CBA reforça “apoio desportivo” a Massa, mas vê busca por título de 2008 “difícil”

Na semana em que o escândalo do GP de Singapura completa 15 anos, o GRANDE PRÊMIO ouviu também a posição da CBA sobre o caso de Felipe Massa, que busca o reconhecimento do título, depois que Bernie Ecclestone revelou que já sabia da manipulação da corrida asiática ainda em 2008. A entidade nacional garantiu o apoio "na esfera da FIA" ao brasileiro

A CBA (Confederação Brasileira de Automobilismo) assegurou o apoio desportivo à empreitada que Felipe Massa conduz para tentar o reconhecimento do título de 2008 na Fórmula 1. O brasileiro se “sente vítima de uma conspiração” em decorrência da manipulação de resultados do GP de Singapura de 15 anos atrás, particularmente após saber que o ex-chefão do Mundial, Bernie Ecclestone, tinha conhecimento do caso ainda naquele ano e nada fez. Com base nisso, Massa busca na justiça a revisão daquele campeonato.

No dia 27 de setembro de 2008, Nelsinho Piquet rodou e bateu forte na volta 14 do GP de Singapura. O acidente trouxe o safety-car à pista e beneficiou diretamente Fernando Alonso, que ganhou a corrida. Ambos eram companheiros de equipe na Renault. Um ano depois, veio à tona a verdade sobre aquele episódio: o filho do tricampeão havia batido de propósito, para ajudar o colega espanhol a vencer. Tudo isso em um plano idealizado pelos chefes da esquadra francesa, Flavio Briatore e Pat Symonds. A história foi investigada à época. Os dois dirigentes foram punidos, enquanto os pilotos saíram ilesos. Só que uma declaração de Ecclestone neste ano reavivou o caso que agora pode parar nos tribunais, uma vez mais.

O GRANDE PRÊMIO ouviu o presidente da CBA, Giovanni Guerra, sobre a ação de Massa. O dirigente brasileiro reforçou o apoio desportivo à causa do piloto. “Ele já havia me falado antes sobre o que pretendia fazer e eu disse que estava no direito dele em fazer isso.”

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Nelsinho Piquet bateu no maior escândalo da história da F1 (Foto: Reprodução/F1)

“Entendo que houve uma manipulação, e isso é público e notório. E eu, como presidente da CBA e amigo de Felipe, estou junto com ele. É difícil? É difícil. Mas se ele é um piloto brasileiro e está filiado à confederação, é claro que vou apoiá-lo e torcer para que as provas sejam consistentes a ponto de virar”, completou em entrevista ao GP.

Ao ser questionado sobre o que poderia fazer no âmbito da entidade que rege o esporte no Brasil, Guerra falou sobre a ligação com a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) — entidade superior e na qual a CBA está filiada — e se colocou à disposição para uma conversa, apenas do “lado esportivo”.

“O que eu posso fazer, em tese, dentro do meu limite é: atuar na esfera da FIA. Penso que não seria oportuno o presidente da CBA tratar desse assunto com a F1 ou com a FOM, apesar do nosso bom relacionamento. O que tenho feito, evidentemente, é manter contato com a minha entidade superiora, que é a FIA. Só que a posição da FIA agora é uma incógnita. Eu também não sei. Não há como saber o que está sendo feito. Mas o que posso dizer — e foi o que disse ao Felipe — é que estou ao lado dele do ponto de vista desportivo, sem qualquer participação em questões políticas e econômicas.”

“Eu sou uma pessoa de conversa, de consenso. Acredito que tudo pode ser resolvido com conversa. Eu não quero trabalhar para tirar título de ninguém, mas eu, Giovanni Guerra, gostaria de conversar entre as partes. A princípio, eu estou disposto a ajudar o Felipe a conversar. E seria uma conversa apenas com a FIA. O que posso falar sobre a FIA hoje é que não há nada contra e nem a favor do Felipe Massa. O presidente está esperando ver o que vai acontecer. Mas evidente que, se eu tivesse acesso a isso, gostaria de ter uma conversa desportiva”, completou o presidente da CBA.

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Mohammed Ben Sulayem, presidente da FIA, ao lado de Giovanni Guerra, presidente da CBA (Foto: Luca Bassani)

Por fim, Guerra esclareceu também que “neste momento, estamos deixando as coisas acontecerem, para avaliar de que forma eu vou conseguir ajudar. A CBA precisa entender o que, de fato, pode fazer para ajudar o Felipe, do lado desportivo”.

O GRANDE PRÊMIO questionou a FIA sobre o caso de Massa, mas a entidade “não tinha uma resposta oficial” no momento que foi procurada.

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Confira o comunicado da CBA sobre o caso Massa:

“Por princípio, tendo em vista que a razão de sua existência é o Piloto Brasileiro, é dever da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) apoiar incondicionalmente e dar suporte institucional a todo pleito dirigido à FIA por seus filiados e, neste caso, há uma motivação adicional de caráter pessoal [do presidente] em contribuir desportivamente com Felipe Massa”.

“Neste sentido, o presidente já manifestou seu apoio no âmbito da FIA – e junto ao próprio piloto – exclusivamente na esfera esportiva. Frise-se ‘esportiva’ porque a CBA e seu presidente não têm qualquer envolvimento, interesse e benefícios em eventuais pleitos econômicos, políticos e judiciais”.

“O presidente da CBA considera legítimo e pertinente o pleito do ex-piloto da Ferrari e, como esportista, o dirigente entende ser o brasileiro o verdadeiro campeão mundial de Fórmula 1 de 2008”.

“Destaca, porém, que tal posicionamento de forma alguma desmerece o piloto Lewis Hamilton, que exerceu sua atividade de forma competente e longe dos acontecimentos que geraram a discussão que ora se apresenta”.

“Apesar de Felipe Massa já ocupar um honroso lugar no pódio dos grandes ídolos brasileiros no automobilismo internacional, a hipótese de ser considerado oficialmente o campeão mundial de 2008 representaria um estímulo adicional às novas gerações de pilotos brasileiros que estão sendo formadas no kartismo e nas categorias-escola de monopostos, notadamente a Fórmula 4 e, complementarmente, seria auspiciosa manifestação de justiça”.

“Para além do campo esportivo e de cidadania, essa correção histórica, mesmo que tardia, representaria outro motivo de honra para a Gestão Giovanni Guerra, eleita em 15 de janeiro de 2021, uma vez que, de lá para cá, já pudemos comemorar os títulos mundiais de Kart (Matheus Morgatto), Fórmula 2 (Felipe Drugovich) e Fórmula 3 (Gabriel Bortoleto).

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