Andretti fora do grid? Não é a primeira vez que a Fórmula 1 barra entrada

A Andretti já foi várias vezes deixada de escanteio pela Fórmula 1. Seja como equipe... ou mesmo com Michael Andretti, piloto, que demorou para conseguir uma chance na categoria

A Andretti, mais uma vez, foi rejeitada pela Fórmula 1. Ontem, o Liberty Media divulgou o resultado de seu processo de avaliação sobre a entrada da equipe americana e foi duro em sua reposta: o detentor dos direitos comerciais da categoria não acredita que o time agregará valor à F1 até 2027.

A condição colocada no comunicado é que, a partir de 2028, caso de fato a GM, por meio da Cadillac, concretize a promessa de fabricar um motor próprio, a coisa muda de figura. Meses atrás, a Cadillac oficializou a intenção com um registro de fabricante de motor a partir de 2028, mas apenas para trabalhar ao lado da Andretti.

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A esperança de Michael Andretti era grande. Afinal, há décadas mostra o desejo de ingressar na F1. Não só com a parceria com a GM. Teve também o interesse de comprar a Sauber, lá em 2021, mas as negociações colapsaram nos detalhes finais. De acordo com Mario Andretti, à época, o fato de não poder assumir o controle da equipe acabou finalizando qualquer tipo de acordo. Mais tarde, em 2023, a Audi comprou ações e anunciou entrada na F1 em parceria com o time de Hinwil em 2026.

Contudo, há uma outra negativa — praticamente ‘esquecida’ no tempo — por parte da F1 à Andretti. Aconteceu em 1980, e não necessariamente à equipe, mas ao piloto Michael Andretti, filho do campeão de 1978 da F1, Mario Andretti.

Michael Andretti (Foto: IndyCar)

Michael estava se destacando na Indy. Tinha 23 anos e a chance de mostrar seu talento na F1. A FISA (órgão regulador daquela época), no entanto, bloqueou a entrada do piloto na categoria. E detalhe: já naqueles tempos a F1 tinha a vontade de alcançar o mercado americano.

Michael estreou na Indy — então CART — em 1983. Terminou em sétimo lugar — seu pai, Mario, foi campeão com a equipe, na Indy, no ano seguinte. A temporada verdadeiramente promissora do mais novo veio em 1986, deixando claro que podia ser vencedor numa categoria tão competitiva quanto a F1.

Outra oportunidade surgiu, então. A F1 estava no Circuito Gilles Villeneuve, no Canadá. Patrick Tombay, que era da Haas (não a mesma equipe do grid atual, importante ressaltar), acabou se lesionando e sendo barrado de correr no domingo. Mario foi chamado para substituí-lo, mas negou. Era uma chance para Michael, que parecia ser a escolha perfeita, mas não aconteceu. O motivo? Ele não tinha superlicença, e a FISA não lhe concedeu os pontos necessários.

As regras hoje da superlicença são mais rigorosas, se comparadas àquela época. Na realidade, as coisas eram mais ‘informais’, por assim dizer. O ponto contraditório da FISA é que a entidade permitiu que Allen Berg (piloto mais inexperiente, que havia apenas cometido na Fórmula K do México e Fórmula 3 Britânica) corresse no lugar de Tombay.

“Acho que você poderia dar um passo adiante e dizer que se todos esses pilotos americanos são inelegíveis para a F1, então não é um campeonato mundial real”, disse o proprietário da equipe Haas, na época, Carl Haas.

A estreia de Michael só veio anos depois, na temporada de 1993, com a McLaren. Já havia conquistado o título na Indy em 1991. O americano chegou para substituir Berger, que acertou sua volta para a Ferrari. Mas o campeonato passou longe de ser o esperado. Nas classificações ele até ia bem, mas as corridas decepcionaram… no fim, deixou a F1 antes mesmo do término daquele campeonato.

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