Agora ou nunca: em ano curto e com Mercedes dominante, Bottas tem chance da vida

O finlandês largou na frente na disputa do título mundial. Em uma temporada com tantas variáveis, pode ser o primeiro passo para a glória. Ou apenas o adiamento da certeza de que nunca brilhará

Pelo quarto ano seguido, Valtteri Bottas tem um dos dois melhores carros do grid. Pelo segundo ano seguido, Valtteri Bottas começa a temporada vencendo. Pela primeira vez, Valtteri Bottas tem uma real chance de ser campeão do mundo.

Não é puramente questão de talento. Na verdade, a afirmação que fecha o parágrafo anterior não é definida por um fator isolado. É, sim, por uma situação exclusivamente criada para o ano de 2020. E só nele.

A temporada que começou só agora, em julho, é tão diferente de tudo antes visto que um campeão inédito apenas complementaria tal narrativa especial. E é nisso que Bottas tem de apostar. Na mística de um roteiro original e em uma série de fatores:

Bottas começou da melhor forma a temporada 2020 da Fórmula 1 (Foto: Mercedes)

Domínio da Mercedes

A Mercedes tem o melhor carro, com vantagem ainda maior para a concorrência do que nos já dominantes seis últimos anos de conquista do Mundial de Construtores. Não há indício, nem a Áustria mostrou algum, de que alguma equipe possa brigar pelo título, ou ao menos atrapalhar o duelo entre Bottas e Lewis Hamilton.

Aí vai do finlandês conseguir aproveitar um ano em que só a Mercedes tem organização o suficiente para lutar e ficar, ao menos, vivo contra Hamilton até o fim. Como visto na Áustria, se ele conseguir andar na frente constantemente, a equipe não fará jogo para que Hamilton passe. Mas precisa ser isso: constante.

Temporada curta

Até o momento, são oito etapas confirmadas no calendário. Não muitas mais devem ser acrescidas, apesar do total não ter sido confirmado ainda pela FIA.

Para Bottas, a conta é simples: menos corridas = menos oportunidades de estragar uma campanha de título. E outra: menos tempo no ano, menos oportunidade de mudanças de fase — seja técnica, seja psicológica.

Queda da Ferrari

O pódio de Charles Leclerc pode dar uma impressão errada sobre o desempenho da Ferrari não só na Áustria, em todo o final de semana, mas também sobre o que apresentou nos testes de pré-temporada e, mais que isso, sobre o discurso já derrotista que existe internamente.

O décimo lugar sofrido de Sebastian Vettel é mais realista. E, como nos últimos anos só a Ferrari teve chances reais de brigar com a Mercedes, o caminho está mais limpo para Bottas, que perde a concorrência de dois pilotos considerados mais talentosos que ele. Sobra a Red Bull, mas a impressão é de que ela até pode brigar, só em alguns momentos, ou pistas, específicos.

Quebras constantes?

Ainda não se sabe se foi coincidência ou se é tendência: foram nove abandonos em Spielberg, muitos por quebras e panes. Acaso, ou é de fato uma situação pela qual a Fórmula 1 vai passar em 2020, devido ao tempo curto e a pausa recém-encerrada?

Se de fato for o comum para o ano, é uma variável importante na luta pelo título de Bottas. Porque torna o imprevisível o normal para a categoria. Dentro de uma normalidade comum, Hamilton leva fácil. Bottas precisa de uma ‘baguncinha’.

Bottas durante o GP da Áustria de F1 (Foto: AFP)

Contrato por encerrar (de novo)

Bottas tem acordo com a Mercedes até o fim de 2020. Não que isso seja novidade: ele sempre assinou contratos curtos com os alemães. Mas, na quarta vez, talvez ele sinta a motivação final para brilhar. Afinal, é agora ou nunca o título, pois…

Concorrência forte

A vaga que hoje ocupa tem diversos nomes em busca. Quem não quer ter o melhor carro do grid? Para George Russell, seria conquistar tudo pelo que sempre batalhou. Para Esteban Ocon, seria como ocupar uma vaga natural, aquele que Toto Wolff deve ter prometido há anos. E, bem, não dá para descartar Vettel. Vai que para evitar a aposentadoria, ele resolva curtir um ano brincando ao lado de Hamilton…

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