Audi minimiza divisão de potência do motor da F1: “Não fizemos parte dessa decisão”
Mattia Binotto deixou claro que divisão igualitária entre motor a combustão e bateria não foi fator decisivo para entrada da Audi na F1, mas alertou que seria um erro mudar regras por questões políticas
A Audi não considera essencial manter a divisão de 50% entre potência elétrica e motor a combustão nos regulamentos da Fórmula 1 2026. A posição foi exposta por Mattia Binotto, chefe da equipe alemã, que indicou abertura da fabricante para mudanças no pacote técnico em meio ao debate sobre ajustes nas regras já na atual temporada. Entretanto, alertou para motivações políticas em discussões.
O tema será discutido em uma reunião nesta segunda-feira (20) entre equipes, montadoras, Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e F1. O encontro tem como objetivo encontrar soluções para problemas identificados nas primeiras corridas de 2026, especialmente ligados à gestão de energia e à segurança em pista.
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Entre as propostas analisadas estão o aumento da potência do super clipping para 350 kW, a redução do limite de recarga por volta — podendo chegar a 6 MJ —, além de ajustes no uso da energia da bateria e nas regras de aerodinâmica ativa. As mudanças visam reduzir diferenças extremas de velocidade entre carros e melhorar o espetáculo, sobretudo em classificações.
Apesar do consenso sobre a necessidade de ajustes, a aprovação não é simples. Alterações no regulamento podem impactar diretamente o equilíbrio competitivo, o que gera resistência de equipes que atualmente levam vantagem. Mercedes, por exemplo, tende a rejeitar mudanças que reduzam o desempenho da unidade de potência, enquanto Ferrari pode preferir manter características que favorecem largadas fortes.

Nesse cenário, um dos pontos mais sensíveis é justamente a divisão igualitária entre motor elétrico e combustão. Há avaliações de que reduzir o peso da parte elétrica ou aumentar o papel do motor a combustão poderia amenizar problemas de falta de energia ao longo das voltas — mas qualquer alteração nesse equilíbrio mexeria em um dos pilares do regulamento que atraiu novas fabricantes.
Ainda assim, Binotto minimizou a importância desse fator para a entrada da Audi na F1. Segundo o dirigente, a decisão da marca esteve ligada a um conjunto mais amplo de elementos técnicos.
“Audi não fez parte da decisão do 50/50. Isso veio antes. Quando decidimos entrar no campeonato, foi por conta de motores de alta eficiência, combustível sustentável, uma parcela significativa de eletrificação e a retirada do MGU-H, porque acreditávamos que isso eliminaria uma vantagem dos fabricantes já estabelecidos”, afirmou ao portal The Race.
Para Binotto, no entanto, há um risco de que o debate seja contaminado por interesses políticos. O chefe da Audi reconheceu que eventuais ajustes podem beneficiar algumas equipes mais do que outras, mas destacou que esse tipo de consequência faz parte da natureza da F1.

“Seria ruim se esse debate se tornasse político, porque todos têm interesse em tornar o esporte o melhor possível. Fazemos parte de um grande negócio e precisamos mantê-lo forte. Se virar político, quem fizer isso estará errado”, disse.
“Haverá soluções que podem afetar mais um time do que outro. Mas isso faz parte do desafio”, concluiu.
A Fórmula 1 entrou em hiato após a suspensão dos GPs do Bahrein e da Arábia Saudita e retorna no fim de semana de 1º a 3 de maio com o GP de Miami.
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