Abu Dhabi se desenha em duelo entre Hamilton e Verstappen

A pouco exigente pista de Abu Dhabi ainda é uma dor de cabeça para a Ferrari, que precisa lidar com seus demônios internos. Alheios a isso, Mercedes e Red Bull devem dominar a classificação, em uma interessante disputa entre Lewis Hamilton e Max Verstappen

Como acontece desde 2014, a Mercedes é a grande referência em Abu Dhabi. Em todo esse tempo, apenas os carros prateados formaram a primeira fila e venceram depois das 55 voltas da corrida por Yas Marina. E nesta sexta-feira (29), o roteiro começou a seguir o que parece ser mesmo a regra: uma dobradinha do time alemão, dominando os treinos livres. Valtteri Bottas foi quem ditou o ritmo, enquanto Lewis Hamilton se comprometeu com novas configurações, mas, mesmo assim, se colocou perto do companheiro de equipe. Da maneira como o dia/entardecer/noite se desenrolou no deserto, é certo dizer que a esquadra chefiada por Toto Wolff, agora de volta ao seu posto natural, continua favoritíssima à pole deste sábado, só que, desta vez, sem completar a linha de honra do grid.

 
Parte do domínio apresentado por Bottas se deve ao uso já da quarta e nova versão do motor Mercedes. A unidade de potência do carro do finlandês apresentou falhas no GP do Brasil, que deu início àquele eletrizante final de corrida em Interlagos, e a equipe decidiu pela troca. Valtteri vai largar do fim do pelotão, o que tira qualquer chance de um novo 1-2 dos prateados, portanto. Apesar da performance nas duas sessões no circuito árabe, não foi possível ter uma noção mais clara do ritmo de prova do nórdico. Isso por conta do incidente com Romain Grosjean. O toque com o francês da Haas aconteceu no meio da simulação de corrida e acabou por interromper os trabalhos. A Mercedes ainda conseguiu ajustar o assoalho e outras partes danificadas, mas Bottas só voltou mesmo para fazer ensaios de largada.
Romain Grosjean é acertado por Valtteri Bottas (Foto: F1/Twitter)
Hamilton, por outro lado, usou nesta sexta a segunda versão da unidade de potência, e talvez isso explique a diferença de 0s3 para o colega. Amanhã, a esquadra alemã instala o terceiro motor no carro do inglês, e aí o cenário deve ficar ainda mais claro. Agora hexacampeão e sem nada a perder no fim de semana, o dono do carro #44 também tentou acertos diferentes, uma abordagem distinta, com o objetivo de tratar melhor os pneus. Não deu lá muito certo, mas o desgaste, ao menos nos carros prata, é bem menor que o da concorrência.
 
Com tudo na balança, a Mercedes fechou o dia satisfeita. “Foi um dia muito bom, Valtteri foi forte desde o início e manteve esse bom ritmo no segundo treino, com pouco combustível e nas simulações de corrida. Lewis demorou um pouco mais para encontrar ritmo com o carro, mas parece ter conseguido e, certamente, foi rápido e muito eficaz nos testes de corrida. Embora tenhamos tido um dia forte hoje, é bastante claro, olhando para a Ferrari e a Red Bull, que eles também têm ritmo”, disse James Allison, o diretor-técnico da Mercedes.
 
De fato, Hamilton impressionou pelo consistente ritmo de corrida, principalmente em cima dos pneus duros – ninguém foi mais veloz que o britânico com esses compostos. Além disso, a Mercedes foi capaz de extrair mais performance do traçado de Yas Marina, que depende menos do motor e mais do equilíbrio. E é por isso que a Red Bull, especialmente nas mãos de Max Verstappen, é candidata não só à pole, mas também à prova.
Max Verstappen é candidato à pole (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)
Não se engane pela diferença entre Bottas e Verstappen na tabela de tempos, que ficou em 0s5. Há mais por vir dali. Acontece que o jovem #33 não conseguiu voltas limpas durante a simulação de classificação, mas apresenta um desempenho bastante decente em corrida, especialmente com os compostos médios, que devem desempenhar papel importante na estratégia de domingo para os taurinos. E a tese de que Max está melhor do que pareceu foi confirmada pela própria Mercedes.  "No momento, trata-se de um duelo entre Lewis e Verstappen pela pole. Max não teve uma volta ideal hoje, mas a Red Bull está bem próxima de nós. Somos melhores em ritmo de corrida depois de seis voltas, temos um desgaste menor, mas temos de esperar, não há espaço para erros", disse Ron Meadows, diretor-esportivo da esquadra prata.
 
A Ferrari, claro, não pode ser descartada. Mas a equipe italiana encontrou muitos problemas nesta sexta-feira. Sebastian Vettel bateu pela manhã, enquanto Charles Leclerc também teve lá suas dificuldades e um pequeno incidente. O fato é que a escuderia não tem mais a mesma vantagem em cima da força do motor e perde demais na terceira parte do circuito de Yas Marina, e isso tem feito diferença. O desempenho nos dois primeiros trechos da pista não compensam a perda do setor final, e isso será uma dor de cabeça para Maranello. Certamente, a classificação vai colocar os vermelhos em melhor posição, mas ainda há o que fazer para alcançar os adversários.
 
"Estamos lutando contra as mesmas coisas nas últimas corridas. Temos dificuldade nestas curvas de média e baixa velocidade comparada a outras. Acho que o terceiro setor é o que mais nos prejudica. Estamos com dificuldades com o aquecimento dos pneus e o carro está difícil de pilotar. Sei que assim que você pilota no limite, mas tenho certeza que podemos melhorar de onde estamos", resumiu Vettel.
 
A esquadra chefiada por Mattia Binotto parece ter sido transportada para a fase inicial da temporada, e isso é um grande sinal de alerta. Portanto, por ora, a pole tem apenas dois postulantes. 

A F1 volta a acelerar em Abu Dhabi neste sábado, a partir de 7h (horário de Brasília) com o terceiro treino livre, enquanto a classificação está marcada para 10h. O GRANDE PRÊMIO acompanha tudo AO VIVO e em TEMPO REALSiga a cobertura aqui.

Paddockast # 44
RETROSPECTIVA 2019: MUITO QUE BEM, MUITO QUE MAL

Ouça: Spotify | iTunes | Android | playerFM

GOSTA DO CONTEÚDO DO GRANDE PRÊMIO?

Você que acompanha nosso trabalho sabe que temos uma equipe grande que produz conteúdo diário e pensa em inovações constantemente. Mesmo durante os tempos de pandemia, nossa preocupação era levar a você atrações novas. Foi assim que criamos uma série de programas em vídeo, ao vivo e inéditos, para se juntar a notícias em primeira-mão, reportagens especiais, seções exclusivas, análises e comentários de especialistas.

Nosso jornalismo sempre foi independente. E precisamos do seu apoio para seguirmos em frente e oferecer o que temos de melhor: nossa credibilidade e qualidade. Seja qual o valor, tenha certeza: é muito importante. Nós retribuímos com benefícios e experiências exclusivas.

Assim, faça parte do GP: você pode apoiar sendo assinante ou tornar-se membro da GPTV, nosso canal no YouTube

Saiba como ajudar