Como chegada de Alonso impacta programa de jovens pilotos da Renault

A Renault tem uma academia de pilotos pouco utilizada nos últimos anos. Qual o impacto da chegada de Fernando Alonso no futuro destes pilotos?

Quando vagas se abrem na Fórmula 1, os fãs se movimentam esperando uma renovação. Afinal, ver novos pilotos na categoria é sempre um fato curioso, ainda mais quando se acompanha as divisões de base, assistindo cada degrau subido por alguns jovens nomes.

Não é o que acontece na Renault em 2021. Apesar de investir em uma academia própria de pilotos, a montadora francesa apostou no retorno do bicampeão mundial Fernando Alonso, aos 39 anos, para o posto de titular na próxima temporada.

No fim, quem são os pilotos da academia da Renault e como a chegada do espanhol impacta em seus respectivos sonhos de alcançar um posto na categoria com dedo da montadora? É o que o GRANDE PRÊMIO analisa hoje.

Importante relembrar que o último piloto da academia da Renault a ganhar promoção ao time de Enstone foi Romain Grosjean, em 2009. De lá para cá, poucos nomes ganharam muita relevância no esporte a motor.

Christian Lundgaard

Christian Lundgaard corre pela ART na F2 (Foto: Reprodução/Renault)

Filho de Henrik, ex-piloto do WRC, Christian Lundgaard, de 18 anos, é filiado ao time desde 2017. No kartismo, o dinamarquês se tornou uma das grandes revelações do mundo e ganhou o apoio da montadora francesa assim que fez a transição aos monopostos.

Em sua primeira temporada nas categorias de base, se destacou com os títulos dominantes na F4 espanhola e na F4 SMP. Em 2018, fez a temporada completa da F-Renault Eurocup, com todos os olhares dos franceses, e acabou com o vice-campeonato, perdendo para Max Fewtrell, que também vai aparecer nesta lista.

Também em 2018, Christian recebeu a primeira oportunidade na GP3, na rodada dupla disputada na França, sem muito destaque. Porém, em 2019, recebeu contrato da forte ART Grand Prix para disputar o novo campeonato de F3 da FIA, uma fusão entre a antiga GP3 e a F3 Euro.

No complicado grid da categoria, o dinamarquês teve destaque, somando uma vitória, dois pódios e uma pole-position, o suficiente para colocá-lo em sexto no campeonato de 30 pilotos. No fim daquele mesmo ano, recebeu o chamado da Trident para disputar a rodada final da F2 em Abu Dhabi. Chegou a liderar parte da corrida 1, mas terminou fora dos pontos.

Após chamar atenção nos testes de pós-temporada, recebeu convite da ART para disputar a temporada 2020 do campeonato, onde saiu com pontos em todas as largadas até aqui, com direito a vitória na corrida 2 da Estíria.

Por ser jovem e bem talentoso, ainda tem espaço para sonhar com a F1, mas por já estar em um nível elevado de competição, precisa se preocupar com a chegada de Alonso.

Guanyou Zhou

Zhou corre na F2 pela UNI-Virtuosi (Foto: Reprodução/Renault)

Zhou, de 21 anos, é da academia da Renault desde 2019. Anteriormente, passou pelo programa da Ferrari e também foi piloto de desenvolvimento da DS Techeetah na Fórmula E.

Guanyou teve filiação com Maranello ainda no kart, e fez a transição para os monopostos em 2015, na F4 italiana, quando ficou com o vice-campeonato, à frente até de Robert Shwartzman, campeão da F3 em 2019 e atual líder da F2.

O desempenho chamativo na F4 rendeu um salto para a F3 Euro já em 2016, pela equipe Motopark e competindo contra nomes como Lance Stroll, George Russell, Sérgio Sette Câmara, Maximilian Günther e Nick Cassidy. Foi apenas 13º no campeonato, com dois pódios.

A transferência para a poderosa Prema veio em 2017. Zhou melhorou, somando cinco pódios e fechando o campeonato na oitava posição. Com a renovação de contrato, chegou a liderar o campeonato momentaneamente após vencer a etapa de abertura em 2018, o GP de Pau, mas foi ofuscado ao longo da temporada por pilotos como Mick Schumacher, Dan Ticktum, Robert Shwartzman, Jüri Vips, Marcus Armstrong e Álex Palou.

Guanyou perdeu o apoio da Ferrari, mas ganhou o da Renault, que o colocou no grid da Fórmula 2 em 2019 pela UNI-Virtuosi. O desempenho não foi igual ao do parceiro Luca Ghiotto, mas conquistou cinco pódios e era constante presença entre os primeiros colocados. Terminou o campeonato em sétimo, com o título de “novato do ano”.

Renovou com a UNI-Virtuosi para 2020 e flertou com a vitória na etapa de abertura, na Áustria, abandonando por problema de motor. Vive a esperança de se tornar o primeiro piloto chinês da história da Fórmula 1, porém, a chegada de Alonso e o melhor desempenho de Lundgaard deram um balde de água fria no sonho de Zhou.

Oscar Piastri

Oscar Piastri corre a F3 pela Prema (Foto: Reprodução/Renault)

O australiano tem 19 anos e foi integrado ao time em 2020. Sexto colocado em sua categoria no Mundial de Kart de 2016, ele logo fez a transição aos monopostos, chegando ao vice-campeonato na F4 britânica em 2017.

A primeira participação na F-Renault veio em 2018, fechando o campeonato em oitavo, atrás de outros novatos na categoria como Lundgaard, Logan Sargeant e Victor Martins (não, não é quem você pensa). Em 2019, se manteve na categoria e fez uma temporada incrível, com sete vitórias e o título, que lhe renderam a vaga no programa da equipe francesa, justamente na vaga de Martins.

Ao subir para a F3 em 2020, teve um início bastante positivo. Venceu logo na estreia e lidera o campeonato após somar pontos com a Prema em todas as corridas. Por ter pouca idade e ainda necessitar da passagem pela Fórmula 2, pode sonhar com uma chance futura.

Max Fewtrell

Max Fewtrell está em situação complicada no sonho da F1 (Foto: Reprodução/Renault)

O inglês Fewtrell tem 20 anos e está na academia de jovens pilotos da Renault desde 2017. É o mais antigo da lusta.

A oportunidade veio após o título da F4 britânica, em 2016, em um grid de poucos pilotos que se desenvolveram para melhores categorias. No ano seguinte, estreou na F-Renault e ficou com a sexta colocação, com direito a uma vitória, se tornando o melhor novato da temporada, à frente de Dan Ticktum e Richard Verschoor.

A glória veio em 2018, conquistando o título e desbancando Christian Lundgaard, porém, a situação não foi tão positiva quando subiu para a F3, em 2019, assinando com a forte ART Grand Prix.

Correndo na mesma equipe do dinamarquês, acabou em 10º no campeonato e não ganhou uma oportunidade na F2. Acabou deixando a ART para correr na Hitech, e ocupa o 16º lugar na temporada atual.

A situação de Fewtrell já não é das melhores. Se atrasou na fila ao ir mal em 2019 e não parece ter gás para uma subida à F2 em 2021. A chegada de Alonso pode não ter influência, mas praticamente enterra qualquer chance de sonhar com a Fórmula 1.

Caio Collet

Caio Collet é líder da F-Renault Eurocup (Foto: Reprodução/Renault)

Com 18 anos, o brasileiro Caio Collet está em sua segunda temporada como piloto Renault. Um dos principais kartistas brasileiros dos últimos anos, foi campeão da F4 francesa em 2018 antes de fazer a transição para a F-Renault em 2019.

Somou alguns pódios e ficou com a quinta posição no campeonato, faturando o título dos novatos. Começou 2020 com destaque, ganhando a abertura da temporada e se colocando como favorito ao título.

A chegada de Alonso pode não ter muita influência no caminho de Collet, que ainda precisa dar mais alguns passos e subir níveis para concretizar o sonho com a Fórmula 1.

Hadrien David

Hadrien David tem apenas 16 anos (Foto: Reprodução/Renault)

Único francês, Hadrien David, de 16 anos, é o piloto com filiação mais recente. Entrou no começo de 2020 na academia.

Ele se destacou ao ser campeão da F4 francesa em 2019 com apenas 15 anos, o que chamou atenção da montadora, que o colocou na F-Renault Eurocup em 2020, pela equipe MP Motorsport.

No momento, soma 14 pontos e é o sétimo no campeonato. Por ser muito novo e com muitos passos para dar, Hadrien ainda não precisa se preocupar com a chegada de Alonso na Fórmula 1. Sua idade permite que ele amadureça bastante até lá.

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