Chuva no Canadá embaralha sexta-feira de treinos livres na F1 e vê Red Bull em apuros

A chuva foi a protagonista da sexta-feira de treinos livres da Fórmula 1 em Montreal, onde acontece o GP do Canadá. A precipitação marcou presença nas duas sessões e bagunçou a folha de tempos a ponto de ser impossível traçar uma ordem mais precisa de forças. Mas há algo de concreto neste dia, e isso diz respeito à Red Bull. A falha na unidade de potência recém trocada de Max Verstappen serviu para ligar uma luz forte de alerta nos boxes taurinos

Pouco se pode falar da sexta-feira (7) de treinos livres da Fórmula 1 no Canadá. Quer dizer, em termos de hierarquia de forças, porque a chuva que se fez presente em ambas as sessões acabou por mascarar o desempenho dos principais nomes da temporada. Foi um dia inconclusivo, portanto, mas que deixou a sensação de que a Red Bull tem muito o que resolver ainda — de novo. Max Verstappen enfrentou uma falha na unidade de potência e precisou abandonar o segundo treino livre. Enquanto isso, um oportunista Fernando Alonso aproveitou a chance para liderar o dia.

É bem verdade que a Red Bull chegou ao Canadá tentando se afastar de qualquer favoritismo, baseado nos problemas enfrentados em Mônaco. As curvas de baixa velocidade, zebras altas e ondulações são as grandes preocupações dos taurinos, mas o primeiro dia de atividades em Montreal apresentou emoções mais fortes. A equipe havia decidido trocar a unidade de potência do tricampeão como uma precaução, só não contava com um contratempo de cara. Minutos depois do início do TL2, o neerlandês sentiu cheiro de fumaça e tratou de levar o carro de volta aos boxes, já em chamas. Terminou o dia no 18º posto da tabela — é o terceiro fim de semana seguido na temporada que os austríacos têm problemas logo de início.

Imediatamente, os mecânicos da esquadra dos energéticos se perfilaram na entrada da garagem, para que fosse possível mexer no carro sem xeretas. Deu trabalho para entender que o centro da falha estava ligado à parte híbrida. Assim, o dia acabou perdido para Verstappen — importante dizer que o primeiro treino também foi mal utilizado por conta da água que desabou sobre o circuito canadense pouco antes do começo das ações. E isso tornou tudo mais complicado.

Então, neste instante, é impossível dizer em que patamar está a Red Bull. “Não é o ideal, gostaria de ter andando mais e feito mais voltas. Alguns pilotos completaram mais voltas no seco, outros mais voltas no molhado. Definitivamente não é como gostaria que o TL2 tivesse acontecido, mas foi assim que aconteceu. Agora é importante descobrir exatamente o que aconteceu e as razões, se terá consequências no resto do fim de semana ou até mesmo para o campeonato”, disse Max após a sessão.

Fumaça no carro de Verstappen durante o TL2 no Canadá (Vídeo: Reprodução/F1)

De fato, é uma preocupação válida. A Red Bull havia trocado o motor a combustão interna, turbo e MGU-K, sendo que a bateria havia sido usada antes. Agora, começa um processo de controle de prejuízo, sem saber ainda o quanto isso pode interferir no andamento da temporada. Chefe do time austríaco, Christian Horner confirmou que “foi um problema no ERS. Isso será algo que mudaremos amanhã, mas não tivemos tempo suficiente para fazer hoje. Perdemos tempo, mas com a chuva também não foi um treino muito útil”.

Esse é o ponto de certa sorte dos líderes do Mundial. Ainda há tempo de recuperação, mas será preciso um pouco mais de torcida pelo caos, especialmente na classificação deste sábado.

Mas se a Red Bull se viu em apuros, as rivais Ferrari e McLaren souberam levar o dia de forma menos dramática e mais assertiva — as duas parecem muito fortes novamente. Inclusive, ambas optaram por um programa técnico semelhante. Ou seja, olhando mais para a corrida de domingo do que para voltas de classificação. Charles Leclerc, que fechou o dia em quarto, focou o trabalho nos pneus médios, enquanto Carlos Sainz andou em condições de prova. A equipe inglesa fez o mesmo com seus dois pilotos, que saíram à pista com carros mais pesados. Aproveitando, claro, para avaliar o desempenho em condições adversas, como parece ser o caso no fim de semana.

“Sexta-feira bem canadense nesta época do ano, com o clima mudando bastante, alternando entre tempo seco e chuvoso”, afirmou Sainz após as atividades no Canadá. “Apesar da mudança na pista o tempo todo, conseguimos andar o máximo que deu e fizemos alguns trechos decentes tanto de slicks quanto de composto intermediário”, acrescentou.

“No entanto, não é fácil tirar muitas conclusões das sessões, por isso precisamos focar em nós mesmos para estarmos muito bem preparados para amanhã”, completou Sainz, que foi o segundo colocado na primeira sessão, porém a atividade foi muito comprometida pelo temporal que desabou sobre Montreal instantes antes. Os boxes só foram liberados com quase meia hora de tempo já transcorrido, e ainda teve uma bandeira vermelha no meio caminho. A liderança ficou com Lando Norris — na segunda sessão, o inglês ficou em último. Já no TL2, o espanhol foi o 13º.

Diferente de Ferrari e McLaren, Aston Martin e Mercedes investiram mais nas voltas únicas, andaram de pneus macios, tentando entender a classificação, mas sem tirar da conta o fato de que a chuva será uma aliada importante neste sábado. Importante dizer que a equipe verdinha aproveitou bem as condições adversas e exibiu um ritmo interessante, confirmado pela terceira posição de Lance Stroll. Já a esquadra alemã preservou as peças novas, mas se mostrou veloz em cima dos compostos vermelhos. George Russell foi o segundo colocado, com um giro limpo e sem erros, enquanto Lewis Hamilton fechou em sétimo, depois de ter sido atrapalhado durante a simulação de volta única.

Ainda assim, Alonso aposta na balbúrdia. “Não foi um dia muito útil para todos. Acho que houve algumas voltas no TL1 e outras no TL2. Não tivemos condições de pista seca ou molhada em nenhum momento, estávamos no meio do nada, então não há muito o que dizer. Mas essas podem ser as condições que encontraremos na corrida, portanto, teremos de estar atentos. Nessas condições, às vezes você toma decisões um pouco aleatórias e precisa jogar cara ou coroa. Às vezes dá certo e às vezes dá errado. Espero que dê certo desta vez”, falou o dono do carro #14.

“Precisamos analisar os dados e ficar muito atentos na classificação e na corrida. Acho que a decisão certa pode fazer você ganhar cinco segundos e, se for a decisão errada, você está fora da prova. Mas, para nós, sempre será uma aposta qual pneu colocar e em qual momento. Vamos ver se acertamos”, concluiu o bicampeão mundial.

Fernando Alonso aposta no caos para brilhar (Foto: Aston Martin)

Alonso resumiu bem o que esperar do sábado. Ainda sem uma noção clara da ordem de forças, a estratégia é tentar reagir rápido às mudanças do clima e da pista. Por enquanto, os serviços meteorológicos falam em 50% de chance de chuva no Canadá…

GRANDE PRÊMIO acompanha AO VIVO e EM TEMPO REAL todas as atividades do GP do Canadá de Fórmula 1 e transmite classificação e corrida em segunda tela, em parceria com a Voz do Esporte, na GPTV, o canal do GP no Youtube. Além disso, debate tudo que aconteceu na pista com o Briefing após treinos livres e classificação, além de antes e depois da corrida. No sábado (8), o TL3 será às 13h30, ao passo que a classificação oficial está marcada para as 17h. Por fim, a largada está marcada para as 15h do domingo. 

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