Impressionado com circuito, Di Grassi estreia nas 24 Horas de Le Mans falando em aprendizado

Com chances reais de se tornar o primeiro brasileiro a vencer as 24 Horas de Le Mans na classificação geral, Lucas Di Grassi prega cautela e evita falar em subir ao alto do pódio já em 2013

O ponto alto da temporada 2013 do brasileiro Lucas Di Grassi chegou: neste fim de semana, o piloto vai disputar pela primeira vez as 24 Horas de Le Mans, a mais importante corrida de longa duração do planeta. E com boas chances de se tornar o primeiro brasileiro a vencer na classificação geral, já que corre pela favoritíssima Audi, que ganhou a prova 11 vezes desde 2000.

Só que a possibilidade de entrar para a história do automobilismo brasileiro, aparentemente, não abala a confiança e a concentração de Di Grassi. É inegável que o piloto pense nisso e coloque este feito como uma meta para a carreira. Porém, neste momento, o mais importante é ganhar experiência.

Desde que chegou à Audi, em setembro do ano passado, para um ‘freelance’ nas 6 Horas de São Paulo, Di Grassi fez três corridas, subindo ao pódio em todas: foi segundo em Interlagos e, neste ano, já contratado pelos alemães, terminou as 12 Horas de Sebring também em segundo e foi terceiro nas 6 Horas de Spa.

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Di Grassi disputará pela primeira vez uma corrida com 24 horas de duração (Foto: Divulgação/Audi)

Agora, pela primeira vez, ele vai participar de uma corrida que dura o dia inteiro. Ainda se adaptando às provas longas, Di Grassi, em entrevista ao GRANDE PRÊMIO, não quis criar uma enorme expectativa em torno da corrida que terá largada às 10h (de Brasília) deste sábado (22). “Para mim, é mais um aprendizado. Estou lá para fazer um bom trabalho e levar o carro para a melhor posição possível”, disse.

Essa tarefa será resultado de uma extensa preparação, tanto no que diz respeito ao que é colocado na pista, quanto pelo o que fica nos bastidores.

O primeiro contato com o traçado de pouco mais de 13,5 km aconteceu há exatos dez dias, em 8 de junho, no teste oficial promovido pelo ACO (Automóvel Clube do Oeste) e obrigatório para todos os novatos — Lucas é o único da classe LMP1 em 2013. “Fiquei muito impressionado com a pista”, revelou. “É incrível o traçado.”

As características de alta velocidade do circuito, que Di Grassi comparou ao Autódromo de Monza, palco do GP da Itália de F1, fizeram a Audi desenvolver uma nova versão de seu protótipo R18 e-tron quattro. Apelidado de ‘long-tail’, ou cauda longa, em português, o modelo possui uma traseira um pouco mais comprida. A estreia, ainda como um teste, aconteceu em Spa, em maio.

Segundo o brasileiro, a pilotagem muda muito pouco, mas o carro fica “muito mais eficiente”, embora pareça semelhante. “O carro ganha muito em eficiência de combustível, velocidade e tempo de volta. E ele é mais comprido fora do eixo das rodas, que é o que faz a diferença quando vai pilotar o carro. Muda a variação da pressão aerodinâmica, do arrasto, não pelo fato de ser mais comprido”, explicou.

Di Grassi vai pilotar o Audi R18s e-tron quatto #3 nas 24 Horas de Le Mans (Foto: Audi)

Falta, agora, adquirir maior quilometragem com a pista seca, já que choveu durante boa parte do teste oficial. “Deu para ter uma ideia. Ainda tenho muito o que evoluir, muitos detalhes, pista, zebra, posicionamento do carro, do tráfego, nisso ainda tem que aprender muito”, falou.

Fora do carro, a estrutura montada pela Audi e o clima dos bastidores chamam a atenção do piloto. “Quando você chega, consegue sentir a história e a tradição da corrida. Pela atmosfera dos boxes, das equipes, já dá para ver que é uma coisa muito especial”, comentou Di Grassi.

“Mas o que mais me impressiona é toda a estrutura da Audi. O motorhome, o lugar dos nossos quartos, onde a gente dorme e organiza as nossas coisas, a estrutura da engenharia, dos mecânicos, tudo o que precede a largada”, adicionou.

Por enquanto, Di Grassi não está confirmado para disputar nenhuma outra prova pela Audi, nem mesmo a etapa brasileira do WEC. Mas ele espera agradar ainda mais os chefes para, quem sabe, conseguir um lugar fixo para toda a temporada do Mundial de Endurance.

“Vai depender muito da minha performance neste ano. Se eu tiver uma boa performance, como eu tive em Spa, em Sebring, acho que tem uma chance boa de eu conseguir encaixar como piloto oficial da Audi para o campeonato inteiro. É só manter essa performance que eu tenho tido”, afirmou.

Ao GRANDE PRÊMIO, um dos parceiros no protótipo #3 de Di Grassi, Marc Gené, elogiou bastante o desempenho apresentado pelo piloto até o momento e disse que vê um longo futuro para ele no endurance.

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