Bortoleto tem largadas como calcanhar de Aquiles em início nublado na F1 2026
Gabriel Bortoleto teve uma boa atuação no GP da Austrália, mas os GPs da China e do Japão mostraram que o brasileiro ainda possui pontos que precisam ser melhorados
Gabriel Bortoleto começou a temporada 2026 da Fórmula 1 de forma diferente do que foi em 2025. Por não ser mais um novato e ter ido muito bem no GP da Austrália, o brasileiro deu indícios de que havia evoluído de forma considerável no segundo ano como piloto titular. Porém, após três etapas, sofreu algumas oscilações e teve o procedimento de largada como grande ponto fraco.
Com o campeonato ainda na fase inicial, não é simples cravar a ordem de forças das equipes do grid. Ranqueá-las, inclusive, é um desafio ainda maior no caso da Audi, uma vez que o time ainda sofre muito com a falta de confiabilidade, que muitas vezes compromete o desempenho ao longo de um fim de semana. Mas o fato é que a marca alemã começou a empreitada na Fórmula 1 de forma séria, e o R26 mostrou que tem potencial para, pelo menos, brigar com certa frequência pelos pontos. Algo que era difícil de imaginar, considerando que a equipe estreou na categoria fabricando a própria unidade de potência.
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Uma demonstração de maturidade por parte de Bortoleto veio logo no GP da Austrália. Aproveitando o bom ritmo da Audi, levou o carro ao Q3, embora não tenha completado uma volta sequer no último terço da classificação porque sofreu uma quebra. Assim, largando em décimo, fez uma corrida sólida para terminar em nono e marcar dois pontos.
Porém, é importante pontuar que, apesar da boa atuação durante a prova, Bortoleto teve dificuldades na largada e chegou a cair para 11º depois de perder posição para Fernando Alonso. A perda não foi muito significativa e teve pouco impacto no resultado final. No entanto, a situação foi mais grave no GP do Japão. Na ocasião, depois de largar em nono, Gabriel tinha boas condições de voltar a marcar pontos, mas novamente teve uma largada ruim e despencou para 13º.

A partir daí, em uma prova com poucas ultrapassagens, Bortoleto não conseguiu ganhar posições e cruzou a linha de chegada apenas em 13º, perdendo uma boa oportunidade de terminar mais uma vez no top-10.
Com a chegada do novo regulamento e o tempo de resposta um pouco maior do turbo, alguns carros apresentam certa dificuldade no início da prova. Porém, o histórico de Bortoleto de largadas ruins não é novo. Durante a temporada na F2, o brasileiro demorou algumas etapas para se acostumar com a embreagem do carro, e o mesmo aconteceu na F1, ainda com a Sauber, em 2025. Apesar da evolução notória no ritmo de corrida e de classificação, o procedimento de largada ainda parece ser um ponto fraco de Gabriel.
Para não atribuir toda a culpa ao piloto, é importante ressaltar que a própria Audi reconheceu que o carro ainda tem pontos fracos a serem resolvidos no início das corridas. A equipe, inclusive, aproveitou o dia de filmagens em Monza para realizar testes de largada com Nico Hülkenberg em diferentes pontos do circuito.
“Acredito que a maior parte da nossa desvantagem reside no motor e na falta de velocidade nas retas. Podemos usar a energia para compensar, mas quando as baterias se esgotam, não resta muita coisa. Portanto, precisamos analisar os dados com cuidado para não chegarmos a uma conclusão precipitada. Mas em termos de energia total, a forma como a utilizamos e a velocidade nas retas não são o nosso ponto forte no momento”, explicou o chefe Mattia Binotto.

“Então, se você usar toda a energia e, de alguma forma, descarregar as baterias, ficará vulnerável a ultrapassagens. Isso faz parte do nosso processo de aprendizado nessas corridas de edição limitada. Precisamos analisar os dados com o piloto, entender a melhor forma de mitigar, não apenas resolver, mas minimizar essas situações, e então veremos o que é possível para o futuro próximo”, concluiu Binotto.
Portanto, está claro que a largada ainda é um dos pontos fracos tanto de Bortoleto quanto da Audi na Fórmula 1. O problema, no entanto, não parece ser dos mais complexos e pode ser solucionado em curto prazo. Caso isso aconteça, tanto Gabriel quanto Nico terão ainda mais condições de brigar pelo top-10 em 2026.
Individualmente falando, a primeira corrida de Bortoleto em 2026 foi muito positiva. Porém, a sequência na China e no Japão mostraram que ainda existem algumas arestas que precisam ser aparadas para que o brasileiro dê um passo adiante e mostre a consistência que se espera de alguém que foi campeão nas categorias de base e é bem visto em um projeto sério como o da Audi.
A Fórmula 1 entrou em hiato após a suspensão dos GPs do Bahrein e da Arábia Saudita e retorna no fim de semana de 1º a 3 de maio com o GP de Miami.
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