Como novo chefe da Red Bull mudou RB21 e entregou a Verstappen chance de título

Nas seis corridas sob o comando de Laurent Mekies, Max Verstappen somou 18 pontos por GP, acima dos 13,75 de média na gestão de Christian Horner. São números que expressam com precisão o quanto a Red Bull se transformou ao colocar na liderança alguém que sabe ouvir os pilotos, e também mostram que a história do Mundial poderia ser bem diferente se ele estivesse na chefia desde o começo do ano

Max Verstappen sabia que seria muito difícil quebrar o encanto das sinuosas ruas de Marina Bay para entrar de vez na cabeça da McLaren, mas ainda que tenha perdido o GP de Singapura, é impossível não notar o salto de performance que a Red Bull deu desde que voltou das férias, nos Países Baixos. Mas os resultados colhidos atualmente são fruto de um trabalho que, de certa forma, passa pela mudança mais significativa que a garagem taurina sofreu nos últimos 20 anos.

A virada da Red Bull em 2025 — ao menos de postura — tem nome e sobrenome: Laurent Mekies. O francês, com passagens por Ferrari e até pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA), assumiu o posto deixado por Christian Horner logo após o GP da Inglaterra e já comandou o pit-wall da Red Bull em seis GPs até aqui — Bélgica, Hungria, Países Baixos, Itália, Azerbaijão e Singapura. Foram duas vitórias e dois segundos lugares — todos com Verstappen.

Yuki Tsunoda também conseguiu se achar de alguma forma e voltou à zona de pontos em duas ocasiões, ajudando a Red Bull a somar 118 pontos sob o comando de Mekies, uma média de 19,66 por etapa. Trata-se de um número expressivo, sobretudo quando comparado aos resultados da antiga chefia. Verstappen também venceu duas vezes com Horner, é verdade, mas a equipe marcou 14,33 pontos por corrida do Bahrein até a Inglaterra (172 tentos em 12 etapas).

Tais números corroboram a fala de Verstappen logo depois da corrida em Singapura, quando perguntado novamente sobre as chances de título. Max foi sincero ao dizer que era preciso vencer sempre, algo que não estava acontecendo, e que também havia perdido muitos pontos no início do ano. De fato, ao se fazer o mesmo cálculo, tem-se uma média de 18 tentos marcados por Verstappen nas últimas seis corridas. Nas 12 em que disputou tendo Horner como chefe, foram 13,75 por GP.

Max Verstappen, Helmut Marko e Laurent Mekies: Red Bull melhorou muito sob comando do francês (Foto: Red Bull Content Pool)

Ora, mas então tudo não passava de uma simples troca de chefia? Talvez não tão simples assim, mas as próprias declarações de Verstappen e também de Helmut Marko, o consultor da Red Bull, confirmam o quão determinante foi mudar a filosofia de trabalho. Coincidentemente, Mekies assumiu o barco na mesma etapa em que a equipe austríaca promoveu um pacotão de atualizações para o RB21. Na Bélgica, botaram para jogo mudanças significativas na asa dianteira, entradas dos sidepods, cobertura do motor, suspensão dianteira e entradas de ar próximas às rodas traseiras, todas permanentes.

A partir daí, Mekies deu voz aos pilotos, sobretudo àquele que tem carregado a equipe nas costas. Desde o começo do ano, o que Max mais fazia era reclamar da instabilidade do carro nas curvas por conta das saídas de frente — questão que realmente tira o juízo dele e complica ainda mais a performance em circuitos que exigem mais carga aerodinâmica.

O foco, então, passou a ser a asa dianteira, e em cada etapa que se seguiu, a Red Bull passou a mexer na frente do carro para melhorar o downforce e, consequentemente, a estabilidade. E mesmo com a cabeça já em 2026, entende que ainda tem o que extrair do projeto atual. Afinal, há um campeonato em jogo, mesmo que pareça impossível descontar os 63 pontos de desvantagem para Piastri.

Na prática, a matemática agora diz que o ideal seria Verstappen somar 10,5 tentos a mais que Piastri por evento para batê-lo, o que, de certa forma, envolve a intromissão de pilotos como George Russell, por exemplo, que venceu a corrida em Singapura. Só que Mekies enxerga além e entende que manter o desenvolvimento do RB21 também é trabalhar no ano que vem, já que é o projeto deste ano que vai “validar a abordagem para 2026”.

Laurent Mekies evita protagonismo, mas tem muito mérito no progresso da Red Bull (Foto: Gabriel López/Grande Prêmio)

“O que o diferencia ou o torna especial é que ele é um excelente engenheiro, e as discussões se concentram mais na tecnologia, o que também era nosso objetivo com essa posição”, disse Marko durante entrevista recente a um podcast alemão. Verstappen, por sua vez, destacou o fato de Laurent, “tendo um conhecimento de engenharia, fazer as perguntas certas aos engenheiros”. E emendou: “Acho que isso funciona muito bem. E você tenta aprender a partir das coisas que experimentou. Isso te dá uma sensação de direção, e temos trabalhado nisso.”

Claro que nem todo mundo gosta de pensar no ‘se’ e tudo mais, mas há espaço nesta análise para imaginar como seria a vida de Verstappen no Mundial de Pilotos se a Red Bull estivesse sob o comando de Mekies desde o começo do ano, baseado puramente nas seis corridas lideradas por ele. Considerando a média de 18 pontos somados pelo neerlandês por etapa, Max hoje teria 324 no total e seria o vice-líder, apenas 12 tentos atrás de Oscar e à frente de Lando Norris.

Laurent Mekies foi o maior acerto da Red Bull em anos, ainda que de forma talvez acidental, pois não deixou de ser um choque a consolidação da saída de Horner. E se Verstappen realmente conseguir uma virada histórica, poderá se orgulhar de ter sido a peça-chave em tudo.

Fórmula 1 retorna de 17 a 19 de outubro, em Austin, palco do GP dos Estados Unidos.

▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GP2

Chamada Chefão GP Chamada Chefão GP 🏁 O GRANDE PRÊMIO agora está no Comunidades WhatsApp. Clique aqui para participar e receber as notícias da Fórmula 1 direto no seu celular! Acesse as versões em espanhol e português-PT do GRANDE PRÊMIO, além dos parceiros Nosso Palestra e Teleguiado.

📩 NEWSLETTER GP

Assine e receba notícias exclusivas e bastidores das pistas diretamente no seu e-mail!