Fórmula 1 rejeita entrada da Andretti no grid antes de 2028. Motor GM é condição

A Fórmula 1 finalmente se pronunciou sobre a avaliação da Andretti no grid. E foi uma conclusão negativa para a companhia de origem nos Estados Unidos

A Andretti não fará parte do grid da Fórmula 1 nas temporadas 2025, 2026 ou 2027. A definição sobre o processo de avaliação feito pelo Liberty Media, detentor dos direitos comerciais da categoria, foi divulgado na tarde desta quarta-feira (31). O resultado é uma porta fechada no rosto da companhia de Michael Andretti ao menos até 2028.

Sem maiores avisos de que o anúncio era iminente, a Fórmula 1 soltou a explicação com prós e contras e os motivos para rejeitar a Andretti. Mas o principal está na avaliação de que a equipe não trará mais valia para a categoria até 2027. A partir de 2028, caso de fato a GM, por meio da Cadillac, concretize a promessa de fabricar um motor próprio, a coisa muda de figura. Meses atrás, a Cadillac oficializou a intenção com um registro de fabricante de motor a partir de 2028, mas apenas para trabalhar ao lado da Andretti.

“Não acreditamos que a candidata tenha mostrado que agregaria valor ao campeonato”, afirmou a categoria.

“Nós olharíamos de forma diferente para uma tentativa de entrada no Mundial de 2028, com uma unidade de potência da GM, seja como uma equipe de fábrica ou cliente da GM”, afirmou concluiu.

ANDRETTI, CADILLAC, F1
Andretti firmou parceria com Cadillac, mas agora depende da parceira (Foto: Divulgação)

A Fórmula 1 ainda divulgou uma explicação em tópicos dos motivos para ter chegado à conclusão de que a Andretti não valorizaria a categoria, ao menos a médio prazo.

“Nosso processo de avaliação estabeleceu que a presença de uma 11ª equipe não agregaria valor à categoria. A melhor forma de um novo participante agregar valor é sendo competitivo. Não acreditamos que o candidato seja um participante competitivo”, afirmou.

“A necessidade de qualquer nova equipe ter um fornecimento obrigatório de unidade de potência, ao longo de inúmeras temporadas, seria prejudicial ao prestígio do Mundial”, seguiu.

“Embora o nome Andretti traga algum reconhecimento para os fãs da F1, nossa pesquisa indica que a F1 agregaria valor à marca Andretti, e não o contrário”, declarou.

“A adição de uma 11ª equipe representaria um fardo operacional para os promotores de corridas, sujeitaria alguns deles a custos significativos e reduziria os espaços técnicos, operacionais e comerciais dos outros participantes, opinou.

“Não fomos capazes de identificar nenhum efeito positivo material nos resultados financeiros do CRH, como indicador puro do valor comercial do campeonato” garantiu.

“Na base da aplicação atual, nós não acreditamos que o Aplicante mostrou que adicionaria valor ao campeonato. Concluímos que a aplicação do Aplicante para participar no campeonato não deve ser aprovada”, comentou.

“Nós olharíamos de forma diferente para uma aplicação para entrada de uma equipe no campeonato de 2028 com uma unidade de motor da GM, seja como uma equipe de fábrica da GM ou como parceira da GM desenhando todos os componentes em fábrica. Neste caso, haveriam fatores adicionais a serem considerados em respeito do valor que o Aplicante adicionaria ao campeonato, em particular em respeito a trazer uma montadora de prestígio para o esporte como fornecedora de unidade de potência”, finalizou.

Andretti anunciou rebranding recentemente (Foto: Divulgação/Andretti)

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Já nesta semana, a Andretti chegou a divulgar imagem de um carro pronto em testes de túnel de vento alugado da Toyota, na Alemanha. Enquanto isso, Michael Andretti falava sobre a importância de se preparar antes da hora e mesmo antes de ter certeza se haveria vaga em 2025 ou, no mais tardar, 2026.

“O tempo é sempre essencial na F1. Temos trabalhado o mais rápido possível para garantir que teremos o carro mais forte e a equipe mais preparada possível para quando conseguirmos um lugar no grid”, disse Michael ao site estadunidense The Athletic.

“Não subestimamos a tarefa. Leva tempo para construir carros competitivos. Estou muito feliz por já termos feito tantos progressos em atividades de longo prazo, como design aerodinâmico e simulação”, finalizou.

Michael Andretti não estará na F1 até 2028 (Foto: Indycar)

ENTENDA O CASO ANDRETTI F1

O desejo de entrar na F1 é antigo para a Andretti. A FIA anunciou, no fim de 2022, que abriria um processo seletivo para identificar equipes que desejam participar da Fórmula 1 a partir de 2025.

Em resposta, a Andretti firmou uma parceria com a General Motors para criar uma nova equipe na Fórmula 1 com a marca Cadillac. Além da operação comandada pelo americano Michael Andretti, Hitech e Carlin, ambas da Fórmula 2, também submeteram seus nomes. A empresa asiática LKY SUNZ, que garantiu estar disposta a desembolsar US$ 600 milhões [cerca de R$ 2,96 bilhões na cotação atual] pela vaga, também foi descartada. Os americanos foram os únicos aprovados.

O time receberia motores de outra fabricante, mas tanto Andretti quanto Cadillac ofereceriam todo o suporte técnico. A equipe operaria na nova sede da Andretti Global, que está em construção na cidade de Fishers, Indiana, nos Estados Unidos, e deve começar a funcionar em 2025. Uma outra sede, na Europa, também serviria para as operações.

Andretti foi barrada na F1 por enquanto (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)

A parceria com a General Motors representava a melhor chance de entrada da Andretti na Fórmula 1. O time, já conhecido por suas operações em Indy, Fórmula E, IMSA e Extreme E, manifestava o desejo de estar no Mundial desde 2021. O conglomerado chegou a se aproximar de um acordo para comprar a Sauber, mas que colapsou de última hora.

A Andretti já sabia que não teria um tempo tecnicamente viável para ter dois carros no grid em 2025 por conta própria – uma vez que a Cadillac só conseguiria colocar o seu próprio motor para rodar pouco antes de 2027. Por isso, os americanos assinaram um pré-contrato com a Renault, montadora por trás da Alpine, anos atrás. No entanto, expirou em março de 2023, e Bruno Famin, vice-presidente e também chefe interino da equipe de Enstone, deixou claro que não havia planos para novas conversas.

À revista alemã Auto Motor und Sport, Famin ainda salientou que, hoje, as prioridades da Alpine mudaram. “Nossa principal prioridade é desenvolver o melhor motor possível para 2026”, concluiu.

No entanto, o processo para a entrada da parceria Andretti Cadillac precisava do apoio da F1 e das outras equipes do grid, além de uma taxa de entrada de US$ 200 milhões (cerca de R$ 1 bilhão) como um fundo que seria dividido entre o grid atual para compensar a divisão do dinheiro que acontece com a entrada de um novo time.

DOMENICALI
Stefano Domenicali bateu a porta na Andretti (Foto: Fórmula 1)

Em outubro do ano passado, a FIA divulgou uma nota confirmando que aprovou inscrição de entrada da equipe Andretti Global no grid da Fórmula 1 a partir de 2025. No entanto, o conglomerado americano precisava ainda debater questões comerciais e da aprovação da Formula One Management (FOM) para oficializar a entrada. Mohammed Ben Sulayem, presidente do órgão regulador, era um grande defensor da presença da Andretti no grid, inclusive.

Nesta mesma semana, a Andretti revelou que estava preparando um carro de F1 dentro das regras vigentes para ser desenvolvido em túnel de vento – ainda que estivesse aguardando o sinal verde da F1, que não veio. Desde outubro do ano passado, o time que leva o nome do campeão da F1 de 1978, Mario Andretti, usa as instalações da Toyota em Colônia e já preparava um programa de testes completo para 2025. 

Fórmula 1 retorna às pistas de 21 a 23 de fevereiro, com os testes coletivos da pré-temporada no Bahrein, no circuito de Sakhir.

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