Éric Boullier chegou à McLaren consagrado pelo trabalho desenvolvido à frente da Lotus, uma equipe média, mas que se colocou entre os times de ponta entre 2012 e 2013, graças, sobretudo, a Kimi Räikkönen e a James Allison, dois pilares do antigo time aurinegro e que hoje estão na Ferrari. Por sua vez, o engenheiro aeroespacial francês foi contratado pela McLaren para assumir o posto de diretor de corridas que, na prática, é o de chefe de equipe. Hoje com 42 anos, Boullier acabou sendo um dos focos das críticas dos fãs e de especialistas por conta da má fase da McLaren na temporada passada. Mas o gaulês entende que vem desempenhando um bom trabalho na gestão de uma das mais tradicionais equipes da F1.
Em entrevista ao site ‘F1i.com’, Boullier comentou que precisou mudar a estrutura da equipe praticamente do zero. Um dos fatores que levou a reformular o organograma do time diz respeito ao ego: “Era muito grande”, revela o engenheiro. Ao lado de Jonathan Neale, hoje interino no posto de diretor-executivo e futuramente substituído por Jost Capito, Boullier responde a Ron Dennis pelo seu trabalho à frente da McLaren.
Mas, ao menos na visão do francês, se as coisas dentro das pistas não vão bem, fora delas, a evolução foi nítida.
Éric Boullier se vê como artífice de uma pequena revolução na McLaren. Ao menos, nos bastidores (Foto: McLaren)
“Larguei o organograma anterior porque era muito complicado de entender, o ego do pessoal era muito grande. Comecei quase do zero para torna-lo o melhor possível. Foi aos setores da equipe para conhecer o pessoal e ver as deficiências e os pontos fortes da McLaren. Era mais uma empresa de engenharia do que de corridas. Havia reuniões com 40 pessoas discutindo detalhes insignificantes, de modo que tive de equilibrar as coisas. Tive de fazer com que diferentes divisões voltassem a se comunicar”, comentou o dirigente, que explicou exatamente suas funções como diretor de corridas da McLaren e também a estrutura atual do time.
“Dirijo o programa de F1 da McLaren junto a Jonathan Neale, e ambos nos reportamos diretamente a Ron Dennis. Estou a cargo da equipe de corridas e lidero os departamentos técnico, esportivo e jurídico. Além disso, represento a McLaren junto à FIA e ao Tribunal Internacional, bem como perante a imprensa”, disse.
“O departamento comercial fica a cargo de Ekrem Samy, o diretor comercial da equipe, de modo que posso me concentrar no aspecto esportivo e de engenharia. Posso fazer mudanças nas áreas que julgar conveniente para tornar a equipe mais competitiva”, assegurou, afirmando que tem ‘carta branca’ de Ron Dennis para agir. “Tenho independência e sou livre para tomar decisões, mas devo lhe informar. Trabalho com quem fundou tudo isso, ainda que isso não evita que ele possa ir a uma determinada manhã à oficina”, lembrou.
Uma das tarefas do engenheiro francês foi contornar a crise com a Honda de Yasuhisa Arai (Foto: McLaren)
Boullier entende que tem alcançado êxito na sua tarefa de gestor da McLaren. “Queríamos dar um objetivo técnico e de rumo evidente ao grupo. Agora temos um grupo eficiente com o diretor-técnico da McLaren, Peter Prodromou, e Guillaume Cattelani no departamento de aerodinâmica, também. Levamos meses para termos tudo desta forma.”
“Todo mundo se sente parte disso porque eles sentem que suas opiniões contam. Estive nos seis primeiros meses escutando os aerodinamicistas, agora eles apenas vêm me ver. Em 2014, encontrávamos dois pontos de aerodinâmica em duas semanas. Agora, encontramos dez neste mesmo período”, comemorou.
“Pode soar meio paradoxal, mas uma boa maneira de conduzir a equipe também significa estar em seu lugar. Quando você está muito ocupado, não dá para atender todo mundo, embora alguns assuntos requeiram sua presença. Me consultam para a estratégia de corrida, às vezes me perguntam sobre a chamada aos boxes, se uma volta antes ou depois”, explicou o francês, que reforçou sua formação, obtida no Instituo Politécnico de Ciências Aplicadas da França, onde estudou engenharia aeronáutica e aeroespacial.
“Meus estudos de engenharia, que se especializaram em aeronáutica, me deram habilidades de direção e entendimento sobre o aspecto técnico da F1”, concluiu, garantindo que tem toda a capacidade para estar à frente de um dos maiores times da história do esporte.
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