Newey estranha regras de 2026 e vê FIA “fortemente influenciada por 1 ou 2 fábricas”

Projetista da Red Bull, Adrian Newey não se mostrou muito animado com o regulamento técnico da Fórmula 1 para a temporada 2026. Britânico considerou que a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) é influência por alguns construtores, mas deveria pensar mais nas equipes

Adrian Newey não está muito satisfeito com os rumos do regulamento da Fórmula 1 para 2026. O projetista da Red Bull avaliou que a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) é “fortemente influenciada por uma ou duas fábricas”, mas sugeriu que os times sejam a prioridade, uma vez que os construtores “vêm e vão”.

A FIA prepara um novo regulamento técnico para entrar em vigor em 2026. A F1 concordou em manter o motor turbo híbrido V6, mas com ajustes fundamentais para ampliar a noção de sustentabilidade e a redução dos custos. Ficou definido o aumento de energia elétrica nas unidades, o fim do MGU-H (peça utilizada para recuperação de energia), e um novo MGU-K que gera o triplo de potência.

A potência da parte endotérmica cai de 550-560 kW para 400 kW, enquanto o elemento bateria aumenta consideravelmente, passando de 120 kW para 350 kW, com aumento de quase 300% na energia elétrica. Além disso, a quantidade de energia que pode ser recuperada durante a travagem é duplicada, com uma energia recuperável total de 8,5 MJ por rotação.

Além disso, os modelos vão se tornar mais curtos, estreitos e leves. Os carros pesarão 768 kg (722 kg de peso entre carro e piloto + 46 kg como massa estimada do pneu) e serão, portanto, 30 kg mais leves que a atual geração de carros de F1, melhorando eficiência e capacidade de gerenciamento.

Adrian Newey estará livre no mercado a partir de 2025 (Foto: Red Bull Content Pool)

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Outra grande mudança é o fim do DRS (Drag Reduction System), que permite a abertura da asa traseira para facilitar ultrapassagens em determinados pontos da pista. A partir de 2026, os carros vão contar com o MOM, ou Modo de Ultrapassagem Manual, que vai dar um ganho de potência para os carros quando estiverem próximos aos carros da frente.

“No momento, parece um conjunto estranho de regulamentações, mas é muito prematuro para descartá-lo e dizer que não será bom”, disse Newey em entrevista à publicação inglesa Autosport. “Chega um momento em que sempre, como designer, você primeiro olha para o que elas podem ser e você pode ter uma opinião ‘é boa ou é ruim’, mas, em algum ponto, você tem de ignorar isso e lidar com o desafio”, seguiu.

O projetista explicou que não gostou muito da mudança na regra dos motores e avaliou que elas foram feitas sem levar em consideração o chassi.

“Certamente será uma fórmula estranha, já que os motores funcionarão como geradores o tempo todo”, apontou. “A perspectiva de o motor trabalhando duro no grampo da Loews vai exigir costume. É justo dizer que o regulamento de motor foi criado e aplicado sem pensar muito do lado do chassi”, avaliou.

“Isso, com certeza, cria grandes problemas em termos de tentarmos apresentar uma solução para trabalharmos com isso”, ponderou. “Mas acho que uma coisa boa é que promove eficiência. E acho que qualquer coisa que faça isso, que promova isso, tem de estar alinhada com o que eu disse antes: tentar usar a F1 para popularizar uma tendência”, acrescentou.

Questionado sobre quais são as prioridades do esporte, Newey respondeu: “A FIA parece ser fortemente influenciada por uma ou duas fábricas, na expectativa de que vão apaziguar esses fabricantes, mas talvez também atrair outros”.

“Suponho que, como a Audi está chegando em 2026, houve um sucesso parcial nesse sentido, mas não tenho certeza se vale a pena o compromisso geral sobre o que poderia ser alcançado”, opinou. “A realidade é que fabricantes vem e vão, com exceção da Ferrari. São as equipes que são a parte central do negócio e aí, claro, o grande núcleo real é o público. Então é essencial fornecermos um grande show e, como parte disso, a variedade já se provou ser bem recompensada”, encerrou.

Fórmula 1 volta entre os dias 21 e 23 de junho, em Barcelona, com o GP da Espanha, décima etapa da temporada 2024. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do evento, assim como de todas as provas do ano.

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