F1

Detentora dos direitos de TV no Oriente Médio e norte da África encerra contrato com F1 e culpa pirataria

A beIN Sports, que era responsável por um número estimado de 7% do orçamento de TV que o Liberty Media recebia pela F1, não vai assinar um novo acordo. Segundo o beIN, a razão maior é a falta de ação para conter a pirataria vinda do grupo saudita BeoutQ
Grande Prêmio / Redação GP, do Rio de Janeiro
 Chase Carey e Peter Szijjarto (Foto: MTI)
O Liberty Media recebeu uma confirmação bastante ruim no que diz respeito aos direitos de TV da F1 para a temporada 2019. A beIN Sports, detentora dos direitos para o Oriente Médio e o norte da África, confirmou que não vai renovar o contrato e colocou a culpa na falta de combate à pirataria.
 
De acordo com o grupo Ampere Analysis, o contrato do beIN com a F1 flutuou entre US$ 30 a 40 milhões — o equivalente a R$ 111,5 a 149 milhões — entre 2014 e 2019 e representou sozinho cerca de 7% de todo o orçamento de TV da F1.
 
A razão da saída do beIN foi a falta de ação do Liberty para conter as atividades do canal pirata BeoutQ, voltado para eventos esportivos e que, vindo da Arábia Saudita, tem crescido nos últimos meses. 
 
Tom Keaveny, diretor-geral do beIN Media, confirmou a frustração do grupo com as poucas medidas da F1.
Chase Carrey (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)
"A opinião de uma detentora de direitos televisivos na pirataria da BeoutQ — em outras palavras, se eles [a F1] estão tomando ações legais e fazendo tudo que podem para combater o roubo dos direitos em escala industrial — agora é um fator crítico que consideramos quando fazemos uma oferta", falou.
 
"Pagamos enormes valores pelos direitos de mídia, mas a consequência natural da pirataria da Arábia Saudita é que esses direitos não podem ser protegidos, então pagaremos menos por esses direitos no futuro. Em particular para companhias que somente falam em combater a BeoutQ", seguiu.
 
"Nós temos avisado sobre as consequências comerciais muito reais do roubo da BeoutQ no mundo esportivo e entretenimento por quase dois anos. Mesmo assim, a pirataria continua com impunidade todos os dias e representa um perigo existencial para o modelo econômico dos esportes e da indústria entretenimento", encerrou.
 
O BeoutQ tem transmitido as corridas de forma gratuita desde o último mês de junho, quando a F1 divulgou um comunicado.  
 
"A F1 leva violação de propriedade intelectual dessa natureza muito a sério. Estamos analisando o problema e os envolvidos, e depois vamos tomar as atitudes apropriadas", disse.
 
Segundo Richard Broughton, representante da Ampere Analysis, "operadores de mídia do Golfo estão sob pressão intensa no momento por conta da pirataria e da pouca receptividade dos consumidores para o pagamento de altas quantias mensais", afirmou à TV americana Bloomberg.
 
A F1 ainda confirmou à Bloomberg que um novo acordo está sendo discutido. O valor, no entanto, não tende a ser próximo ao pago pela beIN.