Sainz descarta conflito com filho na F1 ao avaliar candidatura à presidência da FIA
Carlos Sainz garantiu que se afastará da carreira do filho na Fórmula 1 caso concorra à presidência da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e destacou intenção de criar relação harmoniosa com setores do esporte
Carlos Sainz voltou a falar abertamente sobre a possibilidade de se candidatar à presidência da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e negou qualquer risco de conflito de interesse pela presença do filho na Fórmula 1. Garantiu que a relação familiar não afetaria a imparcialidade exigida pelo cargo e reiterou que está avaliando seriamente lançar candidatura para a eleição marcada para 12 de dezembro, durante Assembleia Geral da entidade, no Uzbequistão.
O multivencedor do Dakar e do Mundial de Rali recebeu apoio de “figuras importantes do automobilismo” e confirmou na quarta-feira (7) a intenção de concorrer. É o primeiro a oficializar interesse a se opor a Mohamed Ben Sulayem. Susie Wolff chegou a ser especulada, mas não demonstrou desejo.
“Tenho um histórico claro, me conhecem o suficiente para saber que a relação com Carlos não será obstáculo”, afirmou Sainz ao Motorsport.com. “Obviamente, terei de me afastar do papel que tenho com a carreira dele, mas não é problema. Já está na F1 há dez anos. Se seguir com esse projeto, nosso relacionamento vai mudar, claro, mas a FIA é uma entidade muito séria e não haverá conflito”, garantiu.
Ainda revelou que o projeto de se candidatar não surgiu agora e reforçou a motivação de retribuir ao automobilismo. “Essa ideia vem amadurecendo há algum tempo. Estou confiante de que posso fazer bom trabalho e montar uma excelente equipe. Seria minha forma de retribuir tudo o que o esporte me deu”, explicou.

O mandato de Sulayem foi marcado por inúmeras controvérsias. Robert Reid, que era vice-presidente de esportes da FIA e foi membro-chave da equipe nas eleições de 2021, entrou em rota de colisão com o emiradense e renunciou ao cargo pois “não queria servir ao poder” e disse que o automobilismo “merece uma liderança responsável e transparente”.
Em fevereiro, vários membros da FIA foram impedidos de participar de uma reunião do conselho mundial após se recusarem a assinar um acordo de confidencialidade. Reid foi um dos que se recusaram a assinar, juntamente com David Richards, representante do Reino Unido, que posteriormente emitiu uma carta aberta na qual deixou claro que um número crescente de pessoas tinha preocupações com a governança atual da FIA.
Embora evite críticas diretas ao atual presidente, Sainz admitiu que a FIA passou por controvérsias recentes. Além disso, garantiu que seu principal objetivo seria reconstruir a confiança entre FIA e diversos setores do esporte a motor.
“Nos últimos tempos, houve alguma polêmica, mas quero focar em mim mesmo. Se entrar nessa, será por paixão e amor ao automobilismo, porque acredito que posso ajudar e melhorar”, disse. “Estive do outro lado e sei como é importante ouvir todo mundo: pilotos, equipes, fãs, organizadores, promotores e fabricantes. Acredito que posso tornar essa relação mais sólida e harmoniosa. Quero ver a FIA como uma entidade respeitada e valorizada por todos”, reforçou.
“Sei que, quando me comprometo com algo, faço de forma profissional e séria. Mas, no fim, a decisão será da comunidade do automobilismo”, concluiu.
A Fórmula 1 retorna de 16 a 18 de maio para o GP da Emília-Romanha, em Ímola, o primeiro da temporada 2025 na Europa.
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