Alonso faz grande corrida em Baku, mas segue longe de reviver ‘conto de fadas’ na F1

É muito verdade que Fernando Alonso, pela primeira vez na temporada, esteve regularmente à frente de Esteban Ocon em uma ótima corrida no GP do Azerbaijão, em Baku. Porém, há oito anos longe de sentir o gosto de uma vitória e com estatísticas um tanto quanto desfavoráveis, o asturiano ainda está longe de reviver um 'conto de fadas' na Fórmula 1

Acidente do líder, erro do campeão e vitória de Pérez: os melhores momentos do GP do Azerbaijão (GRANDE PRÊMIO com Reuters)

Um príncipe que ainda não teve seu momento triunfal no reinício do traiçoeiro ‘conto de fadas’ que é a Fórmula 1. Aqui falamos de Fernando Alonso que, de volta à principal categoria do automobilismo em 2021, lidou com performances e resultados fracos neste início de temporada. A exceção foi a ótima sexta posição no GP do Azerbaijão, nas ruas de Baku, onde garantiu pela primeira vez uma posição melhor que o companheiro de equipe no campeonato, mas mais que isso: esteve à frente de Esteban Ocon durante todo o fim de semana. Seria esse o início da jornada de herói do bicampeão ou apenas um suspiro momentâneo?

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Antes mesmo de competir mais ativamente contra seus rivais, a primeira batalha travada pelo asturiano foi dentro de sua já velha conhecida (porém, revigorada) casa: o jovem de Évreux abriu uma boa vantagem em cima do já experiente piloto de Oviedo na disputa interna da Alpine. Em seis oportunidades até aqui, Ocon garantiu uma posição melhor que Alonso em cinco corridas. É verdade que o dono do #31 conhece mais a fundo o primeiro carro da era ‘pós-Renault, o A521, mas não tira e nem anula a experiência de um piloto com cadeira quase cativa na Fórmula 1. Embora o início difícil em novo time na categoria não se renda só a ele (Daniel Ricciardo que o diga), o piloto de personalidade forte admitiu que o parceiro de equipe, já cogitado até mesmo na Mercedes, ainda está acima do nível que pode entregar no momento.

“É impressionante o que ele [Ocon] está conseguindo agora. Estou dando 100% e, obviamente, isso não é suficiente para estar nesse nível no momento, então preciso continuar melhorando”, afirmou Alonso algumas semanas atrás.

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Em seis oportunidades na temporada de 2021 da F1, Esteban Ocon esteve à frente de Fernando Alonso em cinco delas (Foto: Alpine F1 Team)

Outrora recordista de precocidade em triunfos na F1, Alonso vive uma fase completamente diferente e é dos mais rodados da geração atual. Foram mais 282 GPs, dois títulos mundiais da categoria, 32 vitórias, 97 pódios e 22 poles. Tudo isto até o final de 2018, quando deixou a categoria, ainda com 37 anos. Aventurando-se mundo afora por dois anos, venceu as 24 Horas de Daytona e as 24 Horas de Le Mans, fracassou uma vez ao tentar entrar no grid de 33 carros das 500 Milhas de Indianápolis e foi um coadjuvante de luxo na edição de 2020. Até o Dakar, no início de 2020, Fernando chegou a disputar. E tudo isso fez o dono do carro #14 afirmar, meses atrás, que seu retorno seria ainda melhor, se comparado a quando deixou os circuitos da Fórmula 1.

“Estou retornando para a Fórmula 1 com a expectativa de ter a chance de vencer corridas. Entendemos que esse ano não será possível brigar por títulos por causa do regulamento, que é o mesmo do ano passado, mas acho que precisamos agarrar as oportunidades. Isso vai bagunçar o grid, e queremos ser uma dessas equipes que vão surpreender a todos”, comentou antes do GP do Bahrein, etapa inaugural da F1 neste ano.

Fernando Alonso reclamou muito do regulamento de parque fechado após o treino classificatório do GP do Azerbaijão (Foto: Alpine)

Mas o tempo foi cruel. Agora, com 39 anos, as estatísticas na principal categoria do automobilismo mundial não são gentis, afinal, a Fórmula 1 vem sendo dominada, a cada década, por pilotos cada vez mais jovens. Em 1.041 GPs disputados, somente 13 vezes a vitória ficou com um piloto com 39 anos ou mais, por exemplo. Estatisticamente, estamos falando em 0,01% de aproveitamento. No caso do espanhol, são oito anos sem levantar um troféu de primeiro lugar – o último foi em 2013, no GP da Espanha.

Números desanimadores? Talvez. Mas sabemos que Fernando é fora dos padrões. Impaciente, determinado e que, mais do que ninguém, gosta da glória. É assim que ele busca a reação, como um próprio príncipe em seu cavalo branco só que, nessa história, terá de ser à frente da Alpine, com suas limitações e dificuldades. E a sexta posição garantida com consistência e muita ousadia na relargada final na corrida maluca que propuseram as ruas de Baku deram ao bicampeão pontos importantes nos campeonatos, suficientes para superar o companheiro de equipe por 13 pontos. A equipe francesa figura na sétima posição no Mundial de Construtores.

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Outro ponto a ser destacado também é que 2022 será um ano bem diferente para as equipes da Fórmula 1. Com um novo regulamento, as chances de equipes que não batalham pelas primeiras posições podem ser maiores. E é aqui que pode estar o pensamento de Alonso. Talvez, 2021 seja um ano de adaptação para que, de fato, no ano que vem, quando a casinha da Alpine estiver bem arrumada, o espanhol possa mostrar além das limitações que os franceses possuem hoje. É uma incógnita, porque, ao mesmo tempo, entrará no grupos dos 40, longe de seu auge, e vai ter de surfar nas estatísticas por bons resultados – afinal, não basta viver do que foi no passado e apenas mostrar lances bonitos. Se o objetivo for estar sempre à frente, é preciso, de alguma maneira, virar o jogo.

É possível? A resposta é subjetiva, mas o tempo ensinou a nunca duvidar de um medalhão do nível de Alonso. O piloto mesmo se deu um prazo para aprimorar seu desempenho a partir da próxima etapa ado campeonato, no GP da França. Por isso, vale aguardar, então, os próximos capítulos do que o conto do Príncipe das Astúrias ainda tem a revelar.

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