Clima, asfalto, táticas e grid: como GP dos EUA ganhou ar imprevisível

Desde o início do fim de semana em Austin, dois fatores se mostraram decisivos: o clima e a condição do asfalto. As baixas temperaturas e as ondulações desempenham um papel traiçoeiro e devem interferir na disputa deste domingo. Aliado a isso, está um cenário de estratégias distintas e um surpreendente equilíbrio no topo da tabela. Dessa forma, o GP dos EUA não tem favoritos

Se a sexta-feira tinha deixado a impressão de que a disputa poderia ser das mais acirradas, especialmente entre uma ainda irregular Ferrari e uma incerta Red Bull, com a ligeira vantagem de sempre da Mercedes, o sábado contou uma história melhor e ajuda a preparar um roteiro ainda mais interessante para a corrida deste domingo, que tem largada às 16h10 (hora de Brasília). Pois bem, a verdade é que há um equilíbrio maior entre as três principais equipes do grid, e isso se deve em partes à natureza do Circuito das Américas, ao excêntrico asfalto e ao clima. A combinação de tudo deve resultado em uma prova das mais parelhas desta segunda fase de temporada e, portanto, imprevisível.

 
Tudo começa, claro, com a formação do grid. Quem aí apostou em Valtteri Bottas na pole? De fato, o finlandês não tinha deixado sinal algum de que poderia roubar a cena no fim de tarde texano da F1, mas, como acontece de quando em quando, o nórdico emprestou um pouquinho da genialidade do companheiro de Mercedes para acertar uma volta sensacional, com direito a recorde de pista e tudo. Foi a quinta pole da temporada e, ainda que tardio, é uma reação interessante, diante da iminente derrota para Lewis Hamilton – que aliás, sai apenas em quinto. O inglês, embora tivesse mesmo dado a entender que poderia mais, não se encontrou na pista americana em nenhum momento no Q3, chegando a abortar a tentativa derradeira. Sem dúvida, será curioso ver o que fará saindo da terceira fila, tendo um título para fechar.
Valtteri Bottas tenta o impossível (Foto: Mercedes)
Entre Bottas e Hamilton, vão alinhar na ordem: Sebastian Vettel, Max Verstappen e Charles Leclerc. Todos os cinco ficaram separados por apenas 0s292, sendo que a diferença entre os três primeiros não chega a 0s1. Valtteri e Seb estão a só 0s012!  Nem a melhor das expectativas poderia adivinhar um grid tão apertado como esse em Austin. Mas como isso foi possível? Uma das explicações está no clima.
 
As temperaturas estiveram significativamente mais altas neste sábado à tarde do que na sexta-feira, por exemplo. Ao invés de 11ºC ou 12ºC, os termômetros superaram os 20ºC, e isso teve grande impacto na aderência, especialmente dos pneus macios e médios. Há uma tendência de que o clima permaneça assim, uma vez que a corrida também vai acontecer mais cedo do que a classificação – três horas antes, na verdade. Os ventos também devem desempenhar seu papel. Hoje, ajudaram os pilotos, mas amanhã pode ser uma história bem diferente em um traçado difícil e nada previsível.  
 
As extremas ondulações, que foram alvo de queixas e, literalmente, dores de cabeça, são também fatores que chamam atenção. A Red Bull, neste momento, tem o carro melhor lidar com a adversidade. Então, há a estratégia. Ou as estratégias.
Sebastian Vettel é o segundo no grid (Foto: AFP)
De cara, Mercedes e Ferrari optaram pela teórica segurança de iniciar a corrida com os pneus médios, enquanto a Red Bull se dividiu: Verstappen vai seguir as rivais, enquanto Alex Albon larga de pneus macios, como também o restante do top-10, o que pode dar uma cara bem interessante a esse começo de prova. 
 
Em tese, os pneus macios ainda são cerca de 1s por volta mais rápidos que os compostos médios. Em condições de corrida, espera-se que essa diferença de desempenho entre os dois compostos diminua significativamente, de acordo com a Pirelli.
 
Ou seja, há uma grande chance de a etapa em Austin repetir o que houve no ano passado, com variadas táticas, de um a dois pit-stops. 
 
"Excepcionalmente, é improvável que as condições da classificação sejam completamente representativas da corrida, já que o GP acontece antes. As condições mais quentes hoje se adaptaram melhor aos pneus: o resultado é um novo recorde. A batalha tática já começou com a Mercedes, Ferrari e a Red Bull de Max Verstappen optando por começar a corrida com pneus médios, à frente dos pneus mais rápidos, o que deve tornar as primeiras voltas interessantes amanhã. Teoricamente, a estratégia de corrida mais rápida é o uso de macio e médio", afirmou Mario Isola, o chefão da Pirelli.
 
Mas aqui é o ponto em que voltamos à sexta-feira. A Mercedes se apresentou melhor e mais consistente com os pneus brancos, os mais duros, assim como foi na Cidade do México. Portanto, o primeiro stint da corrida será importante para ver até onde podem ir os carros prateados. A Ferrari enfrentou mais dificuldades esses pneus, enquanto a força está nos médios, assim como a Red Bull. Mas e os macios? Os austríacos estão bem neste quesito, e a tática de Albon será um laboratório. 
Lewis Hamilton sai apenas em quinto, mas não pode ser descartado (Foto: AFP)
Será um novo jogo de xadrez, portanto. Com a dose extra de drama que a definição de um título agrega. Ainda mais quando o personagem principal não está exatamente de frente para os holofotes. 

A largada do GP dos EUA está marcada para 16h10 (horário de Brasília) deste domingo. O GRANDE PRÊMIO acompanha tudo AO VIVO e em TEMPO REAL.

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