F1

De Ferran diz que saída de Alonso deixa “espaço grande”, mas vê sentido natural: “Andamos pra frente”

Gil de Ferran não esconde a enorme admiração por Fernando Alonso, com quem teve a chance de trabalhar na Indy 500 do ano passado e a partir de julho de 2018 pela McLaren na F1. O brasileiro diz que a saída do bicampeão vai ser sentida, mas as mudanças fazem parte da vida
Warm Up, de São Paulo / FERNANDO SILVA, de Interlagos / FELIPE NORONHA, de Interlagos
 Fernando Alonso e Gil de Ferran (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)

A saída de Fernando Alonso da McLaren ao fim da temporada vai representar a certeza de novos tempos em Woking. O espanhol, que cumpriu seu segundo ciclo na escuderia britânica entre 2015 e 2018, vai deixar a F1 e, naturalmente, uma lacuna bastante considerável dentro do time por conta da falta que a sua experiência de 311 GPs, 32 vitórias e dois títulos mundiais vai fazer. Para o ano que vem, a McLaren vai contar com uma das duplas mais jovens do grid, formada por Carlos Sainz Jr., de apenas 24 anos, e Lando Norris, que completou 19 na última terça (13).
 
Gil de Ferran, diretor esportivo da McLaren, trabalha com Alonso na F1 desde julho deste ano, mas teve a chance de ser o mentor do espanhol durante sua incursão nas 500 Milhas de Indianápolis do ano passado. O brasileiro revelou toda a sua admiração por Fernando e ressaltou o quanto o bicampeão vai fazer falta na McLaren. Mas que, com Sainz e Norris a partir de 2019, é preciso seguir em frente e com desafios diferentes. A saída de Alonso é vista como algo natural, como “sentido natural das coisas”, descreveu De Ferran.
 
Em entrevista coletiva à imprensa brasileira no fim de semana do GP do Brasil, em Interlagos, Gil evitou comparar Alonso a outros pilotos, mas ressaltou toda a sua capacidade técnica.
Fernando Alonso, Gil de Ferran e Zak Brown em Interlagos neste fim de semana (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)
“Olha... sem querer fazer comparações, só falando onde o Alonso realmente é muito bom, a meu ver, ele tem uma sensibilidade muito grande. Ele é muito direto e raramente está errado [risos]. E isso acho que ajuda muito aos engenheiros porque ele não fica na dúvida: ele sente, interpreta o que sente e coloca de uma maneira muito concisa para você entender exatamente qual é o problema”, explicou o ex-piloto.
 
“Esse é um ponto muito forte dele porque toda vez que você se encontra numa situação difícil ou lidando com problemas complexos, ele ajuda a encurtar o caminho até a solução. Mesmo em situações durante a corrida, ele tem uma capacidade de raciocínio muito grande, e isso faz com que ele consiga, mesmo em situações de altíssima pressão, lidar com muitas coisas ao mesmo tempo. E isso é uma qualidade muito grande dele”, salientou Gil.
 
Sem sua grande referência nos últimos anos, a McLaren vai trabalhar com uma totalmente nova em 2019. Perguntado pelo GRANDE PRÊMIO sobre a falta que Alonso vai trazer e a perspectiva de trabalhar com Sainz Jr. e Norris como titulares em 2019, De Ferran não lamenta e entende que vai ter de lidar com um novo e diferente desafio dentro da McLaren.
 
“É impossível dizer que a gente não vai sentir falta do Fernando. Considero o Fernando como um dos melhores pilotos da história da F1. Então não tem como negar. Ele vai deixar um espaço grande. Mas é o sentido da vida, as coisas são como o relógio anda. Andamos pra frente, e tanto o Lando como o Carlos são dois pilotos jovens”, comentou.
 
“Então vamos ter desafios diferentes, coisas diferentes, problemas diferentes e oportunidades diferentes para lidar. Mas vejo isso não como uma coisa negativa, mas como o sentido natural das coisas”, finalizou Gil de Ferran.