humberto Maier e Kevin Fontainha no Mundial de Supersport 300 e Mario Sales no Mundial de R3.
Até o início deste ano, o programa de talentos da Yamaha não era parte do Mundial de Motovelocidade, mas o desembarque ocorreu via parceria com a Pramac, que passou a operar uma equipe na Moto2, hoje defendida por Izán Guevara e Tony Arbolino, 15º e 17º no Mundial de Pilotos, respectivamente.

No início da semana, surgiram rumores de um acerto entre Diogo e a marca dos três diapasões, mas a apuração do GRANDE PRÊMIO não apontou, ao menos por enquanto, que haja de fato confirmação entre as partes, embora haja, sim, interesse. Procurados pela reportagem para uma versão oficial — que, é importante informar, não faz parte da apuração do GP — empresário do piloto e a própria Yamaha negaram o acerto, como já seria esperado tanto em caso de fumaça quanto de fogo.
“Embora não esteja surpreso com toda atenção da mídia em torno de Diogo Moreira, especialmente após a vitória dele em Assen no último domingo, me permita esclarecer logo de cara: o que está circulando no momento sobre ele e a Yamaha é puramente especulação da mídia e rumores infundados”, disse um porta-voz da marca ao GP. “A Yamaha não fez nenhum contato com o piloto, não fez nenhuma oferta para o futuro e, certamente, não assinou nenhum contrato com ele”, seguiu.
A Honda, por sua vez, é uma das poucas fábricas com vaga para 2026, já que os contratos de Luca Marini e de Johann Zarco chegam ao fim em 2025. Somkiat Chantra tem uma opção para renovar para 2026, mas, até aqui, a performance não justificaria a renovação ― o tailandês tem um único ponto no ano, somado no GP dos Países Baixos do fim de semana. A vaga dele na LCR, contudo, está fortemente atrelada ao patrocinador, que tem preferência por um asiático.
Até aqui, tudo indica uma renovação com Zarco para seguir com a LCR ― mesmo que o contrato seja feito via HRC. A situação de Marini, porém, é diferente. O italiano agrada a montadora pelo trabalho com o desenvolvimento da moto, mas tem a posição especialmente ameaçada por conta do interesse da marca da asa dourada em Martín.
Mesmo assim, o GRANDE PRÊMIO soube que as conversas sobre Moreira com a Honda são via HRC e não por meio da equipe de Lucio Cecchinello.
A Ducati, por fim, também tem uma vaga aberta: a de Franco Morbidelli na VR46, já que o contrato do ítalo-brasileiro vence em 2025. Apesar da boa performance do #21, que é o quarto colocado no Mundial de Pilotos, a posição também é alvo de especulações, principalmente em torno do nome de Pedro Acosta.
O espanhol tem contrato com a KTM até o fim do próximo ano, mas a performance da RC16 tem incomodado Pedro, que é agenciado pelo mesmo Albert Valera que vem trabalhando a saída de Martín da Aprilia.
No caso da KTM, as vagas todas estão definidas, mas existem muitos rumores não só envolvendo Acosta, mas também Enea Bastianini, já que o italiano não se entendeu com o protótipo austríaco até agora.
A casa de Mattighofen, porém, tem questionamentos em torno do futuro na MotoGP, já que a marca contraiu uma dívida vultuosa e precisou correr contra o tempo para evitar a falência. Mesmo assim, a equipe que trabalha com Diogo “não recusa marca nenhuma” e se dispõe a conversar com todos os interessados.
Ainda com meses de competição pela frente, o staff de Moreira garante que “não há acordo assinado”, pois “ainda é muito cedo”.
A equipe que trabalha com Diogo ― que, aliás, segue focado na Moto2 e alheio às negociações sobre o futuro profissional dele ― entende que é hora de trabalhar nas alternativas para “entender qual a melhor”. A prioridade, claro, é avançar para a MotoGP, mas apenas se conseguirem o “cenário correto”. Caso contrário, a Moto2 também é uma opção.

Apesar de o site espanhol Motorsport ter apontado uma preferência de Moreira em, caso siga na Moto2, permanecer na Italtrans, o time do #10 assegura que isso tampouco foi conversado, já que as possibilidades ainda não foram apresentadas ao piloto ― o que só vai acontecer nas férias do verão europeu, ou seja, após a etapa em Brno. Ainda assim, fica sublinhado que Diogo está bastante contente com a escuderia italiana.
Além da boa performance na Moto2, conta a favor de Diogo a personalidade dele, que é visto como um “cara legal”. Também é bom destacar que o brasileiro conta com patrocinadores fortes, como a Red Bull e a Estrella Galicia, que, aliás, é uma das grandes responsáveis pela chegada dele ao Mundial, uma vez que foi por meio da cervejeira que Moreira deixou o motocross, passou para a motovelocidade, migrou para a Espanha e alcançou as classes de elite do esporte.
A MotoGP volta a acelerar entre os dias 11 e 13 de julho, com o GP da Alemanha, direto de Sachsenring, 11ª etapa da temporada 2025. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do evento, assim como das outras classes do Mundial de Motovelocidade durante todo o ano.
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