Andretti rebate motivos de recusa da F1 e alega que não recebeu convite de reunião

Andretti contradiz Fórmula 1 em nota afirmando que trabalhava para entrar em 2026, junto da chegada do novo regulamento de motores. Time também afirma que não recebeu convite para reunião

A Andretti respondeu, em nota publicada nesta sexta-feira (2), alguns dos pontos levantados da Fórmula 1 para barrar a inscrição do time como a 11ª construtora do Mundial. O conglomerado americano chegou até a receber aprovação da FIA, mas teve a chegada negada pela categoria na última quarta-feira.

Na nota, a Andretti revela que entrou no processo e que a preferência do ano de entrada na Fórmula 1 era de 2025. A FIA aprovou a inscrição, sem indicar se seria em 2025 ou 2026, mas que o time operava com a segunda opção como a mais provável para a entrada, já que é o ano que marca a introdução de um novo regulamento de motores na Fórmula 1.

O trecho é uma resposta para a FOM, que afirmou na lista de motivos para a recusa de que “não há base para admissão de uma nova equipe em 2025, uma vez que isso resultaria em um participante novo construindo dois carros completamente diferentes em seus primeiros dois anos de existência”.

Michael Andretti vê menosprezo das equipes da F1 (Foto; John Lamparski/Getty Images)

A F1 afirmou que enviou um convite para a Andretti no dia 12 de dezembro para uma reunião presencial em seus escritórios para que a equipe fizesse uma apresentação da inscrição, mas que a equipe recusou.

A esquadra, por sua vez, também afirmou que nunca recebeu uma oferta de reunião e de que não recusaria o encontro com a Formula One Management. Uma reunião presencial entre as partes seria de importância, e a equipe ainda tem o desejo de encontrar os representantes para uma conversa.

ENTENDA O CASO ANDRETTI F1

O desejo de entrar na F1 é antigo para a Andretti. A FIA anunciou, no fim de 2022, que abriria um processo seletivo para identificar equipes que desejam participar da Fórmula 1 a partir de 2025.

Em resposta, a Andretti firmou uma parceria com a General Motors para criar uma nova equipe na Fórmula 1 com a marca Cadillac. Além da operação comandada pelo americano Michael Andretti, Hitech e Carlin, ambas da Fórmula 2, também submeteram seus nomes. A empresa asiática LKY SUNZ, que garantiu estar disposta a desembolsar US$ 600 milhões [cerca de R$ 2,96 bilhões na cotação atual] pela vaga, também foi descartada. Os americanos foram os únicos aprovados.

O time receberia motores de outra fabricante, mas tanto Andretti quanto Cadillac ofereceriam todo o suporte técnico. A equipe operaria na nova sede da Andretti Global, que está em construção na cidade de Fishers, Indiana, nos Estados Unidos, e deve começar a funcionar em 2025. Uma outra sede, na Europa, também serviria para as operações.

A parceria com a General Motors representava a melhor chance de entrada da Andretti na Fórmula 1. O time, já conhecido por suas operações em Indy, Fórmula E, IMSA e Extreme E, manifestava o desejo de estar no Mundial desde 2021. O conglomerado chegou a se aproximar de um acordo para comprar a Sauber, mas que colapsou de última hora.

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F1 tomou uma série de decisões sobre o futuro da categoria em Abu Dhabi (Foto: Reprodução)

A Andretti já sabia que não teria um tempo tecnicamente viável para ter dois carros no grid em 2025 por conta própria – uma vez que a Cadillac só conseguiria colocar o seu próprio motor para rodar pouco antes de 2027. Por isso, os americanos assinaram um pré-contrato com a Renault, montadora por trás da Alpine, anos atrás. No entanto, expirou em março de 2023, e Bruno Famin, vice-presidente e também chefe interino da equipe de Enstone, deixou claro que não havia planos para novas conversas.

À revista alemã Auto Motor und Sport, Famin ainda salientou que, hoje, as prioridades da Alpine mudaram. “Nossa principal prioridade é desenvolver o melhor motor possível para 2026”, concluiu.

No entanto, o processo para a entrada da parceria Andretti Cadillac precisava do apoio da F1 e das outras equipes do grid, além de uma taxa de entrada de US$ 200 milhões (cerca de R$ 1 bilhão) como um fundo que seria dividido entre o grid atual para compensar a divisão do dinheiro que acontece com a entrada de um novo time.

Em outubro do ano passado, a FIA divulgou uma nota confirmando que aprovou inscrição de entrada da equipe Andretti Global no grid da Fórmula 1 a partir de 2025. No entanto, o conglomerado americano precisava ainda debater questões comerciais e da aprovação da Formula One Management (FOM) para oficializar a entrada. Mohammed Ben Sulayem, presidente do órgão regulador, era um grande defensor da presença da Andretti no grid, inclusive.

Nesta mesma semana, a Andretti revelou que estava preparando um carro de F1 dentro das regras vigentes para ser desenvolvido em túnel de vento – ainda que estivesse aguardando o sinal verde da F1, que não veio. Desde outubro do ano passado, o time que leva o nome do campeão da F1 de 1978, Mario Andretti, usa as instalações da Toyota em Colônia e já preparava um programa de testes completo para 2025. 

Fórmula 1 retorna às pistas de 21 a 23 de fevereiro, com os testes coletivos da pré-temporada no Bahrein, no circuito de Sakhir.

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