Áustria mostra que novo protocolo e falta de torcida passam batidos se corrida for boa

Se a transmissão do futebol passa a impressão constante de que falta algo, na Fórmula 1 a ausência de público nas arquibancadas parece ter solução: a disputa na pista ser boa o suficiente para que tal vazio não seja lembrado

Escrevo esse texto após 10 minutos do início de Fluminense x Botafogo, pelo Campeonato Carioca, e depois de quatro horas do final do GP da Áustria de Fórmula 1. Por que comento isso? Bem, pelo que ouço e pelo que ouvi.

O que ouço, no presente, são os gritos dos jogadores no gramado do Nilton Santos, as pancadas na bola, o apito do juiz mais nítido do que nunca. O que ouvi pela manhã… Bem, o de sempre. Esse é meu ponto.

Ambos os esportes, futebol e automobilismo, são disputados no momento sem torcida em suas arquibancadas. Talvez nem devessem ocorrer, principalmente os que têm o Brasil como sede, mas essa é outra discussão. O pronto é que não há público e, por consequência, há um vazio.

Mas um silêncio é mais ensurdecedor que o outro.

Alexander Albon diante das arquibancadas vazias (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)

É o do futebol, no caso. Comemorações de gols sem vibração da torcida e bola rolando sem cantos vindos das arquibancadas dão a impressão de um esporte desinteressante, que ninguém se preocupou em ver de perto. Mesmo da sala de casa, a imersão ao espetáculo é diminuta.

Na Fórmula 1 (uma corrida apenas, análise aceitando o imediatismo), não foi isso que senti (e pontuo o uso de primeira pessoa porque impressões são, claro, variadas).

Se a corrida fosse monótona, talvez eu passasse a transmissão observando – ou até mesmo ‘caçando’ – os problemas. “Ah, essa arquibancada sem nada”, “olha essa marca de cerveja no lugar onde estaria a torcida laranja”, “esse pódio afastado, sei não…”

Mas a corrida foi boa! Agitada, imprevisível, com variações em todo o grid – o tempo todo. Não deu sequer tempo de lembrar que os protocolos eram diferentes, que a torcida não estava lá…

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Pódio do GP da Áustria de 2020 (Foto: AFP)

A Fórmula 1 também tem um diferencial: o barulho dos motores. Na TV, o tempo todo tem motor roncando – quando a torcida está presente, ela só é parte da transmissão quando um grande bloco (o ‘mar laranja’ por exemplo) é filmado vibrando (no caso específico, em uma ultrapassagem de Max Verstappen). De resto, a torcida é mais visual do que algo importante em áudio.

Por isso, a impressão que tive foi a de que um bom ‘pacote’ faz com que esqueçamos as mudanças protocolares: tendo emoção na pista, variação de imagens por todo o grid, disputas o tempo todo mostradas, estratégias sendo explicadas pela equipe de transmissão, imagens dos boxes e dos pit-stops, a arquibancada se torna quase irrelevante.

Já sobre as entrevistas distanciadas e mascaradas, se o conteúdo for bem entregue, não me importo em como ele é produzido. E daí que Lando Norris comemorou o pódio inédito de máscara, se a felicidade foi exposta no abraço carinhoso com Zak Brown (chefe da McLaren) e no champanhe jogado no rosto?

Lando Norris celebra o terceiro posto na Áustria (Foto: F1)

Esporte é ambiente, também, e o da F1 parece um dos mais propícios a dar certo no mundo alterado e maluco em que vivemos atualmente.

Até a primeira corrida ruim do ano. Aí o chato, eu mesmo, vai vir aqui criticar.

Paddockast #68 | O que eperar da F1 2020?
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