Chefes de equipe da F1 defendem rodízio de comissários e rejeitam ideia da Haas

Chefe da Haas, Guenther Steiner, defendeu volta de comissários permanentes nas corridas da Fórmula 1 após punição a Nico Hülkenberg no GP de Mônaco. Entretanto, proposta não teve apoio de chefes de equipes rivais

A bronca de Guenther Steiner com os comissários da Fórmula 1 ganhou mais um capítulo no início desta semana. O chefe da Haas pediu para que a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) colocasse comissários permanentes nas provas, mas a solicitação não ganhou apoio de chefes de equipes adversárias e com isso não chegou a ser votada.

A disputa começou no GP de Mônaco, realizado na última semana de maio. Nico Hülkenberg foi punido por uma colisão na primeira volta e Steiner não gostou. Em entrevista após a corrida, chamou os comissários de “leigos” e e questionou o critério de julgamento aplicado pela direção de prova, dizendo que houve incidentes semelhantes em Miami, entre Nyck de Vries e Lando Norris, porém sem sanção. O chefe da Haas chegou, até mesmo, a ser convocado pela FIA por infringir o Código Esportivo Internacional com o tom das críticas.

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“Chegou a hora, estamos discutindo isso há anos e sempre voltamos a isso. Todos os outros esportes têm árbitros profissionais. Corridas americanas, Nascar, Indy… Quantas vezes você ouve problemas com os comissários ou com as decisões dos diretores de prova? Muito raramente. Mas eles estão fazendo de uma forma completamente diferente. Há pessoas em tempo integral trabalhando lá”, ponderou Steiner ao defender a sua proposta de comissários permanentes.

Nico Hülkenberg foi punido após colisão na primeira volta do GP de Mônaco. Guenther Steiner não gostou (Foto: Haas F1 Team)

A declaração do engenheiro italiano foi rebatida pelos chefes de equipes rivais. O primeiro a se posicionar contrário foi Franz Tost, da AlphaTauri, que ainda destacou o pequeno número de comissários usados pela F1 ao longo de uma temporada.

“Até agora, neste ano, os comissários tomaram decisões corretas. Na maioria das vezes, os comissários são bem conhecidos. Não é em cada corrida que eles são completamente novos. Eles mudam de vez em quando, mas você sempre vê as mesmas caras”, apontou Tost.

“É sempre a mesma história: se uma equipe tem problemas, por qualquer motivo, então depois eles dizem que os comissários são culpados. Os comissários não são culpados. Se fizermos nosso trabalho de maneira correta, não acho que os comissários causem problemas”, completou.

O ex-chefe da McLaren, Andreas Seidl, também se posicionou contrário ao argumento de Steiner e afirmou que os responsáveis pelas equipes “confiam na FIA”. Por sua vez, Mike Krack, da Aston Martin, não quis opinar sobre o assunto e disse que “gostaria de deixar isso para a FIA decidir”.

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Comissários avaliam infrações ao longo da corrida. Desde a temporada 2022, é feita uma rotação desses profissionais a cada corrida (Foto: Divulgação / F1)

Outro que se mostrou a favor da rotação de comissários foi Toto Wolff, da Mercedes. Em 2021, o chefe austríaco se envolveu em acaloradas discussões com o então diretor de provas, Michael Masi, principalmente após o GP de Abu Dhabi, no qual as decisões controversas levaram ao título de Max Verstappen, da Red Bull, e ao vice de Lewis Hamilton. Diante dos episódios daquele ano, a FIA decidiu pela mudança de comissários a cada etapa da temporada de F1.

“Nunca tive dúvidas sobre o sistema, tive dúvidas sobre indivíduos. E acho que, como comissário e diretor de prova, você tem uma pressão imensa para fazer as coisas certas e provavelmente cada decisão terá alguém que goste e outro que não goste. Então, acho que eles estão apenas tentando fazer o melhor que podem e precisamos apoiar a FIA onde pudermos”, disse Wolff.

Esta não foi a primeira vez que Steiner entrou em uma cruzada contra os diretores de prova. Em 2019, após o GP da Rússia, o dirigente italiano foi multado por esbravejar pelo rádio contra um comissário de pista, chamando-o de “estúpido e idiota” por punir Kevin Magnussen por ignorar os limites de pista. Já em 2021, ele fez críticas contundentes ao diretor do GP dos Estados Unidos após ter recebido um prazo incorreto para a apresentação de um protesto, o que resultou no indeferimento.

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