Chefe da Red Bull corteja e vê Renault mudada e com “ar fresco” em nova gestão

Christian Horner pediu clareza na situação dos motores para a Red Bull até o fim do ano e avisou que, com a anunciada saída da Honda, é preciso “considerar todas as possibilidades”

O anúncio da saída da Honda do Mundial de Fórmula 1 depois da temporada 2021 provocou uma situação inesperada para a Red Bull. Estabilizada e em um casamento que já rendeu quatro vitórias, além do triunfo no GP da Itália com Pierre Gasly a bordo da AlphaTauri, a união vai se encerrar em pouco mais de um ano e vai levar os taurinos a ir atrás de uma nova fornecedora de motores. Em que pese o fato de a Honda ter se disponibilizado para transferir a tecnologia das suas unidades de potência, Christian Horner não esconde que o momento é de considerar todas as hipóteses. Até mesmo reeditar o casamento com a Renault.

A aliança entre Red Bull e Renault teve início em 2007, ainda quando a equipe fazia parte do pelotão intermediário da Fórmula 1. Juntas, conquistaram nada menos que oito títulos mundiais, sendo quatro do Mundial de Pilotos, com Sebastian Vettel, e quatro de Construtores, entre 2010 e 2013. Mas a falta de potência e confiabilidade das novas unidades motrizes no início da era híbrida, a partir de 2014, abalou as estruturas da união, que ficou prestes a ruir.

Christian Horner cortejou a antiga parceira, comandada na F1 por Cyril Abiteboul (Foto: Red Bull Content Pool)

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A partir de 2016, e pelos dois anos seguintes, o acordo com os franceses acabou sendo renovado muito por conta da negativa de Ferrari e Mercedes em fornecer motores para a Red Bull. As unidades de potência foram rebatizadas com o nome de um dos patrocinadores da equipe de Milton Keynes, a TAG Heuer. Entre muitas críticas, alfinetadas nos bastidores e até uma quase agressão no paddock do GP do Brasil, Renault e Red Bull se separaram de vez no final de 2018. Desde então, a Honda é a parceira dos taurinos, e assim será até o fim de 2021.

Mas Horner tratou de cortejar a antiga parceira, que desde julho tem um novo comando, liderado pelo italiano Luca de Meo como CEO. “A Renault mudou muito desde que nós saímos. Há uma nova gestão, que está trazendo ar fresco e mudanças. Isso está impulsionando a Renault”, disse o dirigente em entrevista à emissora austríaca Servus TV.

De acordo com o regulamento esportivo da FIA (Federação Internacional de Automobilismo), caso alguma equipe, em junho de 2021, ainda não tenha acordo de fornecimento de motor para 2022, a federação pode designar a fabricante de motores com menos cliente para assumir o trabalho. Como a Renault entra 2021 fazendo motores apenas para si própria, seria ela.

Cyril Abiteboul, diretor e chefe da Renault na Fórmula 1, afirmou que seria estranho reeditar a parceria, mas se mostra disposto a cumprir a regra, caso seja necessário.

Sobre o futuro ainda incerto quanto aos motores, o chefe da Red Bull pediu pressa para definir logo quem vai ser o novo fornecedor da equipe para o ano que chega como uma revolução na Fórmula 1 com a adoção de novos regulamentos técnico e esportivo a partir de 2022.

“Precisamos ter clareza até o fim do ano. Claro que temos de considerar todas as possibilidades, todas as opções. Mas, no fim das contas, [Dietrich] Mateschitz [dono da Red Bull] tem de decidir como as coisas vão ser, mas é importante ter potência suficiente para desafiar a Mercedes nos anos que estão por vir”, salientou.

“Não nos resta muito tempo, porque já é outubro”, alertou Horner.

O dirigente aproveitou a entrevista para avisar que o contrato de Max Verstappen, previsto para ir até o fim de 2023, não é influenciado pela mudança no fornecimento de motores da Red Bull.

“Não existe cláusula em seu contrato. Os contratos entre o piloto e a equipe são privados. Mas, definitivamente, não há cláusula relacionada ao motor no contrato de Max”, disse.

Christian aproveitou para elogiar o pupilo e entende que o holandês segue motivado na Red Bull para buscar seu grande objetivo: lutar pelo título. “Ele é competitivo, se sente muito à vontade com a equipe e acredita firmemente no programa Honda. No ano que vem, vamos dar mais um passo em frente. Ele está feliz, e ainda há um longo caminho a percorrer até 2022”, concluiu.

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