Coluna Apex, por Andre Jung: Efeito Colateral

O destaque foi Kimi Räikkönen. Não por acaso aquele que melhor soube se virar para subir de posição. No pódio, o finlandês parecia impaciente e com razão. Se alguém ainda está merecendo vencer, esse alguém é ele.

 

(Ilustração: Marta Oliveira)

O GP da Hungria é sempre uma corrida polêmica. Com poucas ultrapassagens, ela desagrada muita gente. Os pilotos costumam gostar, o traçado tem um relevo interessante e proporciona uma pilotagem fluída, sem as insuportáveis chicanes a tirar o prazer da tocada.

Como a reta é curta, era de se esperar que, apesar da asa móvel, houvesse pouca troca de posições na pista. A estratégia foi a alternativa que os mais rápidos tiveram para evoluir na classificação.

Vou na contramão dos tantos que acharam a corrida chata. Para mim, o GP da Hungria foi interessante do início ao fim. Embora Hamilton tenha largado e terminado na ponta, daí pra baixo tudo foi mexido e mesmo a vitória do inglês nunca pareceu garantida.

O destaque foi Kimi Räikkönen. Não por acaso aquele que melhor soube se virar para subir de posição. No pódio, o finlandês parecia impaciente e com razão. Se alguém ainda está merecendo vencer, esse alguém é ele.

O ritmo que imprimiu quando saiu da quinta para a segunda posição, depois da segunda rodada de pit-stops, lembrou o jovem velocíssimo de uma década atrás. Sua frieza e autoconfiança não tem paralelo no grid.

Mas, apesar de seu desempenho surpreendente, acho uma notícia plantada essa história de uma possível transferência para a Ferrari. Além da briga notória entre ele e Montezemolo, por si uma razão e tanto para desacreditar, a Ferrari teve de suportar pagar um dos mais altos salários da F1, por todo 2008, para um piloto inativo. Sua volta seria como premiar quem bateu sua carteira.

Se o Mundial de Pilotos parece estar no bolso de Alonso, o campeonato de construtores está muito interessante. A Red Bull vai à frente, mas tem em seu encalço Ferrari, McLaren e Lotus. É nesse campeonato que Felipe Massa tem de se preocupar. Com a provável vitória de Alonso entre os pilotos, uma derrota da Ferrari entre os construtores será integralmente debitada na conta do brasileiro.

Falando em construtores, me incomoda essa história de equipe Lotus. Já tem nego montando estatísticas como se essa fosse a “volta” do time que consagrou Jim Clark, Graham Hill, Jochen Rindt, Emerson Fittipaldi e Mario Andretti. 

A equipe Lotus de hoje, que é a continuação da equipe Benetton, produz seus carros na mesma fábrica que fez os carros de Nannini, Piquet e Schumacher. Provavelmente não tem nenhum funcionário que um dia trabalhou para Colin Chapman.

É apenas uma marca, essa coisa tão valiosa no capitalismo, que, por isso mesmo, acaba por perder o significado.

Mas de volta à corrida, Hamilton finalmente teve um fim de semana sem encrencas, nos treinos foi soberano e comandou o GP com precisão desde a largada. 

Com a recuperação da McLaren, o inglês volta a ser candidato certo às vitórias, mas a questão é que Alonso está impossível, pontua em todas as corridas, sempre tirando o máximo das situações e, assim, quanto maior o equilíbrio melhor para ele. Vettel, Hamilton, Webber, Räikkönen, Button, Maldonado e o escambau podendo ganhar corridas o caminho do espanhol fica mais fácil.

Foi realmente boa a corrida de Senna sobrinho. O rapaz, que vive um momento de forte pressão, teve cabeça fria e correu com muita consistência. Ganhou uma posição na primeira volta e durante a corrida segurou Massa/Ferrari e Webber/Red Bull, que não tiveram chance para superá-lo no sinuoso Hungaroring. De quebra ainda teve a bela ultrapassagem por fora sobre Kobayashi e o sétimo lugar que ganhou de presente.

O gosto amargo ficou para Webber, que perdeu três posições apostando numa violenta deterioração dos pneus de seus adversários. Uma aposta que Vettel também fez. Neste caso, mais bem calculada, sem prejuízo.

Outro a sair da Hungria com o que pensar foi Jenson Button. Depois de deixar a desejar na classificação, fez uma ótima primeira volta e um início de prova decente, até que suas paradas o colocassem de volta sempre atrás de carros mais lentos, o que certamente o fez voltar pra casa decepcionado.

Enquanto isso…

…Schumacher vive um calvário. Depois de muito remar, tem conseguido ser mais rápido do que Rosberg, mas tem sempre alguma bruxa no caminho…

…Maldonado, outro que pontua menos do que devia, está na mira dos fiscais e com razão…

…a “estocada” que deu em Paul di Resta, não ajuda nada a limpar sua imagem, já bastante comprometida.

 

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