De Europa a Eifel: por que Nürburgring recebeu GPs com tantos nomes diferentes

GP da Alemanha, da Europa, de Luxemburgo e... de Eifel. A corrida do fim de semana traz a quarta nomenclatura diferente em Nürburgring. Hora de entender a necessidade de variar tanto

Uma só pista, quatro nomenclaturas diferentes. Nürburgring é um dos palcos mais tradicionais da Fórmula 1, presente desde os anos 1950, mas nem sempre atendendo pelo mesmo nome. GP da Alemanha é a denominação mais comum, mas está longe de ser a única. Prova disso é a etapa deste fim de semana, que vai atender por GP de Eifel, e até com presença de público.

Mas o que está por trás dessas mudanças todas? Como que Nürburgring recebeu nada menos do que quatro GPs diferentes, enquanto outras pistas tradicionais como Monza, Mônaco e Interlagos sempre foram respectivamente GPs da Itália, de Mônaco e do Brasil? Para entender isso, o GRANDE PRÊMIO volta no tempo e analisa, uma a uma, as diferentes nomenclaturas da F1 no circuito alemão.

Nürburgring virou a casa do GP de Eifel, quarta nomenclatura diferente (Foto: Reprodução)

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GP da Alemanha, 26 vezes

A primeira nomenclatura usada em Nürburgring é a mais óbvia de todas. O circuito fica no estado alemão da Renânia-Palatinado, na metade sul, e seguiu o padrão da Fórmula 1: usar o nome do país para determinar a corrida.

Essa norma é rígida hoje em dia, mas era ainda mais nos anos 1950, quando Nürburgring entrou no calendário da F1. A categoria tentava ao máximo ter apenas um Grande Prêmio por país, o que acabava com a necessidade de fazer malabarismos com os nomes.

O primeiro GP da Alemanha válido pelo calendário da Fórmula 1 em Nürburgring foi em 1951, ainda na versão longa. Já na versão curta e moderna, a pista recebeu a categoria com tal nome pela última vez em 2013.

GP da Europa, 12 vezes

É aqui que a história começa a complicar. A F1 só começou a ser menos rígida com a regra de uma corrida por país nos anos 1980. Foram nada menos do que três corridas nos Estados Unidos em 1982, por exemplo. Na Alemanha, o tradicional Nürburgring ganhava a companhia de um Hockenheim cada vez mais popular. Só um poderia ser o GP da Alemanha.

A solução da F1 foi a mesma utilizada na Inglaterra. O primeiro GP da Europa, em 1983, serviu para acomodar no mesmo ano duas pistas britânicas, Silverstone e Brands Hatch. A solução serviu também para 1984, mas para outro país: Hockenheim seria o GP da Alemanha, Nürburgring seria o GP da Europa. Entre idas e vindas, esse esquema seria utilizado até 2007.

O que acabou com o nome GP da Europa em Nürburgring foi, de forma muito simplificada, Fernando Alonso. O bicampeão se tornou muito popular e criou a demanda por uma segunda corrida na Espanha. Isso enquanto a Alemanha via Michael Schumacher se aposentar e perdia parte do protagonismo. Dessa forma, Bernie Ecclestone orquestrou o GP da Europa indo para a pista de rua de Valência, enquanto Hockenheim e Nürburgring passavam a revezar entre si uma única data, do GP da Alemanha.

GP da Alemanha, da Europa, de Luxemburgo, de Eifel… (Foto: Ferrari)

GP de Luxemburgo, duas vezes

Mas o que fazer quando mais de uma pista quer o GP da Europa ao mesmo tempo? Esse foi o dilema da F1 em 1997. A categoria perdeu o GP de Portugal por conta de discordâncias com o Estoril, criando vaga que seria ocupada por Jerez. Não poderia ser o GP da Espanha, que já era em Barcelona. De quebra, o GP da Europa já era em Nürburgring.

A F1 precisava decidir quem levaria o GP da Europa e, por motivos que nunca ficaram muito claros, privilegiou Jerez. Nürburgring precisava de outro nome, que não seria GP da Alemanha. A solução foi um país cerca de 100 km distante: nascia o GP de Luxemburgo. Foi estranho, mas não inédito para uma categoria que já tinha há anos um GP de San Marino em solo italiano.

O GP de Luxemburgo foi mantido sem muita necessidade em 1998, com Nürburgring voltando a ser GP da Europa apenas em 1999. 

GP de Eifel, uma vez

Esse é o único caso na lista em que o uso de um nome inusitado não é por conta de mais de uma corrida no mesmo país. Nürburgring voltou ao calendário de última hora em 2020, consequência da pandemia do coronavírus e da série de GPs cancelados fora da Europa. Com Hockenheim também fora, esperava-se um GP da Alemanha. Sim, mas não: temos o GP de Eifel.

Nunca houve explicação muito clara da F1 a respeito da escolha. A motivação mais óbvia é histórica. A Eifelrennen (corrida do Eifel) foi um dos eventos mais tradicionais do automobilismo pré-guerra, sendo realizado pela primeira vez em 1922. Sim, antes mesmo da construção de Nürburgring, em 1927, e utilizando apenas estradas passando pela região de Eifel. A corrida foi realizada com diversos carros, variando desde F2 até DTM, até a edição final em 2003. O nome da corrida de F1 em 2020 é, assim, um tributo ao passado.

Mas o que raios é o Eifel? Além de lembrar o nome de uma torre famosa em Paris, trata-se de uma cadeia de montanhas onde Nürburgring se localiza. Sim, não é por acaso que a pista tem tantas mudanças de elevação. A natureza é bem preservada na região, o que permite um autódromo em meio à densa floresta local.

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