Coluna Becketts, por Hugo Becker: Por que não Lewis?

Hamilton se tornou uma espécie de Alexandre Pato da F1: aquele cara que explodiu cedo na carreira, tem um potencial gigantesco, talento e capacidade, mas perdeu completamente o foco por conta de interesses secundários. Rosberg é menos piloto que o inglês, sim. Mas é mais comprometido, focado e regular, além de ter uma técnica de pilotagem subestimada

 
Nunca antes uma temporada de F1 foi tão aguardada. Em um ano recheado de atrações esportivas de peso – Jogos Olímpicos de Inverno, Copa do Mundo, Sébastien Loeb no WTCC, Indy com o retorno de Juan Pablo Montoya, Tony Kanaan na Ganassi e Jacques Villeneuve na Indy 500… –, a principal categoria do automobilismo mundial soube se manter como protagonista por conta de uma série de alterações drásticas nas regras.
 
Não é pouca coisa, não. Voltam os motores turbo, o ERS promete decidir corridas – para o bem e para o mal –, a aerodinâmica foi significativamente reduzida e, por consequência, a ordem hierárquica do grid sofreu um grande baque. Por conta do desequilíbrio entre os desempenhos dos propulsores de Renault e Mercedes, quem foi com os alemães se deu muito bem, enquanto quem ficou com os franceses vai sofrer bastante ao longo do ano.
 
Neste cenário, o que temos no topo, hoje, é a Mercedona-mãe e a Williams. Na rabeira, em compensação, vemos Red Bull e Lotus vivendo uma espécie de purgatório.
 
Ou seja, a última das pontuáveis de 2013 vai brigar por poles e vitórias, enquanto duas das protagonistas do ano passado começarão o ano com risco de sequer entrarem no top-10.
 
A Mercedes, não. Essa parece ter dado um passo natural à frente que já seria esperado mesmo sem tantas mudanças no regulamento, já que o time ficou com o vice-campeonato de Construtores na última temporada. Por ser a equipe de fábrica do melhor motor de 2014 e ter Lewis Hamilton em um de seus cockpits, é de se esperar que o futuro campeão venha das 'Flechas de Prata'. Mas sinceramente, não vejo o inglês bicampeão, não.
 
“Por que não Lewis?”
 

Porque não. Lewis se tornou uma espécie de Alexandre Pato da F1: aquele cara que explodiu cedo na carreira, tem um potencial gigantesco, talento e capacidade, mas perdeu completamente o foco por conta de interesses secundários. No caso de Pato, a paixão pela vida de celebridade é muito maior que o desejo pelo futebol – que, neste caso, serve apenas como ponte que dá acesso ao fascinante mundo do glamour.
 
Vejo o mesmo em Hamilton. Além de ter o emocional mais complicado do grid e se deixar abater facilmente, o campeão de 2008 viveu seu auge cedo e, mesmo sendo um dos maiores talentos de sua geração, parece mais preocupado em resolver os relacionamentos problemáticos com a pussycat Nicole Scherzinger, cuidar de seu cachorro Roscoe e brincar de ser rapper, passando horas em estúdio gravando músicas ruins.
 
Diante de tudo isso, a F1 acaba ficando em segundo plano. Não se vê mais em Lewis aquele ‘sangue nos olhos’ de 2007 e 2008, ou mesmo aquele semblante de quem tem medo de perder e se sente ameaçado. O inglês se tornou um cara distante da F1, perdeu comprometimento. Não à toa, embora tenha ficado à frente na pontuação do campeonato em 2013, venceu menos que seu companheiro de Mercedes, Nico Rosberg.
 
Se o campeão virá da equipe prateada, este será o alemão, na minha opinião. É menos piloto que Hamilton, sim. Mas é mais comprometido, focado e regular, além de possuir uma técnica de pilotagem muito consistente que sempre é subestimada. Olho nele.
 
Campeão alternativo
 
Torço demais pela volta da Williams ao topo. É sempre legal ver uma equipe de ponta ressurgir depois de anos no fundo do poço, e a melhor notícia da pré-temporada foi ver a turma de Grove forte e mostrando favoritismo. Embora eu não acredite verdadeiramente nessa possibilidade, seria simplesmente sensacional ver um revival de 2008 em um duelo entre Hamilton e Felipe Massa pelo título deste ano. É o brasileiro a minha aposta alternativa à taça de 2014. Mas confesso que bate um medo danado da enorme frustração que seria ver o mais belo carro do grid andar lá atrás em Melbourne
 
Enquanto isso, na Ásia…
 
Cadê o avião!?
 

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