Análise: Toro Rosso usa novatos e pistas de alta para ameaçar coirmã Red Bull

Mesmo com pilotos sem experiência e alto número de abandonos, a Toro Rosso faz em 2015 uma de suas temporadas mais promissoras. Os bons resultados em pistas de alta velocidade e os poucos erros de Max Verstappen e Carlos Sainz Jr. colocam a equipe italiana em condições de almejar voos mais altos — e, quem sabe, até bater a Red Bull

A F1, essa ciência tão exata, vem apresentando alguns resultados surpreendentemente inexatos em 2015. A poderosa McLaren-Honda não consegue sair do fundo do grid; a Renault perdeu o rumo e Pastor Maldonado conseguiu pontuar em duas provas consecutivas. Outra zebra notável é, sem dúvidas, a esporádica superioridade da Toro Rosso sobre a Red Bull.

Sem o dinheiro e o know-how da Red Bull, a equipe júnior da companhia dos energéticos está fazendo das tripas, coração. A dupla de novatos formada por Max Verstappen e Carlos Sainz Jr. consegue acompanhar com certa frequência o ritmo de Daniel Ricciardo e Daniil Kvyat, da escuderia tetracampeã do mundo.

Sainz Jr. e Verstappen: a promissora dupla da Toro Rosso para a temporada 2015 da F1 (Foto: Getty Images)

Com ambas as equipes sofrendo com as unidades de potência da Renault, parece justo apontar a inconstância dos franceses como motivo para a proximidade das escuderias. Mas de um jeito curioso: a Toro Rosso abandona mais provas do que a Red Bull e, portanto, tende a somar menos pontos. Todavia, em pistas de alta velocidade, a esquadra de Faenza dá o troco e consegue resultados inesperados para seu motor. Com o ponto positivo de uma sendo o negativo da outra, é natural que o desempenho das duas seja mais próximo.

Mas quem olhar a classificação do Campeonato dos Construtores terá todo o direito de dizer que se trata de um exagero. A Red Bull está em quarto com 55 pontos e a Toro Rosso é oitava, com 19. Pode não parecer, mas isso é um avanço enorme da equipe B, que nunca havia chegado tão perto da coirmã. Ver a equipe austríaca ser batida pela italiana em duas de oito etapas soava como um devaneio até pouquíssimo tempo atrás.

Isso não só mostra que os motores Renault embaralharam a ordem de forças entre matriz e filial, como também serve para argumentar o bom desempenho dos pilotos da Toro Rosso. Sainz Jr. e Verstappen formam uma das melhores duplas de novatos já vistas. Tirando tudo que podem do carro, é difícil apontar momentos em que pontos foram perdidos por bobagens dos pilotos — o acidente de Max em Mônaco talvez seja o ponto fora da curva.

A Toro Rosso já colocou a Red Bull para trás em alguns momentos em 2015. E pode voltar a fazê-lo (Foto: Getty Images)

Mas a sensação é de que o que faz a diferença, mesmo, é a disparidade de desempenho em pistas de alta velocidade — apesar da Renault. Na Malásia, os italianos foram constantemente melhores do que os austríacos. O mesmo pôde ser visto na Áustria. E as próximas provas devem seguir provando este ponto: três das próximas quatro corridas — Silverstone, Spa-Francorchamps e Monza — serão disputadas em circuito tradicionalmente velozes.

Se os motores Renault permitirem, serão três provas com pontos valiosos da Toro Rosso e tristeza sem fim na Red Bull. Em teoria, os italianos vão subir e os austríacos vão descer na classificação dos Construtores. A boa notícia para os tetracampeões é que a sequência final da temporada, com presença massiva de Tilkódromos, tende a privilegiar o RB11.

A meta da Toro Rosso para o começo do ano era terminar o ano com um quinto lugar no Mundial de Construtores. Passada quase metade da temporada tal objetivo parece difícil de ser alcançado. Force India e Lotus, por exemplo, avançaram muito nas últimas etapas e contam com motor Mercedes, mais constante, potente e confiável.

Com ou sem um top-5 ao fim de 2015, esta temporada pode ser vista como um momento crucial da jovem construtora. Com as glórias de Sebastian Vettel em Faenza já enterradas no passado, um novo momento de superioridade pode estar se arquitetando. Ou a Red Bull acerta os ponteiros ou terá a vergonha de ver a equipe júnior andando na frente. Como aconteceu em 2008.

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