Alpine erra no processo, mas acerta ao escolher Colapinto. Só precisa ter paciência

É impossível defender a forma que a Alpine conduziu as tais seis corridas de Jack Doohan na F1 2025, mas a troca do australiano por Franco Colapinto faz todo sentido. Ao mesmo tempo, de nada vai adiantar a escolha se o time não tiver paciência com o argentino, que é mais piloto, mas igualmente jovem

O inevitável aconteceu e, nesta quarta-feira (7), a Alpine finalmente anunciou a troca entre Jack Doohan e Franco Colapinto. Contestado desde antes mesmo da estreia, o australiano dá lugar ao argentino que encantou o mundo da F1 nos primeiros passos com a Williams em 2024, mas que deixou o time britânico em baixa após uma série de acidentes.

Para começo de conversa, é importante dizer que a troca faz todo sentido. Tudo bem que Colapinto não saiu de 2024 da melhor forma, mas o argentino sempre demonstrou ter mais talento e um teto mais alto para desenvolvimento do que Doohan. Na base, ainda que os resultados não tenham sido brilhantes, Franco já demonstrava uma qualidade acima da média. Enquanto Jack era exatamente o sinônimo de mediano, de cumpridor. Não comprometia, mas raramente ia além.

Franco apareceu de vez para o mundo ao vencer a F4 Espanhola em 2019 e, de lá para cá, sempre andou bem. Em 2020, foi terceiro em uma FRECA que tinha Victor Martins e Caio Collet como protagonistas, mas o salto de qualidade veio mesmo a partir de 2022, na F3. Com a Van Amersfoort, venceu duas corridas, feito repetido no ano seguinte com a MP. A subida para a F2 se deu em 2024, também pela MP, com ótimas atuações e resultados menos expressivos.

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Franco Colapinto volta ao grid a partir de Ímola (Foto: Alpine)

Colapinto, aliás, é o típico caso de piloto que é bom e que recebeu reconhecimento devido mesmo sem ter tantos resultados. É preciso levar os carros que guiou em consideração, não tem jeito. O argentino na F1 prova que as atuações às vezes pesam mais que a pontuação final.

Pela Williams, Colapinto experimentou a dor e a delícia de ser um piloto de F1. Estava claro que ainda faltava mais um tempinho de F2 para o rapaz, mas a fase horrorosa de Logan Sargeant pedia medidas drásticas para a Williams. Em nove provas, Franco pontuou em duas, mas abandonou três. Ao mesmo tempo em que claramente tirou Alexander Albon da zona de conforto, também ajudou fortemente o time de Grove a ter um rombo financeiro.

Não seria justo, porém, que a passagem do argentino pela F1 acabasse daquela forma. Os erros cometidos eram totalmente coisa de novato e precisam ser aceitos. Ninguém quer que aconteçam, claro, mas Franco não teve uma preparação real para a categoria, tudo era muito novo. As boas atuações, neste caso, valiam muito mais.

A chance na Alpine, então, é merecida, mas uma pedra cantadíssima. E aqui que está o grande problema disso tudo: não é a troca em si, que faz todo sentido, mas o jeito que Doohan foi tratado nos meses em que foi titular. Praticamente como um estorvo para a equipe e, principalmente, para Flavio Briatore.

Jack Doohan praticamente já chegou na Alpine condenado a sair em pouco tempo (Foto: Alpine)

Inacreditavelmente de volta à categoria, o então conselheiro e agora também chefe da Alpine nunca escondeu o que pensava sobre Doohan. Poucas vezes se vi alguém chegar no grid da F1 tão pressionado quanto o australiano chegou. Aliás, talvez não seja o melhor termo, Jack não estava pressionado, mas condenado.

Logo veio o papo de que o contrato do rapaz era de seis corridas e assim foi: seis corridas em 2025 e nada mais. Sete, contando aquela prova final de 2024, quando Esteban Ocon foi desligado. Era difícil imaginar alguém convencendo em tão pouco tempo, especialmente porque Doohan, como já foi dito aqui, nunca foi um primor.

Jack teve boa postura durante os meses de pressão e, ao menos nos microfones, soube lidar com a situação. Na pista, porém, fez pouquíssimo para reverter o irreversível: venceu Pierre Gasly só em duas das oito classificações e foi trucidado pelo companheiro em ritmo de corrida. Ainda, acumulou batidas, erros e pontos na carteira. A condução foi pífia, mas a opção pela saída do rapaz, praticamente indiscutível. Mais ainda com Colapinto à espreita como estava.

Franco chegou lá e agora é a bola da vez. O argentino é quem vai ter a dureza de ser companheiro de um bom Gasly, a pressão de estar na F1 e, principalmente, o olhar fulminante de Briatore ao lado. O momento deveria ser de paciência com Colapinto, que é tão jovem quanto Doohan e precisa de tempo para se desenvolver, mas um contrato de cinco corridas não parece ajudar muito, não.

Assim sendo, a menos que a Alpine tenha um acesso de generosidade, é bom que o argentino responda rapidamente e entregue resultados de cara. Porque o tempo já mostrou que Briatore odeia com a mesma velocidade com que se apaixona.

A Fórmula 1 retorna na semana que vem, de 16 a 18 de maio, para o GP da Emília-Romanha, o primeiro da temporada 2025 na Europa.

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