F1

Consultor da Red Bull rasga elogios a Verstappen, mostra irritação com Renault e se gaba: “Temos o melhor chassi da F1”

Helmut Marko é alguém com papel fundamental na Red Bull. Consultor da equipe e coordenador da academia de pilotos da marca dos energéticos, Marko tem plena consciência que tomou todas as decisões corretas no que diz respeito a Max Verstappen. E também ao desenvolvimento do carro da Red Bull. Não fosse o motor não confiável da Renault, o que Marko evidencia esperar que aconteça logo, a equipe estaria na briga com as rivais da frente
Warm Up, do Hermanos Rodríguez / EVELYN GUIMARÃES, da Cidade do México / PEDRO HENRIQUE MARUM, do Rio de Janeiro
 Max Verstappen (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)

As últimas semanas são de vibração e comemoração pelos lados da Red Bull. Ficou evidente pelo desempenho recente que a equipe da marca dos energéticos conseguiu alcançar as duas grandes rivais Mercedes e Ferrari e que agora disputa vitórias com iguais condições - foram duas vitórias nas últimas quatro corridas, inclusive, e são três no ano. Além disso, a equipe conseguiu fazer Max Verstappen assinar um novo contrato que o mantém ligado ao time austríaco até o fim da temporada 2020. Não que o clima esteja totalmente calmo, como os casos envolvendo sobretudo a Toro Rosso mostraram, mas são de otimismo. Em entrevista ao GRANDE PRÊMIO, o consultor Helmut Marko falou sobre o trabalho recente, Verstappen e as decisões difíceis que saíram daqueles lados recentemente.
 
Sobre a vitória no GP do México, Marko admitiu o nervosismo borbulhante até os momentos finais. Afinal, os problemas de confiabilidade no motor Renault são diversos neste momento de reta final da temporada. Se na primeira metade o próprio Verstappen sofria sozinho com falhas, agora é o companheiro Daniel Ricciardo junto de Nico Hülkenberg e das duas Toro Rosso. Por isso, a fé na habilidade de Verstappen estava firme, mas não a no motor. O alívio veio ao cruzar a bandeira quadriculada. 
Max Verstappen e Helmut Marko (Foto: Getty Images)

"Max Verstappen teve uma ótima pilotagem hoje. Ele precisou andar também lento e cuidar do motor, porque nós ficamos muito, muito preocupados. Quatro carros abandonaram com o mesmo problema de motor. Quer dizer, tivemos muitos problemas de motor ao longo do fim de semana. Então, enquanto o carro não cruzou a linha de chegada, não pude acreditar", contou Marko ao GP
 
O que ele faz questão de garantir é que a Red Bull confia muito em Verstappen, algo que diziam mesmo na dificuldade de quase toda a temporada e que caminha para se provar após duas vitórias. Marko e a Red Bull também têm uma confiança cega no carro que produziram: "o melhor chassi da F1", segundo ele. Mesmo com os defeitos de um motor Renault que sofre na confiabilidade e ainda não iguala na potência - ainda que seja bem mais próximo em que outros anos -, a equipe tem uma alta dose de confiança em si própria e suas escolhas. 
 
"É claro que a gente vê um grande potencial no carro e também em Max. Temos uma parte aerodinâmica realmente muito correta e um ótimo chassi. Então, posso dizer que, deste ponto de vista, temos um grande pacote, muito competitivo. Na verdade, eu acho que temos o melhor chassi da F1. Aqui [no México], como o motor não faz tanta diferença, conseguimos nos colocar nesta posição forte. E mais, acho que Daniel poderia estar no pódio se não fosse o problema de motor que tivemos", seguiu.
 
"Na verdade, alcançamos a Ferrari e a Mercedes em Budapeste. Fomos muito rápidos. Em Spa, Verstappen esteve inacreditavelmente veloz. Em Monza, Ricciardo veio lá de trás... Quer dizer, nós não tivemos uma corrida livre de problemas até agora", avaliou.
 
"Realmente, tivemos um grande desempenho aqui, mas você não esquecer que estamos a mais 2 mil metros acima do nível do mar, então a aerodinâmica aqui tem enorme peso na performance dos carros. De outro lado, o motor faz uma diferença um pouco menor", avaliou.
Helmut Marko no box da Red Bull (Foto: Getty Images)

Quanto a Max, Marko e ninguém da Red Bull tem dúvidas: todo o encaminhamento dele até a F1 e desde que chegou no Mundial foi correto. O holandês tinha 17 anos quando foi levado da F3 Euro para a Toro Rosso e 18 quando, no meio de 2016, subiu para a Red Bull. Agora, no fim da primeira temporada completa na equipe, já teve seu contrato renovado por mais três anos - algo que o companheiro, Ricciardo, ainda não teve. E são três vitórias nesse período. 
 
"Nós sabemos que tomamos a melhor decisão com Max. Está aí a resposta. Na época, sabíamos que ele era muito jovem, mas acertamos. E acertamos também em mantê-lo por mais tempo agora. As coisas funcionam de maneiras diferentes na Red Bull. E é isso. Nós acreditamos nos nossos instintos e, felizmente, na maioria das vezes eles se mostram corretos", se gabou.
 
Quando questionado sobre os motores Renault, Marko mostrou a falta de paciência que não se via desde 2015. "O que podemos fazer com esses motores?", indagou. Deixou soltar algo que é sabido à boca pequena mas oficialmente não vem sido tão tratado assim: a experiência da Toro Rosso com a Honda em 2018 é uma grande esperança da Red Bull para ao menos 2019 e 2020, últimos dois anos da atual geração de motor da F1. "A única coisa que posso dizer que é vamos ver o que acontece nesta mudança de Renault para Honda na Toro Rosso."
Helmut Marko (Foto: Reuters)

Os momentos mais conturbados para Marko recentemente foram aquelas da situação envolvendo os pilotos da Toro Rosso. Como se sabe, além de consultor da Red Bull, Marko é o coordenador do programa de pilotos da marca dos energéticos. É ele quem toma todas as decisões. Foi ele, por exemplo, quem decidiu rebaixar Daniil Kvyat da Red Bull em 2015 para promover Verstappen. Também foi ele que concluiu, após o GP de Singapura, que era hora de trocar Kvyat por Pierre Gasly com efeito imediato. Quando, nos Estados Unidos, Sainz precisou ser liberado por empréstimo para a Renault e Gasly precisou cumprir o contrato com a Honda na Super Formula, foi Marko quem chamou Kvyat de volta e deu lugar ao ex-piloto da marca e hoje membro do programa da Porsche no WEC, Brendon Hartley, vencedor das 24 Horas de Le Mans.
 
Depois de Austin, Marko fez a escolha final da temporada: liberar Kvyat para viver a vida longe das amarras da Red Bull e deixar Hartley ao lado de Gasly na Toro Rosso. Com a possibilidade de que os dois sejam confirmados como pilotos da 'equipe B' da marca dos energéticos para 2018, Marko prefere ter calma, mas garantiu que gostou do que viu do neozelandês - Gasly é garantido 2018. Só que os problemas com a unidade de potência, sim, dificultaram uma análise mais vasta.
 
"Foi difícil de avaliar neste fim de semana. Na corrida, somente Pierre Gasly completou a corrida. Quanto a Brendon, de tudo que vimos dele enquanto esteve na corrida, posso dizer que gostei. Ele teve voltas muito competitivas. Também cuidou de tudo que era importante, especialmente dos pneus. Nós fizemos realmente uma boa escolha. Agora, vamos esperar a temporada acabar e tomar uma decisão final", afirmou.
 
Reflexo dos problemas de confiabilidade e do começo de temporada abaixo do rendimento atual, a Red Bull tem 240 pontos marcados no Mundial de Construtores contra 595 da campeã Mercedes e 455 da Ferrari.
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